Você faz a notícia

Solteiro, sim senhor!

Bem-resolvidos, eles não se assustam com a possibilidade de passar o Dia dos Namorados sozinhos

Depois de namorar durante muito tempo, Thaís Roale desfruta do prazer da própria companhia. Ela inclusive foi a um retiro budista no último carnaval e aconselha a experiência

Foto: Lucas Benevides

Todos os seres humanos são existencialmente sozinhos em sua intimidade, logo, todos podemos ficar perfeitamente bem conosco, o que é uma condição saudável. Ser solteiro pode ser apenas um momento da vida, não necessariamente um estado, apenas uma situação vivida. 

Victor Rozendo, de 25 anos, baterista da banda Starven, está há 1 ano, 8 meses e 8 dias solteiro. Bem preciso em sua afirmação, o baterista acredita que, hoje, as pessoas, em especial antes dos 30, priorizam o profissionalismo, ou seja, um relacionamento sério acaba sendo uma consequência, não uma procura de fato. O baterista não se importa de passar o Dia dos Namorados sem um amor. 

“Acho que, independentemente de rótulos ou denominações de status de relacionamento, quase todo o mundo tem alguém com quem se envolve. E a magia vai fluindo com o tempo. Se a pessoa estiver bem consigo mesma, bem-resolvida, é tranquilo passar pela data sozinha. Dá para sair com os amigos, já que existem muitas festas de solteiros no Dia dos Namorados também. Acho que, independentemente de não ter um relacionamento sério, as pessoas acabam se beijando neste dia. Caso isso não aconteça, está tudo bem também”, afirma.

Victor teve três relacionamentos sérios durante a vida. O primeiro, aos 12, que ele acredita ter sido muito importante para o seu crescimento e amadurecimento. Hoje em dia, os dois não mantêm contato, mas são amigos nas redes sociais. O segundo foi aos 15 anos, que, até agora, foi o mais longo que teve, e que considera o seu “primeiro verdadeiro grande amor”. Terminaram um mês depois do Dia dos Namorados e Victor guardou mágoas por bastante tempo. E o terceiro, que, para Victor, foi “bem complexo”, pois era em um ambiente de trabalho, em que ele era o gestor da então namorada. Para ele foi amor à primeira vista. 

“O relacionamento pode ser aquela história linda de contos de fadas, mas, na estrada da vida, existem algumas curvas. A vida e as pessoas mudam. E acho que esse é o grande segredo da vida amorosa. A gente só tem como viver uma linda história se a gente se permitir conhecer novas pessoas e seguir em frente. No meu último relacionamento, a conclusão tirada é: nunca faça pelo próximo contando que este o retribua com a mesma intensidade. Faça o que quiser, mas ciente de que é por você e não pela outra pessoa. Aprendi a perdoar, fiquei um ano me remoendo, guardando rancor, ódio, raiva. Mas isso não faz bem pra ninguém, né? Então, ouvindo e lendo mais sobre o perdão, aprendi que isso é a solução para seguirmos em frente e em paz”, reconhece Victor.

Thaís Roale, 25 anos, está há cerca de 1 ano e meio solteira. As datas comemorativas sempre tiveram muita importância para ela, principalmente dentro do relacionamento. Porém, aos poucos, ela foi percebendo que as comemorações estão presentes qualquer dia, basta ser importante para a própria pessoa. 

Aos 25 anos, o baterista Victor Rozendo não se incomoda em passar o Dia dos Namorados só

Foto: Lucas Benevides

“Devemos comemorar sempre o tempo presente, independentemente de questões exteriores, com alguém ou na própria companhia. Se sentir bem, em paz consigo, essas coisas vêm de dentro, e devemos parar de dar a responsabilidade a outra pessoa de nos imputar/injetar felicidade. Ela tem que primeiro partir de nós. Tente transformar o seu dia em algo positivo, fazer uma atividade que goste, um programa com amigos, algo que o faça sentir bem consigo, aliás, façam isso todos os dias”, aconselha. 

Thaís passou o carnaval, época tão aguardada por boa parte dos solteiros, se redescobrindo internamente. Foi para um retiro budista, em que, segundo ela, se permitiu novas experiências em sua própria companhia. 

“Acho que, até por ter namorado há bastante tempo, já tinha desassociado o carnaval à ‘pegação’. Depois que descobri que posso fazer coisas incríveis em minha própria companhia, me permiti a muito mais experiências, e pisar no desconhecido sempre tem um gostinho incrível. Quando pensei no retiro budista, quis realmente viver a experiência, que acrescentou tanto no meu desenvolvimento pessoal quanto espiritual. Você entende que pode amar e se aproximar de todos ao seu redor de maneira muito mais ampla e profunda, coisa que a folia dos quatro dias intensos de carnaval não me proporcionavam mais. Aquela diversão e zoeira toda acabou se tornando rasa e superficial. Viva como se o carnaval fosse todos os dias, e se divirta tão ou quanto, ou mais, porque, com sabedoria, não tem nem ressaca braba pra te pegar depois”, conta Thaís. 

Pressão da data

Para o psicólogo Alcindo Miguel Martins, as datas comemorativas produzem um efeito de pressão sobre os indivíduos. 

“O fato de sermos todos sozinhos não implica que devamos ser solitários, sempre podemos e devemos, se assim o desejamos, vir a relações com graus diferentes de afetividade e intimidade. Não nascemos para suprir ou cumprir a expectativa de ninguém individualmente ou de qualquer grupo social, cultural ou econômico de pressão, não temos de reagir ou agir conforme patrulhas de nenhum tipo, temos direito a nossas individualidades, nossas escolhas, nossos percursos e vidas. Estar ou ser solteiro ou casado, namorado ou ficante, amante ou solitário, é uma escolha pessoal, não é um destino, uma culpa ou uma punição”, afirma o psicólogo. 

Faça seu login ou cadastre-se para enviar seus comentários

Comentários

Veja também

Scroll To Top