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Mais Amor, Por Favor

A jornalista Dara Bandeira fala sobre os conflitos da rotina, as dificuldades e prazeres dos relacionamentos. Conquistas e tristezas da vida. E-mail para esta coluna: dara.bandeira@ofluminense.com.br

Só por hoje

Às vezes é só um momento, um tempo que a gente não sabe ao certo quando vai acabar. A gente pode passar meses a fio fazendo promessas e pequenas juras de eternidade sem ter a menor certeza sobre a temporalidade das coisas. E tudo bem. Tudo bem se as coisas não correram tão bem quanto gostaríamos. Eu vou entender se você tirar meu número da agenda – mesmo quando você se arrepender depois. Eu vou me perdoar quando achar que entrei num caminho que não tinha as janelas que eu precisava para viver. Sempre atenta que aquela – naquela hora – era a minha melhor versão.

Tudo bem se você quiser beber só mais essa cerveja, contar do que faz no trabalho e quanto isso poderia ser melhor, se o trabalho fosse só o trabalho. Mas nunca é. A gente pode rir essa noite inteira ou essa semana inteira, mas vamos rir. A gente pode se salvar de algum tédio ou angústia. E tudo bem se depois daqui a gente voltar para casa criando meia dúzia de paranoia sobre como amar e ser amado é complexo e multifacetado. Tudo bem se depois daqui a gente ainda se sinta um pouco só. 

Mesmo quando eu acho que não há a menor chance pra eternidade, talvez eu te conte sobre ser fã do Jorge Aragão – todo o mundo conhece essa história. Menos você. Vou te falar sobre a genialidade do Chico César e dizer como eu ouvia os álbuns no repeat quando criança. Eu quero que você saiba que essas pessoas existem, e que amo a cafonice de alguns versos. Quero que você fique ciente – mesmo sabendo que você vai embora um dia – que essa cidade me atravessa. Que eu me orgulho de ter escolhido aqui pra viver, apesar de todos os desgovernos. Eu quero que você saiba de algumas coisas banais.

Podemos nos comprometer em aliviar um pouco a pressão. Em rir mais, fazer menos carão e mais carinho. Em conhecer algum lugar que a gente não viu. Podemos nos comprometer em sermos boas companhias. Entregar o melhor que podemos, mesmo sabendo que por aqui é tudo um tanto passageiro. É oferecer uma cerveja gelada à noite e um café quente pela manhã. Ser gentil na casualidade, já que é a realidade que temos agora. Aliviar a pressão é também não ser perversa, se permitir ser imensa e inteira, mesmo quando a vida não nos ofereça um amor de novela.

Vivemos aqui sem saber até quando. Vivemos com uma ilusão patética da imortalidade e, mesmo assim, não aproveitamos as possibilidades de felicidade que temos – logo aqui – depois da curva do medo. Preferimos a nossa maturidade emocional, a nossa vida dicotômica entre amores e instaflertes. Entre os que merecem a nossa melhor versão e os que vão ter os cacos que sobrarem depois de mil aventuras. Existe um caminho mais fácil, mais divertido, com mais beleza. Eu juro que tem. Entre um lado e outro há uma outra forma de fazer. Pelo meio.

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