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Um museu diferente

Professor da UFF cria projeto que irá estudar e catalogar ‘memes’

Viktor Chagas e o museu virtual, que conta também com a produção dos estudantes

Foto: Lucas Benevides

Quem não riu ao ver a hashtag “cala a boca, Galvão” e toda a repercussão na imprensa internacional durante a Copa do Mundo de 2010, ou se divertiu ao ver fotos daquele gatinho com cara de bravo e com dizeres nada simpáticos? Esses e muitos outros são exemplos de “memes”. E com a rápida propagação deste fenômeno nas redes sociais, estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano, embora nem sempre saibamos estar diante de um. Para entender melhor este assunto, o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Viktor Chagas, criou com os alunos do curso de Estudos de Mídia, o Museu de Memes. O projeto é pioneiro no país. 

“De fato, somos o primeiro grupo do Brasil a catalogar, estudar e pesquisar o universo dos memes. Teses, dissertações, trabalhos, tudo está catalogado”, diz Chagas, ressaltando que a ideia surgiu de uma conversa com seus alunos, em 2011. “Alguns estudantes pediram a minha orientação para trabalhos de conclusão de curso sobre memes e conforme a coisa foi avançando, fomos verificando que quase não se encontrava literatura a respeito. Em 2012, criamos o Memeclube, nosso braço presencial. Ele funciona como uma espécie de cineclube, os alunos produzem sobre um determinado assunto, apresentam e depois discutimos sobre o que acabamos de ver”, completa.

O professor lembra, ainda, que a participação não é restrita apenas aos alunos da UFF. “Nossos encontros acontecem duas vezes por semestre, seguindo uma temática pré-estabelecida. Divulgamos por meio das redes sociais e qualquer pessoa que se interessar pode aparecer e participar das discussões”, explica.

Viktor conta que o Memeclube reúne estudantes de diversas áreas. “Temos desde alunos da graduação até pós-graduandos. E não só da UFF. Uma das nossas participantes mais ativas é uma aluna da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)”, diz.

O museu, inaugurado recentemente, é o novo “integrante” do projeto. “Foram 12 mil visitas ao site nos primeiros três dias. É muita coisa. Esse braço virtual do nosso projeto tem várias vertentes. Logicamente, a que mais agrada é o acervo dos memes. É o que mais salta aos olhos dos visitantes. Mas não queremos parar por aqui, pensamos em expandir para fora da universidade, de forma mais física. Talvez, participando de exposições. O museu é o primeiro passo”, completa o professor.

Para Viktor, uma das partes mais importantes da empreitada é a reunião de artigos, pesquisas e literatura, mesmo que em língua estrangeira, sobre o tema. “Apesar de ter o seu viés lúdico, o museu tem um lado de pesquisa acadêmica muito forte. A literatura, os artigos, as entrevistas, tudo está disponível no museu virtual”, afirma. “Queremos ser referência para quem quiser pesquisar os memes, ou simplesmente tem curiosidade sobre o tema”, enfatiza, lembrando que o acervo do museu conta com produção dos próprios alunos.

E o que seria meme, afinal? Viktor explica: “O termo meme é anterior à internet. Foi criado na década de 70, pelo biólogo Richard Dawkins. Hoje, uma maneira mais simples de definir é que o meme é uma criação coletiva. E só assim faz sentido. É diferente de viral por conta disso. Viral é uma unidade que estoura e se torna conhecida (como o vídeo ‘Gangnam Style’, do cantor Psy). Já o meme é quando as pessoas se reapropriam ou resignificam essa unidade. Quando várias pessoas fizeram vídeos replicando a dancinha do cantor, se reapropriando da unidade original, o meme aconteceu”. 

 
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