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Só se for com música

A música clássica ajuda a aumentar o QI de crianças

Marina Rodrigues assume que, para ela, até mesmo estudar para o vestibular é mais fácil enquanto ouve música, o que facilita sua concentração

Foto: Lucas Benevides

Em 1993, Frances Rauscher, uma psicóloga da Universidade da Califórnia, convocou 36 estudantes para ajudá-la em um experimento científico. Primeiro, o grupo ouviu uma sonata composta por Mozart, influente compositor austríaco do período clássico. Em seguida, foram dadas instruções de relaxamento pronunciadas por uma voz monótona. Por fim, passaram alguns minutos em ambiente silencioso. Após cada uma das três situações, os estudantes foram submetidos a testes de raciocínio espaço-temporal e o resultado não poderia ser diferente: o desempenho da turma após a sessão musical foi consideravelmente melhor do que nas outras duas situações. O fenômeno, por fim, ficou conhecido como Efeito Mozart.

Muitas concepções precipitadas surgiram ao longo do tempo – como a famosa lenda urbana que diz que a música clássica ajuda a aumentar o QI de crianças. Mas, de qualquer forma, é difícil contestar a ideia de que uma boa melodia causa, realmente, efeitos positivos no cérebro. Isso acontece porque, geralmente, quando ouvimos músicas que gostamos, acionamos uma área no sistema nervoso que faz com que nosso cérebro libere dopamina, um dos neurotransmissores ligados ao prazer.

“Liberando essa substância, a gente associa a música às coisas boas, a um momento bom, uma pessoa. Essa dopamina faz com que a gente consiga ficar um pouquinho mais concentrado em algumas coisas. Ou, até mesmo, menos tensos e mais tranquilos. E, é claro, faz com que pessoas associem a algo que possam fazer em termo de produtividade”, explica a neuropsicóloga Thaís Quaranta.

O arquiteto João Valério, que trabalha apenas ouvindo música, conta que a melodia o ajuda a manter o foco, evitando que se distraia com conversas e, até mesmo, com ruídos do o próprio trabalho.

“Mas a relação com a música não é assim tão fácil. Tem que ser música instrumental, clássica, orquestrada, qualquer coisa assim. A música cantada, falada, me tira o foco. Mais ainda se eu conhecer a canção. Música cantada tem que ser baixinho, quase um sussurro, porque a palavra cantada tem muita presença”, explica o arquiteto, acrescentando que, por trabalhar com desenhos principalmente na madrugada, a música é uma grande companheira.  

A neuropsicóloga Thaís Quaranta explica que, ao ouvir uma canção, precisamos de muita atenção, com uma música nova, por exemplo, o cérebro libera muita dopamina e, com isso, perdemos o foco.

“Isso faz com que não consigamos mais nos concentrar. A produtividade geralmente está ligada a situações que pessoas conseguem fazer com certa frequência, coisas mais repetitivas”, conclui a especialista. 

Apesar de muitos alegarem que, para estudar, é necessário um ambiente calmo e sem barulhos, há, contudo, aqueles que não abrem mão dos seus fones de ouvido enquanto concentram-se em suas leituras. Para a universitária Elisa Calmon, de 22 anos, escutar música durante o estudo é uma forma de tornar uma atividade cansativa em um momento também de lazer.

“Dessa forma, consigo produzir muito mais, já que meus estudos ficam mais dinâmicos e, assim, o tempo passa mais rápido, além de ajudar na minha concentração, claro”, explica. 

Já Marina Rodrigues, estudante de 17 anos, assume que até mesmo estudar para o vestibular é mais fácil enquanto ouve música. Para ela, que ouve música o tempo inteiro, a canção é essencial para sua concentração.

“Ouço música, inclusive, bem alta! Parece que me ajuda a focar mais. A música toma conta de um espaço que, sem ela, eu estaria me distraindo com coisa externas”, explica.

Gabriel Gomes, universitário de 22 anos, acrescenta que, hoje, consegue, até mesmo memorizar o conteúdo da faculdade com mais facilidade. Ao associar a matéria com a música, ele consegue lembrar com maior facilidade. 

Embalada pelas artes o tempo inteiro, a artista plástica Ludmila Coutinho, professora de mandalas, diz que música é indispensável em suas aulas.

“Música de fundo, suave, faz parte do relaxamento. As pessoas chegam estressadas do trabalho, da rotina e, quando estão na aula, precisam mudar completamente o foco de sua atenção para o desenho. A música, nesse e em muitos outros casos, ajuda muito”, afirma a profissional. 

Segundo a neuropsicóloga Thaís Quaranta, quando as pessoas estão acostumadas a ouvir as mesmas músicas ou, até mesmo, um tipo de música, elas se adaptam a ouvir aquela música fazendo determinados trabalhos, determinadas atividades, fazendo com que produzam mais.

“É como se a sensação do tempo fosse mais tranquila, menos tensa. O tempo acaba passando mais rápido naquela atividade que, caso contrário, seria repetitiva”, conclui Thaís, aconselhando que, ao optar por ouvir música durante outra atividade, escolha canções instrumentais ou com letras menos pesadas. De acordo com ela, isso reduz a possibilidade do foco da atenção ser desviado à música. 

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