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Saúde pela boca

Alguns alimentos inofensivos a nós podem gerar complicações de saúde no seu cão ou gato. Saber o que dar de comer a eles é fundamental

 

Foto: Divulgação

Além de compartilhar diferenças entre si, os organismos dos cães e gatos também compartilham radicais diferenças com o do ser humano, principalmente no que tange à nutrição. Parece óbvio, mas muitos dos alimentos que fazem parte do nosso dia a dia e, inclusive, são classificados como saudáveis para nosso corpo, podem fazer muito mal aos pets. 

Porém, com a vastidão de informações espalhada pela internet, fica difícil saber o que é verdade e o que é mito. A zootecnista Aline Conceição explica que, no caso do leite, por exemplo, que aparece liderando as listas de alimentos perigosos, existem muitos exageros.  

“Na verdade, leite não faz mal nem para cães nem para gatos. O que acontece, às vezes, é um exagero nas quantidades por parte dos proprietários, ocasionando um amolecimento das fezes. Nos gatos, já é bem sabido que a lactase, a enzima que faz a digestão da lactose, é substrato dependente. O que isso quer dizer? Que se o gato não ingere, não a produz, mas se ele passa a receber uma quantidade de leite na sua dieta regular, essa enzima volta a ser produzida. Então, não é verdade que leite é um alimento proibido. Inclusive, muitos produtos industrializados, principalmente para filhotes, têm leite em sua composição”, revela Aline, especialista em nutrição animal, que explica, ainda, que existem, sim, alimentos verdadeiramente perigosos para cães e gatos, como o chocolate, que contém teobromina e cafeína, substâncias que produzem consequências cardíacas, arteriais, gástricas e hepáticas nos pets. 

Gaya precisou se submeter a uma cirurgia para retirar folhas secas e gramas fermentadas no estômago

Foto: arquivo pessoal

Na lista de alimentos perigosos estão o café; a noz macadâmia (que contém selênio, que, em grande quantidade, pode intoxicá-los); produtos com adoçantes e açúcar; e a cebola, de fibra muito reativa no intestino. 

Além dos alimentos citados, também existem coisas que os pets podem comer, mas que se deve atentar, como a própria grama, cuja ingestão tem relação direta com o instinto.

Um caso curioso aconteceu com a rottweiler Gaya, que, segundo a dona, Camila Jehle (42), é muito arteira e começou a desenvolver o hábito de comer coisas que vão desde as mais comuns, como frutas diretamente do pé, até as mais inusitadas, como galhos de árvore. “Ela já tinha passado por uma cirurgia no estômago para a retirada de um objeto que ela ingeriu e não conseguiu digerir. Um dia, ela começou a passar mal de novo e resolvemos levá-la no veterinário”, lembra Camila. 
Seu veterinário, Andrés Gutierres, explica que, após a primeira cirurgia, ele passou todas as orientações necessárias para Camila. Porém, mesmo com as restrições, Gaya passou a comer as coisas do quintal, como folhas secas e grama. 

“Essas folhas secas e grama ficaram presas no estômago, e ela começou a apresentar vômito. Fizemos todos os procedimentos e resolvemos fazer mais uma cirurgia”, esclarece. 

Hoje, após duas cirurgias, o cuidado é redobrado, pois mesmo que comer grama seja algo instintivo, possui uma substância que não é digerida pelo animal: a celulose. 
“A grama é basicamente celulose e fibras. Cães não digerem a celulose, que pode fermentar no estômago parado. Foi isso que aconteceu com a Gaya. Muitos cães, quando não estão se sentindo bem, comem grama, no intuito de vomitar para se sentir melhor de algum enjoo. É instinto”. 

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