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A importância do exame de ultrassonografia no pré-natal

Por Karla Uchôa, médica ginecologista, a convite dos professores Aderbal Sabrá e Selma Sabrá

Na ultrassonografia, a experiência do médico é tão importante quanto a realização do exame

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Ultrassonografia Obstétrica é atualmente um dos exames mais conhecidos durante o pré-natal. Mas o que a maioria das futuras mães desconhece é que o mais relevante neste exame está na experiência do médico que o está realizando. E aí se faz toda a diferença, pois, quando realizo uma ultrassonografia obstétrica, correlaciono com a clínica obstétrica, doenças e intercorrências que possam acontecer durante a gestação assim como tenho olhar voltado para as malformações fetais. 
Isso depende em muito da experiência e da vivência do médico em obstetrícia e medicina fetal, pois só vamos reconhecer as alterações se estamos familiarizados com elas.

E como este é um exame operador dependente, no momento em que estou realizando o exame e obtendo as imagens, já automaticamente estou chegando a conclusões, diagnósticos e pensando nas condutas mais adequadas. Pra ter uma noção, existem alterações que irei indicar a interrupção prematura de uma gestação numa tentativa de salvar a vida daquele bebê, tamanha a importância deste exame propriamente dito. 

No início da gestação, já existem fatores muito importantes a serem avaliados como saber se a gestação está implantada no útero adequadamente, se o embrião tem batimentos cardíacos, se é apenas um embrião ou se é uma gestação gemelar. No caso de uma gestação ectópica (fora do útero), posso já indicar uma intervenção cirúrgica devido a grande chance de hemorragia. Ainda sei se aquela gestação é viável ou se está evoluindo para um processo de abortamento. Em caso de gestações múltiplas, saberei se terá uma ou mais placentas. Então nesta fase inicial já temos diagnósticos que para serem aventados precisam da experiência do ultrassonografista.

 

Arquivo / Agência Brasil

Malformações - Conforme a gestação vai evoluindo, para cada fase de desenvolvimento do embrião existem estruturas anatômicas correspondentes, e que vou analisando em todos os exames, podendo assim já detectar malformações. Avaliamos também a vitalidade e bem-estar do feto, com a associação da Dopplerfluxometria consigo saber se dentro do útero ele está recebendo nutrientes e oxigênio de forma adequada ou não. 

Quando essas alterações são detectadas, quem consegue guiar, determinar o prognóstico desta gestação, e orientar diretamente seu obstetra é o médico que está realizando o exame. Por exemplo, pode parecer estranho mas é comum no início da gestação, identificarmos o embrião e ainda não detectarmos batimentos cardíacos, ou esses batimentos serem ainda bem fracos. Mas depois ficam fortes e normalizam. Isso é normal.

Já tive uma paciente uma vez que veio realizar uma ultrassonografia obstétrica de rotina com 26 semanas, realizei as medidas deste feto, sua biometria, batimentos cardíacos regulares com frequência adequada, líquido amniótico normal, mas me chamou a atenção, o feto muito quieto. 
Imediatamente complementei o exame com a Dopplerfluxometria (mesmo sem ter a solicitação do exame pelo obstetra). E este feto estava em sofrimento, estava recebendo pouco oxigênio dentro do útero, e precisava sair dali. Mas como ainda prematuro demais, pra melhorar a sua sobrevida precisava fazer corticoide, pra acelerar a maturidade do seu pulmão. Orientei e dei suporte ao obstetra em todos esses passos até sua interrupção. 

Hoje ela é uma menina linda, que está com 4 anos. Se esse diagnóstico não tivesse sido feito a tempo, poderia ter evoluído de forma ruim.

Então em todas as ultrassonografias que realizamos, nós com experiência em medicina fetal, e em obstetrícia, avaliamos sempre a morfologia e vitalidade deste feto e a clínica materna. Nós ao realizarmos uma ultrassonografia obstétrica, avaliamos a morfologia do embrião, do feto, a biometria, sua curva de crescimento intrauterino, o volume do líquido amniótico, a placenta; avaliamos o cordão umbilical,  o colo uterino.

Enfim, uma infinidade de dados extremamente importantes e vitais. Ainda conseguimos complementar o estudo com a Dopplerfluxometria que é importante demais para sabermos a respeito da oxigenação fetal. E, se estiver alterado, indicamos a interrupção da gestação que pode ser prematura (antes de 37 semanas) quando se faz necessário o uso de corticoides para estimular a maturidade pulmonar fetal e isto muda consideravelmente o prognóstico do recém-nascido na UTI neonatal.

As gestantes ao engravidarem precisam se preocupar em escolher um bom obstetra e ultrassonografista, pois frente a qualquer alteração, nós que estamos realizando o exame poderemos reconhecer a anormalidade e junto com o obstetra determinar as condutas que serão super-relevantes para a vida materna e fetal. 

Doutora Karla Uchôa é ginecologista, obstetra e ultrassonografista com experiência de 20 anos em medicina fetal

 

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