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Movimento antivacina dificulta erradicação

Cobertura vacinal coíbe a circulação de vírus causadores de doenças

A imunização é primordial para evitar a volta de doenças que já foram erradicadas em território brasileiro, entre elas a poliomielite e a varíola

Marcelo Camargo/ABr

Criada em 1796, pelo médico inglês Edward Jenner, a vacina continua sendo, mesmo depois de séculos, fundamental para o combate a doenças na história da medicina. Elas são produzidas a partir do próprio agente causador da doença, que é colocado no corpo de forma inativa ou enfraquecida. Ao ser aplicada, o organismo começa a se defender do vírus ou bactéria. Com isso, a pessoa produz anticorpos antes da doença se desenvolver, tornando-se imune a ela.  

A vacinação é uma maneira eficaz de se proteger de uma variedade de doenças graves. Além disso, reduz os números de casos de doenças infecciosas de uma forma geral, já que a transmissão da mesma diminui. Também há a diminuição do número de hospitalizações e mortalidade.

A vacinação também é importante para a erradicação de doenças. No Brasil, a poliomielite e a varíola foram erradicadas graças à vacinação. Porém, mesmo estando sob controle atualmente, elas podem voltar a se tornar uma epidemia, caso as pessoas parem se de vacinar.

“Quando uma parte da população deixa de ser vacinada, criam-se grupos de pessoas suscetíveis, que possibilitam a circulação de agentes infecciosos. Quando eles trafegam e se multiplicam, não afetam apenas aqueles que escolheram deixar de se vacinar, mas também aqueles que não podem ser imunizados, seja porque ainda não têm idade suficiente para entrar no calendário nacional, seja porque sofrem de algum comprometimento imunológico. Quanto maior for o número de vacinados, maior a proteção conferida, inclusive aos não vacinados”, disse o infectologista Bruno Fonseca.  

Com isso, a falta de adesão à vacinação não compromete apenas o nível individual, mas a coletividade, ao permitir a recirculação de agentes infecciosos que estavam erradicados ou sob controle. E os mitos que circulam sobre as vacinas dificultam o alcance da cobertura vacinal desejada.

“Os movimentos antivacina têm crescido recentemente, principalmente na Europa e EUA, levando muitas pessoas a deixarem de se vacinar. As vacinas e todos os imunobiológicos são como remédios. Todos têm efeitos colaterais previstos, porém, os eventos graves são raros, não justificando a recusa da vacinação. Há uma série de boatos e informações inverídicas que esses grupos criminosos antivacinação propagam, como a infundada ocorrência de autismo relacionado à imunização, entre outras ‘fake news’, que só servem para disseminar pânico e desinformação na população”, afirma a infectologista Diana Ventura.

Os responsáveis por crianças devem ser ainda mais atentos ao calendário de vacinação, visto que a maior parte das doses devem ser aplicada durante o período do nascimento até a adolescência.

“Muitas pessoas deixam de vacinar seus filhos por filosofias de vida, por medo de reações adversas, ou simplesmente por descuido ou falta de atenção. É através da veiculação de informações sólidas e científicas que conseguiremos desmistificar questões em torno das vacinas. E esse é um processo urgente, porque se não revertermos esse panorama agora, especialmente na infância, permitiremos a recrudescência de doenças que estavam erradicadas há anos”, alerta a pediatra Rita Gonçalves. 

 
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