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Universo Particular

Por Ralph Lichotti e convidados

No submundo da internet

Observe este desenho simulando um iceberg. O que está facilmente ao alcance dos olhos, na parte acima da água, é a menor parte do iceberg, pois a maior parte está abaixo do nível do mar, nas profundezas do oceano. O mesmo ocorre no mundo da internet, onde aproximadamente, apenas 4%, em média, é passível de ser acessado e está “facilmente ao alcance dos olhos”, através de acesso a sites de buscas de uso comum, como o Google. Mas o que corresponderia aos outros 96% de informações na internet e onde estão? Estão no submundo da internet, nas chamadas deep web e dark web. 

Acessamos a internet todos os dias, mas não dominamos todas as partes dela, costumamos ingressar apenas naqueles 4% ditos acima, que também podem ser chamados de superfície da web. Ao verifi car o e-mail, redes sociais e fazer compras on-line, você está usando esta “superfície” – surface – da web, ou seja, sites são indexados pelos motores de busca, que só podem acessar um percentual ínfi mo da internet. O restante é conhecido como deep web e, dentro desta, há a dark web – ou dark net. Embora muitas vezes confundidos, são conceitos diferentes.

A deep web é uma parte da Internet que não é indexada pelos motores de busca, o que signifi ca que se você quiser acessar esses sites, você deve ir diretamente a eles em vez de pesquisar.

A deep web é enorme, precisamente porque o conteúdo da internet é muito grande para os motores de busca cobrirem tudo, e embora este conteúdo seja, de alguma forma, “secreto”, não é totalmente ruim. Há sites que servem para denunciar casos de violência doméstica, opressão do governo, queixas anônimas e privadas, entre outras questões. Ela também é usada pelos governos para operações secretas do FBI, empresas e grandes corporações.

Já a dark web é uma parte não indexada e restrita da deep web. Para acessar, é necessário um software e autenticação. Esta parte da web é realmente mais escondida e possui um enorme mercado ilegal: drogas, pornografia infantil, venda de órgãos humanos e tortura. Lá você pode contratar hackers e até mesmo autores de crimes de homicídio. Inclusive, no mês passado, fomos acometidos por dois episódios que despertaram o interesse da sociedade para este submundo da internet. Um, ocorrido no Brasil, numa escola de São Paulo, e o outro em duas mesquitas da Nova Zelândia. Em ambos os casos, os tiroteios chamaram mais uma vez a atenção para a deep web. Mas você sabe como ela funciona?

Deep web é uma rede de sites que surgiu com o propósito de transitar informações com total liberdade e privacidade – o que é praticamente impossível nos mares que a gente está acostumado a navegar na internet tradicional. Para mergulhar e sair da superfície, o usuário precisa de ferramentas específicas para acessar e também encontrar essas páginas…

Privacidade e anonimato, pilares que defi nem a deep web, podem ser usados tanto para o bem quanto para o mal. Infelizmente, a maioria das pessoas só ouviu falar sobre o lado negro da deep web – hoje, inclusive, chamado de dark web; a internet obscura! E é verdade, tem mesmo muita coisa ruim lá (e fácil de encontrar). Graças ao anonimato, criminosos aproveitam a rede para vender drogas, trafi car armas e até pessoas, oferecer assassinos de aluguel – o negócio é feio e pesado.

Ciente da existência desse submundo virtual, autoridades e polícias do mundo inteiro também estão na deep web para investigar… a velha história do gato atrás do rato! O anonimato realmente existe na deep web, mas tudo depende de como o acesso for feito; hoje já existe muita tecnologia para caçar esses criminosos nos pontos mais escuros e sombrios da internet… rastrear um crime é difícil, mas nem sempre impossível.

Por hora, lembre-se que toda moeda tem dois lados, bem como a internet, e se você não conhece o lado obscuro, espero que por mera curiosidade não tente conhecê-lo sem preparo ou informações necessárias. Basta saber que ele existe e que, por questões de zelo e preservação própria e de quem estiver a seu redor, não deve ser utilizado a priori, principalmente se fazendo valer a máxima popular: “não mexa com aquilo que não conhece, pois é perigoso!”.

Bom domingo a todos.

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