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Huap é notificado por irregularidades no atendimento

Documento do Cremerj aponta que a unidade não possui setor de acolhimento e classificação de risco, o que é preconizado pelo Ministério da Saúde

O Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), vinculado à Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, foi notificado pelo Cremerj por conta de irregularidades encontradas no atendimento à população. O documento, emitido após nova visita na última quarta-feira (15), pede que as providências sejam tomadas o mais rápido possível.

De acordo com o conselho, as constatações foram identificadas em vistoria no hospital no dia 20 de março. O relatório afirma que a unidade não possui setor de acolhimento e classificação de risco, o que é preconizado pelo Ministério da Saúde, e que a emergência, por exemplo, que foi referenciada em 2008, estava superlotada, com pacientes internados no corredor.

Denúncias já divulgadas anteriormente pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal Fluminense (SINTUFF) também foram constatadas como a falta de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem e o bloqueio de leitos do CTI, que conta com 10 vagas ativas, apesar de espaço para 16. O bloqueio de leitos também foi verificado em outros serviços do hospital, o que, para o conselho, mostra a gravidade da situação, já que pacientes aguardam transferência para vagas de internação.

Em relação aos pacientes com câncer, o Cremerj apontou que a unidade não apresenta suporte para a realização de cuidados paliativos e que o serviço de oncologia não conta com enfermaria específica, usando leitos da emergência e de outras clínicas especializadas, que também sofrem com a superlotação. Outra questão é a unidade semi-intensiva, que estaria funcionando como um CTI devido à complexidade dos pacientes internados – muitos deles sob ventilação mecânica. O setor permanece sem médico exclusivo, o que contraria norma do Cremerj.

O conselho esteve na unidade na última quarta-feira (15), para entregar uma notificação à direção geral do hospital, para que as providências sejam tomadas o mais rápido possível. Segundo o Cremerj, cópias do documento também foram encaminhadas para a Defensoria Pública da União e o Ministério Público Federal.

Questionada sobre as irregularidades, a Superintendência do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap/UFF) esclareceu que o setor de urgência/emergência não é ‘porta aberta’ à população geral e que, portanto, este setor atende somente a demanda de pacientes clínicos e/ou cirúrgicos do ambulatório do próprio hospital, não havendo necessidade de um local de acolhimento e classificação de risco. Em relação à “superlotação” da emergência, o Huap se refere à realidade estadual e nacional de falta de leitos clínicos de retaguarda para cuidados prolongados e de longa permanência na rede SUS. "Por exemplo, o maior impacto está na ausência de leitos para pacientes em cuidados paliativos na oncologia clínica, especialidade na qual o Huap é referência para a Região Metropolitana II", afirmou a nota enviada.

O Huap ressaltou, ainda, que a palavra “corredor” não foi empregada corretamente, pois o espaço (não é corredor) foi estruturado e climatizado para receber o excedente de pacientes que são encaminhados dos ambulatórios da própria unidade. " O Hospital Universitário avalia que muitos usuários do SUS, diante de falta de leitos de terapia intensiva em todo o estado do Rio de Janeiro e que se encontram internados no setor de urgência/emergência, têm no Huap todo o suporte de diagnóstico e tratamento enquanto aguardam por vagas. Justamente, por este motivo, o Cremerj pode ter caracterizado este espaço do hospital, de forma equivocada, como uma unidade de terapia semi-intensiva", explica a nota.

Já em relação ao bloqueio de leitos, o hospital afirmou que vem reativando leitos bloqueados há três anos (desde 2016), mas que ainda precisa de recursos humanos para atingir a capacidade instalada. A Superintendência do Huap se posiciona quanto à convocação imediata de profissionais de saúde concursados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o que já vem sendo feito ao longo desse ano (2019), apesar das limitações orçamentárias e financeiras conhecidas. O Huap ainda reafirmou seu compromisso para solucionar os graves problemas da Saúde que impactam a população brasileira e, em especial, a população do Estado do Rio de Janeiro.

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