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Doença causada pelo piolho afeta 2 milhões a cada ano

Por professor Aderbal Sabrá e professora Selma Sabrá, especial para O FLUMINENSE

A melhor forma de combater os piolhos é através do uso diário do pente-fino, que deve ser usado da base até o final dos fios do cabelo

Arquivo/Agência Brasil

Há pelo menos 10 mil anos, a doença causada pelo piolho infecta as populações humanas, com relato até na Bíblia. Atinge cerca de 2 milhões de pessoas a cada ano.

O retorno do período escolar deixa sempre uma grande maioria de mães em alerta, por conta desse problema tão comum entre as crianças na faixa etária escolar, que é o piolho. Devemos lembrar que esta doença pode acometer também os adultos. 

A pediculose é considerada uma doença parasitária causada por piolhos, que são pequenos insetos sem asas que se alimentam de sangue e que vivem e se reproduzem na superfície da pele e dos pelos. Podemos observar a presença de lêndeas ou piolhos no couro cabeludo. As lêndeas são os ovos dos piolhos, podendo ser visualizadas mais facilmente que os piolhos, e são aqueles pontinhos brancos bem-aderidos aos fios dos cabelos. Quando observamos o piolho caminhando pelo couro cabeludo, que são aqueles insetos pretinhos, costumamos observar um intenso prurido (coceira) na cabeça, que é a pediculose mais comum entre nós. Existem três tipos de piolho que parasitam o homem: o piolho da cabeça (Pediculus humanus capitis), o do corpo (Pediculus humanus corporis ), popularmente chamado de “muquirana”, e o da região pubiana (Phthirus pubis), conhecido como “chato”. 

A pediculose da cabeça é a infestação dos cabelos causada pelo parasita Pediculus humanus. A via de transmissão ocorre principalmente pelo contato direto, principalmente entre as crianças, e também pelo uso de escovas de cabelo, pentes, chapéus, bonés, ou mesmo roupas de pessoas contaminadas com esta parasitose.

A fêmea do piolho deposita seus ovos, as lêndeas, que aderem aos fios de cabelo, como se tivessem uma cola. Em média de sete a dez dias depois, estes ovos liberam as ninfas – que caracterizam o estágio do piolho logo que ele sai do ovo. Em torno de 9 a 12 dias após, essas ninfas chegam à fase adulta. Geralmente, os piolhos vivem cerca de 30 dias, e, ao se acasalarem, reiniciam o ciclo. A fêmea é capaz de produzir, em média, cerca de 150 a 300 ovos. Sabe-se que a temperatura mais alta é um fator importante para a proliferação dos piolhos. Por isso, há maior incidência da proliferação dos piolhos no verão. 

 

Fiocruz

Sintomas:

O sintoma principal é o prurido intenso (coceira), principalmente nas regiões retroauriculares (atrás da orelha) e na região occipital, na parte de trás da cabeça próximo à nuca. A coceira costuma ser tão intensa, que pode provocar pequenos ferimentos no couro cabeludo, nestas regiões, onde podemos observar também a presença de ínguas, que correspondem aos gânglios satélites nestas, localizadas atrás da orelha e nuca, decorrente de uma reação inflamatória secundaria à presença do piolho. Devemos ter atenção pelo risco de infecção secundaria nos locais de escoriação, devido à intensa coceira. 

 

 

Tratamento da pediculose 

Roupas e utensílios pessoais devem ser lavados com água quente, secados em máquinas de secar roupas nas altas configurações de calor e passar roupas com ferro quente.

Lavar o cabelo com xampus próprios para tratamento e usar um creme para facilitar a retirada dos piolhos e lêndeas. A melhor forma de combater os piolhos é através do uso diário do pente-fino, que deve ser usado da base até o final dos fios do cabelo. Pode ser utilizado um creme de pentear para facilitar a passagem do pente. Para facilitar a retirada da lêndea, recomenda-se que se utilize uma mistura de água com vinagre, na mesma proporção, passando com um pedaço de algodão molhado da raiz até as pontas. Essa é uma receita caseira segura, que pode ser usada, sem trazer riscos à saúde.

Pentear o cabelo molhado com pente-fino e fazer uma limpeza do pente-fino antes e depois de cada uso.
Medicação oral (ivermectina).

É fundamental o tratamento dos familiares ou comunicantes e avisar na escola, creche ou às outras pessoas para que todos possam tratar de forma eficaz, evitando assim a perpetuação da pediculose.

O tratamento medicamentoso da pediculose da cabeça consiste na aplicação local de medicamentos específicos para o combate aos parasitas através de xampus ou loções. 

Temos também o tratamento por via oral, em comprimidos, cuja dose varia de acordo com o peso da criança ou adulto acometido.

Devemos sempre repetir os tratamentos após 7 dias. Em alguns casos de difícil resolução, poderá ser necessária a associação dos tratamentos sistêmico e local.

Cuidados

Não deve ser utilizado produto nenhum sem recomendação médica. O uso de tinturas de cabelo e de inseticidas não eliminam as lêndeas, e este tipo de material contém substâncias tóxicas que podem provocar lesões e infecções no couro cabeludo, sendo contraindicado na criança. O uso de plantas, ou outros tratamentos naturais, pode gerar alergias e também não é recomendado. 

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