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Um dom precioso

Conheça profissionais que têm na voz seu instrumento de trabalho e seus cuidados

A cantora lírica e professora de técnicas vocais Luciana Lazulli considera o cantor lírico um atleta da voz.

Foto: Lucas Benevides

Cantores, atores, professores, advogados, repórteres, radialistas, operadores de telemarketing, dubladores, vendedores... A lista de profissões que necessitam de voz é extensa e esses profissionais inclusive ganharam uma data para representá-los: dia 16 de abril, o Dia Mundial da Voz. Desde 2008, com a Lei nº 11.704, também ficou instituído, nesta mesma data, o Dia Nacional da Voz. O objetivo é conscientizar a população brasileira sobre a importância dos cuidados vocais.

Para a mestre em fonoaudiologia e psicomotricidade Clície Gouveia, são esses profissionais que mais devem se preocupar e monitorar anualmente sua voz com um médico e um fonoaudiólogo. Segundo ela, para mantê-la sempre saudável, é necessário tomar alguns cuidados. Hidratar-se pode deixar a laringe mais lubrificada, o que resulta em um menor esforço à fonação. O refluxo gastroesofágico – a subida do suco gástrico para a laringe e a faringe –, quando ocorre, pode desencadear rouquidão, pigarro, tosse seca e dor de garganta, por isso é importante conservar um regime alimentar balanceado. 

“É preciso aprender a não competir a fala com o ruído ambiental e controlar o volume vocal sem gritar. O uso do ar-condicionado é outro causador de problemas, já que o aparelho muda a temperatura e a umidade do ambiente, ressecando e modificando a maneira como as pregas vocais vibram”, completa.

Radialista na Rádio Fluminense AM, Cristian Ferraz, 44, é comunicador e fala de forma  simples e coloquial.

“Como cuidado, evito alimentos gelados e faço relaxamento e vocalização eventualmente. Faço tratamento contra alergia e rinite com um otorrinolaringologista e peço uma maior atenção dos profissionais às minhas cordas vocais, pois, há cerca de 10 anos, tive um pequeno cisto já tratado”, recorda-se.

Luciana Lazulli, 42, tem uma agenda de aulas movimentada como professora de técnica vocal no Conservatório do Estado do Rio de Janeiro. Cantora lírica, se cuida, mas revela que não tem muitas “paranoias”: mantém uma alimentação equilibrada e leve, bebe bastante água e respeita suas preciosas horas de descanso. 

“O equilíbrio emocional também é importante, pois são registradas muitas perdas de material vocal em consequência do excesso de tensão e estresse. Na adolescência, desenvolvi uma fenda nas cordas vocais por não fazer exercícios regulares e só detectei o problema depois que percebi uma perda de rendimento aos 19 anos. O cantor lírico é um atleta da voz e, por isso, é exigida muita disciplina para conquistar nitidez, segurança e fluidez no som”, revela.

Ator desde criança, Patrick de Oliveira, 35, se tornou dublador e, hoje, também comanda a equipe de um programa de TV fazendo locuções. Para isso, se controla para não se desgastar e evita gritar.

“Na dublagem, na grande maioria das vezes, usamos a nossa própria voz, porém, quando é necessário mudar, o importante é achar uma entonação que fique confortável para as cordas vocais e, assim, evitar problemas”, ensina.

Marcos Silva, 32, usa a sua voz para se comunicar com clientes. Locutor em uma loja de roupas populares, passa o dia com o microfone em punhos e a voz solta. 

“Quando estou trabalhando, falo no microfone da mesma forma que converso com alguém, assim não me desgasto, nem fico rouco. Costumo comer maçã para limpar a garganta e evito beber água gelada. Estudei muito sobre o assunto e também fiz cursos para aprender a me comunicar”, conta.

Diretor e professor da Universidade Candido Mendes, José Carlos Oliveira, 51, já teve problemas na voz devido ao esforço de dar aulas. Músico quando mais novo, costumava usar algumas técnicas para se poupar e apresentar uma voz bonita. Hoje precisa lidar com aspectos emocionais, psicológicos, clima/temperatura do lugar e o tipo de turma que encontra, muitas vezes tendo que falar por mais de duas horas.

“Para não me desgastar, uso uma ‘caixinha’ de som com microfone. Assim, evito que, no final do dia, fique sem voz. Além disso, fazer uso de álcool, principalmente o destilado, café e cigarro são prejudiciais e devem ser evitados. O importante é estar sempre com água, nunca gelada, e se manter hidratado. Finais de semana também são bons para deixar a voz descansar”, comenta. 

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