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Tradição do samba

Considerada a ala da sapiência, a velha guarda das escolas de samba guarda histórias de paixão pelo ritmo

Leidir Dionísio, Heimacy Machado e membros da velha guarda da Porto da Pedra

Foto: Marcelo Feitosa

Preservar a cultura e as tradições é uma das coisas mais importantes para uma comunidade. Através delas, transparecemos quem somos, quem fomos e tudo que nos é importante. A velha guarda para uma escola de samba significa toda a trajetória percorrida, toda sua história, a sua essência. Representando a memória viva da agremiação, os componentes desfilam com o maior orgulho e amor do mundo, um amor de uma vida inteira. 

O compositor Jorge Lambreta, 75 anos, já desfilava em outras escolas de samba quando assumiu seu amor pela Viradouro, na qual desfila há mais de 50 anos. Na década de 60, Jorge começou a frequentar a quadra da agremiação, localizada na época em um trecho popularizado como Garganta, entre os morros da União e do Africano, que, na época, faziam parte de Santa Rosa. 

“Comecei a frequentar a Viradouro e gostei do negócio, foi na época do azul e rosa ainda. Virei fã da Viradouro por causa de uma outra escola de São Gonçalo, que era filiada da agremiação. Assumi como compositor na Viradouro em 1980 e é amor mesmo. Pra você ter uma ideia, em 1982, eu era ritmista na Mangueira e compositor na Viradouro. Optei pela Viradouro, deixei de desfilar na Mangueira pra ir pra Niterói. Já fui passista, harmonia, uma porção de coisas e, atualmente, sou da velha guarda e o compositor mais antigo. Os componentes da velha guarda são os guardiões da escola”, relembra Jorge, que concorre com suas composições todos os anos.

Aos 75 anos, o compositor Jorge Lambreta mantém acesa a paixão pela Viradouro

Foto: Marcelo Feitosa

Segundo ele, é aposentado, sim, mas não do samba. Ele conta que sua esposa, conhecida como “Dona Dirce da Viradouro”, o acompanha desde sempre. 

“Ela é compositora também e finalista do samba-enredo. Aqui em casa só se fala em Viradouro. A escola é minha segunda família, meu filho frequenta, minha nora é compositora, minha filha é sócia-proprietária da escola e compositora, a família toda é Viradouro. Meu neto, que recentemente completou dez anos, já está iniciando na bateria. Desfilamos todos os anos. O samba pra mim é tudo, apesar de ainda ser um gênero musical meio ingrato. Sofre perseguições como antigamente, as pessoas ainda têm aquele preconceito. Mas é aquilo, é coisa boa. Dizem que não gostam, mas, quando a escola entra na avenida, eles estão lá, mexendo com o pé e balançando as cadeiras”, brinca. 

A aposentada Leidir Dionísio, 78 anos, vice-presidente da Porto da Pedra, desfila há 30 anos pela escola. Já foi baiana e presidente de ala. Há 10 anos na velha guarda, gosta de contar sobre os preparativos para o carnaval. 

“Amo a minha ala atual, nossa presidente é nota mil e os componentes também. Fazemos o possível para agradar, temos os ensaios, os ensaios de rua, às quartas, temos nossa reunião para entrosar e, agora, estamos saindo para conferir o figurino. Estamos animados e esperamos trazer o troféu para a nossa escola!”, explica.

A história da velha guarda, mesmo de escolas de samba diferentes, trazem algo em comum: seus componentes têm história com o carnaval e chegaram a desfilar por diversas agremiações.  

“A Porto da Pedra é tudo para mim: amor, paixão. Pretendo terminar meus anos aqui dentro”, conta Leidir, muito emocionada.

A aposentada Heimacy Gomes Machado, 80 anos, presidente da Velha Guarda da Porto da Pedra, compartilha da mesma emoção.

“Quando entramos na avenida, nunca mais deixamos de desfilar. É uma emoção. Lembramos também dos amigos que já se foram. É um momento único”, analisa. 

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