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Nova substância para o combate ao câncer de mama

Problema corresponde a 28% de novos casos da doença em mulheres

Professor da UFF, Fernando de Carvalho da Silva

Foto: Divulgação

Os professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com o apoio de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz- Bahia (FIOCRUZ-BA), desenvolveram uma nova substância que inibe o crescimento de tumores, especialmente o câncer de mama, um dos que mais matam no Brasil e no mundo. Para criar a nova substância, os pesquisadores empregaram o extrato da folha de Lawsonia inermis L.,popularmente conhecida como Mehndi ou Henna, “cosmético” usado na pintura de cabelos, pele e unhas.
 
Com a descoberta, novas estratégias para o tratamento da doença podem ser desenvolvidas melhorando o quadro clínico e a qualidade de vida do paciente.
 
 A criação da nova substância, denominada CNFD, teve início em 2013 por professores da UFF e, ao longo do estudo, os testes foram realizados pelos pesquisadores da UFAM e da FIOCRUZ-BA.  Além dos testes em células tumorais, foram feitos também em camundongos e revelaram uma redução significativa do crescimento e do peso do tumor sem quaisquer efeitos aparentes de toxicidade nos animais. 
 
“O trabalho conjunto dos professores e pesquisadores da UFF, FIOCRUZ-BA e da UFAM traz mais do que uma nova substância. É a esperança de muitas mulheres. O novo fármaco é um avanço na química medicinal e pode substituir ou complementar os medicamentos que se tornaram resistentes a doença”, explica o professor e pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação da UFF, Vitor Francisco Ferreira.
 
"Combater células cancerígenas não é uma tarefa fácil, pois elas se parecem muito com as células sadias. Esta descoberta, além dos benefícios em si, pode representar o primeiro medicamento sintético genuinamente brasileiro nas prateleiras das farmácias", destacou o professor da UFF, Fernando de Carvalho da Silva.
 
Vale destacar que o uso de CNFD, durante os testes, foi mais eficaz em células tumorais, preservando as normais, diminuindo os efeitos adversos decorrentes da terapia.
 
Para o pesquisador da UFAM, Emerson Silva Lima, a descoberta de novas drogas, principalmente com baixo custo de produção, quando comparadas as que estão no mercado, pode ser uma alternativa interessante para muitos pacientes que são acometidos por esta doença. “Esperamos que o governo e/ou empresas privadas tenham interesse na tecnologia, para que um dia ela possa chegar ao mercado” ressaltou o pesquisador.
 
O fármaco está sendo patenteado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial e, aprovado nos testes subsequentes e havendo interesse da indústria no seu desenvolvimento, poderá chegar ao mercado em larga escala daqui a cinco anos.
 
Para o vice-reitor da Universidade Federal Fluminense, Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, "a UFF tem ampliado e fortalecido suas parcerias com o objetivo de produzir continuamente conhecimentos originais e transferi-los para a sociedade na forma de solução para os seus problemas. Nesse caso, uma nova molécula, uma vez testada adequadamente, poderá vir a salvar vidas, o que justifica de forma destacada nossa responsabilidade social"
 
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), “a estimativa para o Brasil, biênio 2016-2017, aponta a ocorrência de cerca de 600 mil casos novos de câncer”. Excluindo o câncer de pele não melanoma (cerca de 180 mil novos casos), em torno de 420 mil pessoas terão a doença, perfil semelhante da América Latina e do Caribe, onde os mais frequentes são de mama (58 mil) em mulheres e de próstata (61 mil) em homens.
 
Segundo estudos ainda do INCA, em 2016 a previsão foi de ocorrência de 57.960 novos casos. De todos os casos de câncer em mulheres, o de mama corresponde a 28%, a cada ano. Raramente acomete homens (1% do total).
 
UFF
Uma das maiores e mais conceituadas universidades federais do Brasil, a UFF abriga nos seus três campi, nas quatro unidades instaladas em bairros do mesmo município, em oito subsedes no Rio de Janeiro e uma no estado do Pará 65.796 mil alunos e 9.754 mil docentes e técnicos administrativos. Localizada em Niterói (RJ), a Universidade Federal Fluminense oferece 130 cursos regulares de Graduação, Pós-Graduação, Doutorado, Mestrado Acadêmico e Profissional e Especialização, além de 1.929 atividades extracurriculares. Mantém um Núcleo Experimental em Iguaba Grande, uma Fazenda Escola em Cachoeiras de Macacu e o Colégio Universitário Geraldo Reis, atendendo 390 alunos de Educação Infantil e Básica e estudantes de licenciatura para estágios supervisionados e projetos de iniciação à Docência. Promove ainda a inclusão de 149 Pessoas com Deficiência, Transtorno Global do Desenvolvimento ou Altas Habilidades/Superdotação.
 
UFAM
A Universidade Federal do Amazonas (UFAM) é uma instituição de ensino superior pública federal brasileira, sendo a maior universidade do estado do Amazonas e uma das principais da Região Norte do Brasil. É a instituição de ensino superior, com o status de universidade, mais antiga do Brasil, originando-se da Escola Universitária Livre de Manáos, fundada em 17 de janeiro de 1909. A instituição é a única de caráter pública federal existente no Amazonas. O campus sede da universidade situa-se em Manaus, constituindo-se no maior fragmento florestal urbano do Brasil dedicado a uma instituição superior de ensino, além de ser o terceiro no mundo, com 6.700.000 metros quadrados. A Universidade Federal do Amazonas possui, em sua rede de ensino, 109 cursos de graduação, 40 de strictu sensu e dezenas no latu sensu, além de 645 grupos de pesquisa. A universidade possui 25 mil estudantes e 2.700 servidores.

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