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Excesso de pele se torna drama para pacientes após cirurgia bariátrica

Pele tem funções importantes como térmica, de defesa orgânica e proteção e é vital para a sobrevivência do corpo humano

É muito comum casos de pessoas que, ao passarem por processos de grande perda de peso, seja através da cirurgia bariátrica ou por outro motivo, acumulem muita quantidade de pele na barriga, braços e em outras áreas do corpo. E, ao contrário do que se pensa, este problema não é meramente estético. Correspondente a 16% do peso corporal, a pele tem funções importantes como térmica, de defesa orgânica e proteção e é vital para a sobrevivência do corpo humano.

No caso das cirurgias bariátricas, onde se chega a perder de 40 a 50% do peso, a cirurgia reconstrutora, muitas vezes até chamada de higiênica, é essencial para se reestabelecer a qualidade de vida e terminar um longo processo que se inicia na gastroplastia.

Segundo o cirurgião plástico Victor Varela, Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica-RJ e especializado em cirurgias pós-bariátricas, a correção das deformidades geradas pelo grande emagrecimento, através da retirada do excesso de pele e remodelamento corporal, eleva a autoestima e proporciona qualidade de vida ao paciente. “Hoje em dia, o bem estar é cada vez mais importante. Todos querem não só viver mais, mais viver bem e, nesse sentindo, a cirurgia plástica pós-bariátrica é um grande aliado na busca por esse objetivo”, afirma Varela.

O caso da administradora de empresas, a carioca Camila Holanda, 29 anos, hoje com 67kg, confirma esta afirmativa.  Chegando a pesar 130 kg, ela decidiu, há um ano e meio, se submeter a cirurgia bariátrica e após emagrecer 63k e atingir sua meta  começou o processo reparador. “Depois da bariátrica, eu estava completamente consciente que chegaria esta fase e quando alcancei a meta de perda de peso médica e pessoal, fiz às cirurgias reparadoras: Abdominoplasta 360 graus e Mastopexia com prótese de 400ml. Hoje estou feliz com meu corpo, sem peles caindo e podendo usar um biquíni. Cada cicatriz vale a pena. Para a mulher ter o corpo como sempre sonhou, eleva muito a autoestima”, diz Camila.

Atualmente, quem olha para ela com 63kg a menos, nem imagina toda a batalha pela qual passa uma pessoa que decide se submeter a uma cirurgia bariátrica e posteriormente as plásticas reconstrutoras. No período pré-operatório, além de fazer dieta, o paciente deve se submeter a uma bateria de exames e fazer acompanhamento com profissionais como psiquiatra, psicólogo e nutricionista. Após o procedimento, a vida não fica mais fácil. Nos primeiros dias, o paciente pode ter de ingerir somente líquido e a dieta daí em diante pode restringir diversos tipos de alimentos. Nesta nova etapa, com tantas mudanças na rotina, lidar com as mudanças do corpo não é uma tarefa fácil.

“Antes da bariátrica lembro que toda semana estava internada na emergência com a pressão alta e era angustiante pra mim. Eu já fazia uso de medicamentos todos os dias para fazer o controle. Um dia o médico me disse ou você emagrece ou você morre isto me marcou muito”, relembra a administradora, acrescentando que hoje a vida é completamente diferente. “A cirurgia bariátrica melhorou muito minha saúde, mas a cirurgia plástica mudou completamente minha vida, não só esteticamente, mas como me vejo agora, de bem comigo mesma, feliz e realizada”.

A cirurgia para tratamento da obesidade vem sendo realizada há cerca de 17 anos no Brasil. Depois de grande perda de peso vem os questionamentos sobre a cirurgia de remodelamento corporal. Os problemas com os pacientes nesta fase começam com os prejuízos à postura e equilíbrio causados pelo excesso de pele. “Depois, podemos citar os problemas de integração social e de relacionamento sexual. Acentuam-se os incômodos causados pelas dermatites localizadas nas dobras da pele” explica a cirurgiã plástica Daniella Varela, membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, responsável pela cirurgia de Camila Holanda e voltada quase que exclusivamente para pacientes bariátricos.  A médica destaca  que é preciso observar, cuidadosamente, o paciente antes da realização da cirurgia plástica. “Geralmente pacientes que foram assistidos por uma equipe multidisciplinar estão melhores preparados para a etapa da plástica” diz Daniella.

 Roberta Santos da Cruz sempre foi uma pessoa acima do peso, porém em outubro de 2014 chegou ao limite. Operou com 120 kg. As atividades mais simples eram difíceis para mim. Não fazia minha unha do pé, não me levantava sem apoio, não corria, tinha vergonha de ficar presa na roleta do ônibus, evitava sentar no canto para não ocupar todo o espaço”, diz a moça relembrando um episódio infeliz pelo qual passou no trabalho. “Uma vez passei mal no trabalho e, ao ser socorrida pelo bombeiro, fui colocada em uma cadeira de rodas e na hora em que o táxi chegou, fiquei entalada na cadeira” conta.

Após perder 45kg, Roberta encontrou na cirurgia plástica uma solução para a mudança que tanto desejava. “Depois da bariátrica fiquei me achando mais feia que antes, morria de vergonha do marido, coisa que não sentia quando era gorda. O peito era uma derrota total. Mas hoje, com 65kg, tenho plena noção de que as plásticas de seios e a abdominoplastia 360 mudaram a minha vida”, releva Roberta.

Muito além da Estética - Apesar de ser possível encontrar diversos aspectos de satisfação pós-bariátrica ao ver que houve uma mudança substancial e grande perda de peso, o excesso de pele também pode se tornar um problema ao desencadear uma série de doenças como dermatites, infecções e até mesmo assaduras. 

De acordo com Victor Varela, a depressão também pode ser desenvolvida nessa fase. “A cirurgia plástica se apresenta com um aliado na devolução da qualidade de vida aos pacientes que já passaram por tantos problemas com o sobrepeso”, conta o especialista.

E entre as intervenções mais procuradas por quem faz a bariátrica encontra-se em primeiro lugar a abdominoplastia. “Em seguida está a mamoplastia, com ou sem o uso de próteses de silicone e a correção da flacidez nos membros superiores e inferiores”, afirma o cirurgião. 

Procedimentos associados - Quando o procedimento é realizado em uma área menor, pode existir a possibilidade de fazer duas correções de uma vez só como, por exemplo, mama e braço. “Elas são associadas, pois estão no mesmo segmento corporal e apresentam uma recuperação parecida. A única exceção fica a cargo da abdominoplastia”, finaliza Daniella Varela.

 

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