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A todo vapor

Para algumas mulheres, filhos e trabalho são estímulos para fazer sempre mais. Elas são pura energia: param só na hora de dormir

Ana Paula Steele atende em três consultórios, cuida de quatro filhos, põe o jantar todos os dias para a família e ainda passeia com o marido nos fins de semana

Foto: Lucas Benevides

Algumas pessoas são ligadas em 220 volts e levam um estilo de vida muito acelerado e atribulado. Este é o caso da odontopediatra Ana Paula Gonzaga Steele, 44, que sempre teve uma vida muito ativa, mesmo antes de casar e ter quatro filhos. Quando não tem nada para fazer, inventa passeios com o marido, o advogado Marcus Steele, e os quatro filhos, Nuno (14), Pedro e Arthur (gêmeos de 12 anos) e Antonio (9), ou vai cozinhar uma de suas receitas especiais. A dentista acorda todos os dias às 6h30 e se planeja para dormir só às 23h30. No decorrer do dia, além de atender em três consultórios – em Icaraí, Itaipu e Alcântara –, leva e busca os filhos na escola, frequenta academia, assiste ao futebol do filho caçula e ainda tem tempo para participar de congressos e fazer cursos. 

“Acho que somos os seis ligados na tomada. Meus pais sempre trabalharam muito, e isso é uma boa herança. Por mais que eu me sinta cansada de fazer tanta coisa às vezes, sou feliz. Também não abro mão de ir ao salão toda semana cuidar de mim. As sextas-feiras, por exemplo, são só minhas! Mas tem dias que nem eu acredito que consegui fazer tanta coisa e sobreviver. Faço questão de acompanhar meus filhos em tudo. Chegando em casa, eu mesma sirvo o jantar e não durmo com um copo sujo e nada fora do lugar. Aí vou conversar com os meninos sobre a escola, tarefas... Desacelero só por volta das 22h, quando consigo conversar sobre o meu dia com o meu marido”, relata Ana Paula. 

A niteroiense ainda faz toda a agenda dos meninos de atividades extracurriculares, reuniões em escola, médicos e coordena seus horários do consultório. Sem dúvida alguma, o bem-estar de sua família é a prioridade, e funciona como combustível para dar conta de tudo. No entanto, Ana Paula confessa que esse ritmo acelerado é bom até certo ponto, e que sentir-se sobrecarregado tem um preço. 

“A frase que mais escuto é: ‘Eu não sei como você consegue estar sempre arrumada, com boa aparência, casada, cuidando de quatro filhos e ainda trabalhando!’. Nem eu sei”, brinca a odontopediatra, que completa: “Mas estou tentando desacelerar um pouco e ter uma vida mais leve. Nem sempre essa vida acelerada é o ideal. Mas estou realizada e feliz”, confessa. 

A instrutora de surfe e estudante de enfermagem Bruna Maria Duarte, 39, também acredita que, até certo ponto, um estilo de vida acelerado pode ser benéfico, dependendo com o que a pessoa se ocupa, e, por isso, tem hábitos saudáveis. 

Instrutora de surfe e estudante de enfermagem, Bruna Duarte faz questão de levar e buscar o filho na escola todos os dias

Foto: Allan Gandra/Divulgação

“Procuro ocupar minha mente com coisas saudáveis e energias boas. O que não dá para fazer é viver uma vida agitada e desregrada. Mas um estilo de vida realmente saudável, como o meu, em que tenho meus horários definidos, durmo bem, me mantenho nutrida e hidratada, é muito bom”, explica.
Bruna também acorda cedo, às 5h. Ela é mãe e não abre mão de levar e buscar o filho na escola, todos os dias. Em suas manhãs, se dedica à prática de futevôlei, ou dá aulas de surfe para os alunos da escolinha Belle Serrene, no Recreio. Durante a tarde, está se movimentando o tempo todo: nada, surfa, cuida da empresa, e, ainda assim, se mantém à disposição do filho e dos alunos de surfe. À noite, estuda enfermagem.

“Estou sempre trabalhando porque a minha profissão, o meu esporte, é o meu lazer e o que eu amo fazer. Por isso, estou sempre em preparação. Dificilmente fico sem fazer nada, só na hora do almoço que não abro mão de tirar uns 15 minutinhos para um cochilo. De resto, preciso estar em movimento. Se chove e não dá para eu sair, por exemplo, fico inquieta. Ainda bem que meu trabalho permite que eu solte a minha energia”, celebra a surfista.                   

Em meio a tantos compromissos diários, Bruna não perde noites de sono e se mantém alimentada, consciente e descansada para enfrentar o dia seguinte. Além disso, reconhece o momento do dia em que é preciso desacelerar.

“Às vezes, mesmo levando um estilo de vida saudável, o corpo pede para desligarmos um pouco. E aí é preciso desacelerar e ‘reaprender’ a respirar, para que não gere uma ansiedade. Vou dormir lá pelas 23h, oro para agradecer pelo meu dia e no dia seguinte estou pronta para fazer tudo de novo”, finaliza. 

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