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Expectativa de vida do brasileiro e as principais causas de morte

Por professor Aderbal Sabrá e professora Selma Sabrá, especial para O FLUMINENSE

 

 

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que a expectativa de vida do brasileiro vem subindo no decorrer dos últimos cinco anos, em ambos os sexos, dados estes baseados em projeções demográficas, que fazem uma análise da população em geral. 

As principais mudanças no perfil epidemiológico das doenças que acometem os brasileiros, com previsão para 2033, com base nos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema Nacional de Agravos de Notificação, apresentam estimativas de que as doenças do aparelho circulatório permanecerão como a principal causa de morte, seguidas do câncer, que continuarão aumentando, uma vez que está ocorrendo o envelhecimento crescente da população. 

Em decorrência disso, várias doenças como o Alzheimer e outras doenças causarão impacto ao sistema de saúde. Será necessário traçar metas e estratégias de atenção especial capazes de atender a esta demanda diferenciada, fora do ambiente hospitalar tradicional, que envolva o atendimento domiciliar e os cuidados pelos agentes comunitários ou pelos agentes dos planos de saúde.

Se por um lado aumenta a expectativa de vida, é triste saber que muitas mortes poderiam ser evitadas, mas ainda continuam sendo negligenciadas. 

As mortes são causadas por diferentes fatores, e não existe entre nós um padrão por localidade ou faixa etária. De acordo com trabalhos publicados pelo Ministério da Saúde, as principais causas de morte são as doenças não transmissíveis, liderando as doenças cardiovasculares, os diversos tipos de câncer, diabetes, doenças respiratórias e do aparelho digestivo. A meta brasileira é reduzir em 30% até 2030 a mortalidade prematura causada por estas doenças.

DOENÇAS, ACIDENTES E VIOLÊNCIA NO RANKING

AVC
A doença do sistema circulatório responsável pelo maior número de óbitos é o acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame. O AVC ocorre quando o fluxo de sangue que vai para o cérebro é reduzido ou interrompido, privando as células de nutrientes e oxigênio (AVC isquêmico), ou quando um vaso sanguíneo se rompe, ocorrendo, assim, hemorragia cerebral (ACV hemorrágico). 

Trata-se de uma doença grave, mas com possibilidade de prevenção: controle da pressão arterial, adoção do hábito de realizar exercícios físicos, ter uma dieta saudável, não fumar e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas. 

No Brasil, o AVC é uma das principais causas de morte e a principal causa de incapacidade física temporária ou definitiva. Em 2015, mais de 100 mil pessoas morreram por conta desta doença.

Infarto
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o infarto agudo do miocárdio (conhecido popularmente como ataque cardíaco) é a causa de mais de 15 milhões de mortes no mundo. Em nosso país, morrem quase cem mil brasileiros por ano por ataque cardíaco. 

O infarto ocorre quando os vasos sanguíneos que levam o fluxo de sangue para todas as partes do coração sofrem uma obstrução. Aquele local do coração que fica sem circulação sanguínea entra em sofrimento por falta de oxigenação. Com isso, as células do músculo cardíaco sofrem e aparecem os sintomas do infarto agudo do miocárdio. A principal causa dos infartos ocorre por entupimento dos vasos do coração por placas de gordura. Para evitar esses ataques cardíacos, deve-se evitar a obesidade, o fumo, a hipertensão arterial e a vida sem exercícios. Estes cuidados têm que ser redobrados, sobretudo se tiver história familiar de infarto. O infarto do miocárdio pode ser fatal, mas se diagnosticado e tratado de imediato, é possível sua recuperação total, evitando-se assim os danos cardíacos irreparáveis. Se você se enquadra dentro deste perfil, procure seu médico e conte a ele sua história. Ele saberá o que fazer para te orientar.

Pneumonia
Dentre as doenças respiratórias, a pneumonia é a que mais mata. A pneumonia muitas vezes se apresenta com seus sintomas clássicos, como febre alta, cansaço constante, ruído característico nos pulmões, e tosse. Quanto mais rápido o diagnóstico, mais rápida a recuperação. Se o diagnóstico e tratamento não ocorrerem a tempo, podem se danificar os pulmões, e levar à morte. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, anualmente no Brasil são registrados cerca de 900 mil casos de pneumonia.

Câncer
O câncer é a segunda doença que mais mata no Brasil. Sabe-se que alguns fatores genéticos estão implicados no surgimento de câncer, bem como o estilo de vida, a alimentação, o sedentarismo, o uso do álcool e do fumo. No Brasil, o número de fatalidades por conta do câncer aumentou mais de 30% em 15 anos. Entre os tumores, os maiores responsáveis por mortes são o câncer no sistema respiratório (pulmões, traqueia e brônquios), o câncer dos intestinos, o câncer de mama nas mulheres e o câncer da próstata nos homens, alem do câncer de pele. No mundo, o câncer é o responsável pela morte de uma em cada seis pessoas.

A principal causa de geração de câncer dos pulmões segue sendo o fumo. Sabendo-se que este é seu fator de risco principal, devemos evitar o fumo. 

Quanto ao câncer dos intestinos, temos que evitar a prisão de ventre crônica e saber da existência de pólipos intestinais ou outros casos de câncer dos intestinos na família. Se existem estes fatores de risco, devemos procurar nosso médico antes de completarmos 50 anos. Quanto ao câncer de mama, devemos saber da existência de outros casos na família. Se existem outros casos, devemos procurar o médico a partir dos 40 anos, e iniciar a busca preventiva com exames periódicos da mama: exame clínico com busca de nódulos palpáveis, ultrassonografia e mamografia. Se não temos estes dados de outros casos na família, aos 50 anos iniciamos sua busca preventiva. Estas regras podem salvar vidas.

Quanto ao câncer de próstata nos homens, também devemos saber se existem outros casos na família. Caso tenha relato positivo, devemos procurar o médico e pedir seu conselho sobre consulta oportuna de encaminhamento para um médico urologista. Devemos deixar que a próstata seja examinada através do toque retal e fazer exames de sangue periódicos, em busca dos valores normais do PSA, exame que rastreia a existência do câncer de próstata.

O câncer da pele responde por 33% de todos os diagnósticos desta doença no Brasil, e o Instituto Nacional do Câncer registra, a cada ano, cerca de 180 mil novos casos. A incidência aumenta com a maior exposição aos raios solares, principalmente naqueles que têm pele muito clara, sem a proteção adequada, sendo as áreas mais acometidas as regiões expostas ao sol. Não podemos deixar de lembrar aos nossos leitores que hoje todos os cânceres são passíveis de tratamento, que será mais efetivo quanto mais precoce o seu diagnóstico.

Violência
Os homicídios mostram uma tragédia cotidiana fatal. Precisamos desenvolver políticas de promoção da saúde e da prevenção da violência no país. O sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA), implantado em 2006 pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MS), tornou-se um importante instrumento para a notificação compulsória de violência, conhecendo a distribuição e a tendência destes eventos.

O Instituto de Segurança Pública através dos Registros de Ocorrência (RO) lavrados nas delegacias de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro obtém dados para levantamento e conhecimento das estatísticas das mortes por homicídios.

Observou-se que a letalidade violenta (homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e morte por intervenção de agente do Estado) registrou queda no estado do Rio de Janeiro. Em fevereiro de 2019, o indicador homicídio doloso apresentou uma redução de 28% em relação a fevereiro do ano passado. Em relação a janeiro deste ano, a queda foi de 17%. No indicador letalidade violenta, houve uma queda de 16% em relação ao mês de fevereiro do ano passado, e de 15% comparado com janeiro de 2019. O latrocínio (roubo seguido de morte) também apresentou uma queda significativa em fevereiro. 

Em relação ao feminicídio (violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher), o Brasil tem a quinta maior taxa no mundo. A maioria desses casos ocorre por inconformismo da separação. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de assassinatos chega a 4,8 para cada 100 mil mulheres no país. 

O Brasil em 2016 foi o campeão mundial de mortes intencionais violentas, com mais de 60 mil fatalidades. Este número estarrecedor corresponde a 30 vezes o indicador de mortes ocorridas por homicídio na Europa. 

Acidentes
No Brasil, o trânsito é a segunda causa de morte, entre as causas externas, com maior ocorrência entre jovens e adultos de 15 a 39 anos. Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que os acidentes por transportes terrestres são responsáveis por 1,25 milhões de mortes (12% do total no mundo) e 50 milhões de feridos em todo o mundo. 

Os acidentes de trânsito são muito frequentes no Brasil. Nossos números de acidentes fatais de trânsito colocam o Brasil entre os cinco países do mundo com mais acidentes fatais de trânsito. Esta é a causa que mais mata jovens em nosso país, e os seus sobreviventes, cerca de 400 mil, acabam ficando com algum tipo de sequela.

O número de mortes por acidentes de trânsito no Brasil caiu 14% desde o início da Lei Seca, em 2008. O acidente de trânsito é um problema grave que precisa ser enfrentado com seriedade. A redução mostra que, apesar do brasileiro ter mudado os hábitos ao volante, uma vez que a lei trouxe um maior rigor na punição e no bolso de quem a desobedece. A conscientização da sociedade na prevenção dos acidentes é fundamental. É importante saber que não se pode misturar bebida com direção, uma vez que com essa ação pode causar acidentes e mortes.

Infecções generalizadas
Normalmente, a infecção é causada por bactérias ou outros microorganismos como vírus e fungos. Por ter sintomas discretos, pode ser confundida com outras doenças menos agressivas, o que muitas vezes atrasa seu tratamento, culminando com a morte por falência múltipla dos órgãos. 

No Brasil, 55,7% das mortes em UTIs ocorrem por infecção hospitalar. Uma série de fatores contribui para esse número: diagnóstico tardio, demora do paciente na procura de um serviço de saúde ou tratamento inadequado. Esses fatores são apontados tanto no sistema público de atendimento quanto nos convênios médicos.

Vale ressaltar ainda um número crescente de doenças e mortes causadas pelo uso excessivo de medicamentos farmacêuticos, que acabam causando dependência e facilitam o surgimento de outras doenças.

Vários estudos demonstram que a má qualidade de vida, o excesso de trabalho, a má alimentação e o sedentarismo são os principais responsáveis pelo comprometimento da saúde na população estudada. Por isso é importante uma alimentação saudável, a prática de exercícios físicos e dividir suas atividades de trabalho com lazer.

Diabetes
A Diabetes e outras doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas também são responsáveis por muitos óbitos. A diabetes é uma doença que faz com que o corpo reduza ou pare totalmente a produção de insulina, que regula a glicose no sangue, e a transforma em energia para alimentar as células. É uma doença crônica, mas que pode ser evitada, adotando hábitos saudáveis de alimentação e exercícios físicos. Geralmente não apresenta sintomas, mas quando ocorrem, podem incluir sede, fadiga, perda de peso, visão turva. Existem vários tipos de diabetes. De 2010 a 2016, o Brasil registrou um aumento de 12% nas mortes por diabetes, superando a média de mortes por câncer.

No próximo domingo, mitos e verdades sobre alergia alimentar e intolerância à lactose

 
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