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Um mal pouco falado

Obesidade e articulações

O sobrepeso aumenta a pressão sobre as articulações, o que pode ocasionar lesões

Divulgação

Por Carolina Ribeiro

Obesidade não é uma escolha, mas sim uma condição de vida, e é quase sempre causada por alimentação excessiva, falta de atividade física e até pela genética. No Brasil, essa doença vem crescendo cada vez mais. A Pesquisa Nacional de Saúde 2013, realizada pelo IBGE e o Ministério da Saúde, aponta que quase 60% dos brasileiros estão acima do peso. Sempre que o assunto da obesidade é abordado, diversos problemas de saúde acabam sendo citados, mas os de locomoção nem sempre. Deixar de se locomover de forma independente e sentir fortes dores são uma das consequência da obesidade que merecem ser debatidas.

Marcos Giordano, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia do Rio de Janeiro (SBOTRJ), explica que as articulações são uniões entre dois ou mais ossos com diferentes tecidos de interposição entre eles e com graus de mobilidade variáveis.

“As mais importantes são as sinoviais, pois são as que efetivamente geram movimento. Elas incluem os ombros, quadris e joelhos, mas em todos os segmentos corporais temos junturas fundamentais para o desempenho das nossas funções cotidianas”, enumera o médico, que comenta, ainda, que os principais problemas articulares podem ser divididos em traumáticos, inflamatórios/infecciosos e degenerativos.

“Traumáticos são relacionados a algum trauma ou acidente; inflamatórios são decorrentes de doenças que envolvem as articulações, como os reumatismos; e as infecciosas, quando algum agente microbiano invade uma articulação e desencadeia uma infecção. Os degenerativos estão relacionados ao desgaste da cartilagem, normalmente por fatores mecânicos”, explica o médico, que ressalta que as articulações apresentam limites para suportar forças ou pressões em níveis fisiológicos. 

“Em um organismo obeso, quando as articulações têm de suportar forças e pressões muito maiores do que o ideal e o esperado, há maior predisposição às lesões, podendo chegar à artrose”, pontua.

Qualquer atividade que envolva impactos constantes ao solo, no caso das articulações dos membros inferiores e da coluna vertebral, agachamentos e outros movimentos que envolvam posições extremas, podem prejudicar as articulações de uma pessoa obesa.

A fisioterapeuta osteopata Cristiana Monteiro de Carvalho explica que a melhor maneira de prevenir esses problemas é controlando o peso e a alimentação.

“Manter uma postura adequada, exames de rotina em dia e fazer exercícios físicos é essencial. Mas cuidado com os de grande impacto, como corridas e saltos, eles podem ser prejudiciais nesse caso. O ideal é procurar um profissional adequado para ajudar na perda de peso, podendo, assim, praticar sem riscos as atividades físicas em geral”, alerta Cristiana, ressaltando que essas atividades também são muito importantes para o emagrecimento e por manter em contato todos os ossos para a perfeita função e movimento de cada segmento.

“As dores são características e fáceis de identificar o problema. Elas envolvem uma sensação de desconforto, inflamação, queimação ou rigidez, podendo causar também limitações de movimentos. Os tratamentos são bem específicos, algumas necessitam de medicamentos, outros, apenas de um fortalecimento adequado e estabilização articular, analgesia e acompanhamento médico”. 

A fisioterapeuta comenta que a obesidade gera um aumento de estresse mecânico nas articulações devido ao sobrepeso, podendo gerar, também, desgastes e inflamações articulares.

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