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Hospitais de transição são nova tendência no Brasil

Envelhecimento da população aumenta demanda por cuidados extensivos

As famílias têm livre acesso, sem restrições de horário, e buscam participar de todo o processo de recuperação

Foto: Evelen Gouvêa

m 2050, um quinto da população mundial será formada por idosos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), chegando a 2 bilhões de pessoas com mais de 60 anos. No Brasil, o Ministério da Saúde aponta que em 2016 o país tinha a quinta maior população idosa do mundo e, em 2030, esse índice vai superar o total de crianças de 0 a 14 anos. 

Diante do aumento da expectativa de vida, o número de doenças crônicas não transmissíveis também tem crescido, elevando a necessidade de acompanhamento e cuidados pós-agudos. Os hospitais de transição se mostram uma tendência no mercado da saúde, promovendo um atendimento integrado e multidisciplinar, voltado para pacientes em reabilitação e crônicos. 

Carlos Alberto Chiesa ressalta que os cuidados extensivos são essenciais
Foto: Evelen Gouvêa

Essa já é uma realidade em países da Europa, como França e Portugal, e nos Estados Unidos, que já têm modelos consolidados. No Brasil, no entanto, essas unidades surgem como uma novidade e se mostram necessárias nos próximos anos, acompanhando a tendência de envelhecimento da população. 

“O hospital de transição está muito bem inserido no sistema de saúde desses países. Aqui no Brasil, ainda precisa ser desenvolvido. Os próprios profissionais de saúde não conhecem esse modelo, têm dificuldade de identificar o perfil de paciente que precisa disso. As operadoras também têm essa dificuldade”, observa Carlos Alberto Chiesa, diretor-presidente do Placi. 

Pioneiro no Brasil, o Placi inaugurou sua primeira unidade em Santa Rosa, Niterói, em 2013, preenchendo uma importante lacuna no atendimento a pacientes que precisam de assistência, cuidado paliativo e reabilitação. Hoje, já conta com mais uma unidade em Botafogo, se consolidando no setor.

“Uma unidade como essa agrega mais funcionalidade para o paciente, para o sistema como um todo, para a sociedade. Só que existe todo um processo de implantação de uma cultura. Tem um tempo de assimilação até que todos passem a reconhecer essa importância. Estamos vivendo essa transição”, atesta Chiesa.

Missa para os pacientes é realizada mensalmente na recepção do Placi

Foto: Evelen Gouvêa

Depois de sair de um hospital geral, quando a pessoa que passou por um trauma ou doença não precisa mais de grandes intervenções médicas e recebe alta, ao invés de ir para casa, elas seguem para um hospital de transição. Lá, recebem todo o cuidado para se recuperar, total ou parcialmente, e, assim, poderem voltar para casa. Atividades que estimulam reações são realizadas, como musicoterapia, arteterapia e pet terapia, circulando por espaços livres, como um solário.

“Nosso objetivo é dar conforto e permitir que as pessoas se recuperem um ambiente mais próximo à sua casa, e mais humanizado possível. É uma unidade que funciona com internações programadas, não temos emergência. Temos médicos, enfermeiros e alguns profissionais com um destaque maior em relação a um hospital geral, que são psicólogos, assistente social, terapeuta ocupacional, que trabalham de maneira integrada”, explica o diretor-presidente. 

A família, inclusive, torna-se parte importante desse processo, com livre acesso ao hospital, sem restrição de horários, participando integralmente do processo de recuperação do paciente. O Placi recebe pessoas com doenças neurológicas, oncológicas e traumas. A maioria dos pacientes é idosa, mas também há os mais jovens. Alguns, por exemplo, estão com doenças terminais, e buscam, junto à família, mais conforto no fim da vida.

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