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Importância do aleitamento materno

Por professor Aderbal Sabrá e professora Selma Sabrá, especial para O Fluminense

Para o aleitamento, é fundamental desenvolver confiança na mãe, orientando de maneira efetiva as medidas de estimulação a serem tomadas

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Os primeiros dias após o parto são cruciais para o sucesso efetivo da amamentação. Caracteriza-se por um período de intenso aprendizado não só para a mãe, mas também para o bebê.
A “descida do leite” ou apojadura mamaria em algumas mulheres só ocorre alguns dias após o parto. É fundamental desenvolver confiança na mãe, orientando de maneira efetiva as medidas a serem tomadas de estimulação da mama, como sucção frequente do bebê e a ordenha.
Algumas vezes pode ocorrer o ingurgitamento mamário, mas é importante diferenciar o ingurgitamento fisiológico, que é normal, do patológico.

Mamilos planos ou invertidos podem dificultar o início da amamentação, mas não são impeditivos, uma vez que o bebê faz o “bico” com a aréola.
Algumas mulheres sentem dor discreta ou mesmo moderada nos mamilos no início das mamadas, devido à forte sucção deles e da aréola. Geralmente essa dor pode ser considerada uma variável normal, e não costuma persistir além da primeira semana.
Na própria maternidade, ocorre a orientação de uma boa pega, para facilitar a mãe e o bebe na técnica correta da amamentação.

Vantagens do Aleitamento – O aleitamento materno exerce um fator importante na prevenção de mortes infantis, uma vez que ocorrem menos mortes entre as crianças amamentadas, devido aos fatores de proteção existentes no leite materno que protegem contra as infecções. 

Diminui o risco de alergias, evita também a diarreia, a infecção respiratória, reduz a chance de obesidade, proporciona uma melhor nutrição por ser da mesma espécie.
O leite materno é capaz de suprir sozinho as necessidades nutricionais do bebê nos primeiros seis meses de vida, sendo uma importante fonte de nutrientes até o segundo ano, especialmente de proteínas, gorduras e vitaminas. Há evidências de que o aleitamento materno contribui para o desenvolvimento cognitivo, apresentando um efeito positivo na inteligência.  

Apresenta ainda melhor desenvolvimento da cavidade bucal do lactente, uma vez que o movimento de sucção que a criança faz para retirar o leite da mama é muito importante para o desenvolvimento adequado de sua cavidade oral e proporciona uma boa oclusão dentária.
Para a mãe, a amamentação apresenta um fator de proteção contra o câncer de mama, evita uma nova gravidez, por ser um excelente método anticoncepcional nos primeiros seis meses após o parto. Favorece ainda menos custos financeiros. 

Afetividade – O estímulo da interação mãe filho proporciona uma relação de carinho e afetividade, e, através deste vínculo, ocorre um maior estímulo para a produção de mais leite, garantindo uma nutrição excelente, um aporte de água necessário a suas demandas, e ainda garante um crescimento e desenvolvimento adequado e saudável. Além das proteções contra infecções e prevenção da alergia.
Apesar de a sucção do bebê ser um ato reflexo, ele precisa aprender a retirar o leite do peito de forma eficaz. Quando o bebê pega a mama de forma adequada (boa pega), significa que ele deve ter uma abertura ampla da boca, abocanhando não apenas o mamilo, mas também parte da aréola – forma-se um lacre perfeito entre a boca e a mama, garantindo que o mamilo e a aréola se mantenham dentro da boca do bebê.
Quando o lactente tem uma boa pega, o mamilo fica em uma posição dentro da boca do bebê que o protege da fricção e compressão, prevenindo, assim, as rachaduras e as fissuras nos mamilos.

Composição do leite protege o bebê contra várias doenças​

O leite materno é próprio para o bebê, sendo um líquido rico em gordura, minerais, vitaminas, enzimas e imunoglobolinas que protegem o bebê contra várias doenças. O leite materno se divide em colostro, que é o primeiro leite que surge logo após o nascimento, de cor amarelada, que vai geralmente até o sétimo dia, depois aparece o leite de transição e, por último, o leite maduro, sendo todos eles compostos por elementos fundamentais para o crescimento e desenvolvimento da criança. 

Os recém-nascidos precisam mamar várias vezes ao dia, no regime de livre demanda, mamando em torno de 9 a 12 vezes ao dia, manhã e noite, para repor a perda de calor do seu corpo através da evaporação de água dos seus pulmões e pele. A gordura do leite humano proporciona o colesterol necessário além dos ácidos essenciais de gordura. Os ácidos graxos insaturados de cadeia longa do leite materno são importantes para o desenvolvimento e mielinização do cérebro em desenvolvimento, além de apresentar maiores concentrações de aminoácidos essenciais de alto valor biológico (cistina e taurina), que são fundamentais ao crescimento do sistema nervoso central.

As proteínas do leite humano são compostas em cerca de 80% pela lactoalbumina, com uma pequena proporção de caseína. Diferente do leite de vaca, esta relação proteínas do soro / caseína do leite humano é aproximadamente 80/20, enquanto a do leite de vaca é de cerca de 20/80. Essa concentração baixa de caseína no leite humano resulta na formação de coalho gástrico mais leve, de fácil digestão, formando flóculos de mais fácil digestão, reduzindo o tempo de esvaziamento gástrico, o que, às vezes, faz parecer que o leite do seio não está sustentando, porque a criança quer mamar várias vezes, mas isso ocorre por conta da fácil digestão do leite materno e pelo esvaziamento mais rápido. 
O leite de vaca, em contrapartida, contém mais caseína, formando flóculos maiores, de difícil digestão, esvaziando mais lentamente o estômago, muitas vezes dando a falsa impressão que a mamadeira do leite de vaca está sustentando melhor o bebê, uma vez que, por conta da digestão mais lenta, dará um intervalo maior entre as mamadas.  

O principal carboidrato presente no leite materno é a lactose. A lactose favorece a absorção de cálcio e ferro. A presença do fator bífido promove a colonização intestinal com Lactobacillus bifidus, que impede o crescimento de outras bactérias no tubo digestivo. Apesar do ferro apresentar concentrações pequenas no leite humano, sua biodisponibilidade é alta, evitando a anemia.

O leite materno nem sempre tem exatamente a mesma composição, variando de acordo com a idade gestacional, nos casos de mães de recém-nascidos prematuros ou a termo, além das variações oriundas da alimentação da mãe. O leite materno é uma secreção, e tudo o que a mãe ingere poderá passar através do leite.

COLOSTRO

Nos primeiros dias depois do parto, as mamas secretam colostro. É rico em anticorpos, protegendo contra as infecções e prevenindo alergia. Possui uma ação laxativa, fundamental na eliminação do mecônio, que se caracteriza pelas fezes verde-escuras do recém-nascido, ajudando a prevenir a icterícia. É rico em IgA secretora, que ajuda a maturação intestinal, prevenindo a alergia alimentar, além da presença de vitamina A, capaz de prevenir doenças oculares causadas por deficiência de vitamina A. Protege a criança contra a maior parte das bactérias e vírus. O colostro é exatamente o que o bebê precisa nos primeiros dias! 

LEITE MADURO

Em torno de uma a duas semanas, surge o leite maduro, aumentando em quantidade, variando o seu aspecto e a sua composição, com um aspecto mais ralo, aguado, em relação ao leite de vaca, o que faz com que muitas mães pensem que seu leite é fraco. Esse aspecto do leite é normal, e capaz de fornecer quantidades de água suficientes, mesmo em dias muito quentes. Daí a importância da mãe tomar bastante líquido, cerca de 4 litros por dia. 

Existe uma variação entre o leite que sai no início e o leite que sai no final da mamada. O do início é rico em proteína, lactose, vitaminas, minerais e água, enquanto que o leite que surge no final da mamada contém mais gordura. A gordura torna o leite do fim mais rico em energia. Fornece mais da metade da energia do leite materno. Vale ressaltar a importância de alternar ambas as mamas em cada mamada, iniciando a sucção na próxima mamada, pelo seio onde a criança mamou por último.

FATORES IMUNOLÓGICOS

A igA secretora atua como fator protetor das mucosas, a lactoferrina possui uma ação bacteriostática, atuando com a retirada de ferro, a lisozima atua com uma ação bactericida, levando a lise das bactérias, os macrófagos, provocando a fagocitose    bacteriana e o fator bífido, permitindo o crescimento dos lactobacilos bífidos, que impedem o crescimento de outras bactérias. 
O leite materno contém fatores imunológicos de ótima qualidade para o bebê, enquanto o leite de vaca é excelente para o bezerro. Os fatores imunológicos são específicos para a sua própria espécie, além da destruição de alguns fatores decorrentes do armazenamento e pela fervura do leite. 

São poucas as contraindicações médicas​

São poucas as situações em que pode haver uma contraindicação médica para substituição parcial ou total do leite materno. O aleitamento não deve ser recomendado: 

. Nas mães infectadas pelo HIV; HTLV1 e HTLV2; 

. Em uso de medicamentos incompatíveis com a amamentação (sejam absolutas ou relativas ao aleitamento, como os antineoplásicos e radiofármacos), podendo consultar seu médico e disponíveis nos Cadernos de Atenção Básica no manual “Amamentação e uso de drogas”, disponíveis no site do Ministério da Saúde; 

. Criança portadora de galactosemia, doença rara em que o bebe não pode ingerir leite humano ou qualquer outro que contenha lactose;

. Infecção herpética, quando há vesículas localizadas na pele da mama. Neste caso, a amamentação pode ser mantida na mama sadia; 

. Varicela (catapora) – se a mãe apresentar vesículas na pele cinco dias antes do parto ou até dois dias após o parto, recomenda-se o isolamento da mãe até que as lesões adquiram a forma de crosta. O bebê deve receber Imunoglobulina Humana Antivaricela Zoster, disponível nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais;  

. Doença de Chagas, na fase aguda da doença ou quando houver sangramento mamilar evidente;  . Abscesso mamário, até que o abscesso tenha sido drenado e a antibioticoterapia iniciada. A amamentação pode ser mantida na mama sadia;

. Uso de drogas de abuso: recomenda-se interrupção temporária do aleitamento materno, com ordenha do leite, que deve ser desprezado. 

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