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Verdadeiras equilibristas

Diante dos afazeres do dia a dia, mães fazem uso da disciplina, criatividade e até da tecnologia para darem conta da família, do trabalho e da vida social

Carolina Assad usa e abusa da agenda do celular para pautar os compromissos de família e do trabalho

Divulgação: Sheila Frias

Dar conta da rotina de casa, das necessidades do filhos, das demandas e preocupações da profissão e ainda arrumar tempo para cuidar de si e ir em busca de aprimoramentos e cursos não é tarefa fácil, parece cansativo só de falar. Apesar disso, são ações que as mães parecem estar mais do que habituadas, mesmo não levando o mérito por isso. Mães criativas se viram nos trinta para dar conta de tudo, se organizam com amor e dedicação aos filhos sem abandonar seus sonhos. Elas não precisam abdicar da própria vida, simplesmente encontram saída para viver em equilíbrio com a maternidade. 

A historiadora, tatuadora e body piercer Danielle Salgueiro, de 41 anos, é mãe de João (21) e Flora (9), além de ser dona de um estúdio de tatuagem em Niterói. Contando com a ajuda da mãe e do próprio João no cuidado com Flora, o movimento na casa começa desde cedo. 

“Ele sempre me ajudou com a criação da Flora. Antes de ir para escola, por exemplo, o João deixava a mamadeira dela pronta na mesa da minha cabeceira, para quando ela acordasse. Trocava fraldas. Temos uma relação de amizade, companheirismo e sinceridade. Conversamos sobre política, religião e sexualidade abertamente”, afirma a historiadora. 

A caçula tinha crises de asma terríveis e, em uma delas, os pulmões se fecharam. Foi o tempo de chegarem ao hospital para ela tomar adrenalina e sobreviver. Depois disso, tiveram que mudar toda a rotina por conta dos medicamentos de Flora e das nebulizações. Essas temperanças fazem parte da vida e da criação dos filhos, nunca se sabe o que vai acontecer, mas, com amor, é possível praticamente fazer o impossível.

“Estamos juntos o tempo todo, sobretudo no jantar. Antes de dormir, nos sentamos para ver animes (desenhos japoneses) e conversar. O mais importante para mim é saber que estou criando pessoas ‘humanas’, críticas, politizadas, empáticas, sem nenhum tipo de preconceito e livres para serem quem são de verdade. Acho que ser ‘mãe criativa’ é conseguir se reinventar a todo o momento, saber ouvir e tentar entender o lugar do outro e como ele se sente, para, juntos, achar uma solução para as diversas situações que surgem”, argumenta.

Danielle Salgueiro conta com o filho João para ajudar a cuidar da caçula, Flora

Foto: Lucas Benevides

A mãe apaixonada por tatuagens e que não abre mão da vida ao lado dos filhos não tem como hábito organizar a rotina no papel, nem com os famosos aplicativos, mas acredita que o segredo seja entender que tudo pode ser associado, que as atividades são complementares e que fazemos parte de um todo em equilíbrio.

“Posso cuidar do corpo e da alimentação como hobby, e compartilhar o conhecimento e os estudos com prazer. Tudo sem abrir mão da companhia dos meus filhos. Aprendi a amar um pedaço meu que está fora do meu corpo e que não pertence a mim, mas que está ao meu lado pra aprender e me ensinar”, acrescenta Danielle. 

Já a empresária Carolina Assad, de 42 anos, dona de uma loja de festas infantis, usa e abusa da agenda do celular, onde mantém todos os compromissos anotados, com horários de início e fim, para não se perder. Entretanto, adoraria ter tempo para organizar tudo no papel. 

“Não tem segredo: é simplesmente lembrar que você é outras coisas além de mãe. Digo que a vida da mulher moderna é muito sacrificante, pois não nos basta mais ter sucesso em uma das áreas da vida. A mulher em geral é um ser tão perfeccionista que só consegue ser plenamente feliz se tiver filhos lindos e educados, um marido atencioso e sempre disposto, cabelos e unhas em ordem, corpo dentro dos padrões, casa limpa e organizada e um trabalho que lhe satisfaça! Fora a vida social! Não é mole não, é como se vivêssemos andando na corda bamba, com vento forte por todos os lados! Mas a gente consegue... quase tudo”, comenta, bem-humorada. 

Entre os aprendizados da maternidade, Carolina deixa no topo a máxima: “Não existe perfeição”, que tenta aceitar e aplicar no dia a dia. A empresária assume que vive em função da felicidade dos filhos. Que vê-los satisfeitos, bem alimentados, com boas notas e lindos, a faz sentir que sua vida está em ordem e que mantém o controle. Entretanto, ela lembra que basta um item desses sair dos eixos para ficar “louca”.

E é nesses momentos que elas aprendem a ser “mães criativas”, usando o que têm a nosso dispor para reequilibrar a vida deles e, consequentemente, garantir um pouco de paz interior.

“Procuro fazer meu melhor, mas sempre dentro dos meus limites, do contrário, a rotina fica extenuante e a insatisfação é garantida. Então, hoje, no auge dos meus quarenta e poucos anos, procuro equilibrar todas as minhas facetas – mãe, mulher, filha, irmã, dinda, empresária, dona de casa, empregadora –, sem me cobrar tanto pelo que não consigo fazer com a excelência que gostaria”, pondera. 

A coach organizacional especialista em gestão de negócios e desenvolvimento profissional Priscilla Caminha explica o quão importante é criar tempo para organizar o próprio tempo. Segundo ela, a organização é primordial para qualquer pessoa que deseja ter uma vida mais produtiva, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional.
“A organização é um processo diário, que envolve mudanças de hábitos. Mas não basta ter uma agenda com uma monte de tarefas anotadas. Você precisa ter tarefas, sim, mas tem que saber priorizar, dar importância ao que é realmente importante, ter disciplina, motivação, dedicação, flexibilidade para se ajustar diante dos imprevistos. Entender suas prioridades, estabelecer horários, saber dizer não quando necessário vencer seus desperdiçadores de tempo (televisão, WhatsApp, redes sociais...)”, explica Priscilla. 

 

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