Assine o fluminense

Rio de Janeiro recebe projeto inédito no estado de combate à hanseníase

Objetivo é percorrer, por dois meses, 19 municípios para conscientizar a população sobre a doença

Iniciativa terá início no dia 5 de agosto

Divulgação / Governo do Estado

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), em parceria com o Ministério da Saúde, realizará o Projeto Roda-Hans, a partir de 5 de agosto, no Rio de Janeiro, em referência ao Dia Estadual de Conscientização, Mobilização e Combate à Hanseníase. Pela primeira vez no estado, a ação consiste em diversas estratégias de atuação: uma carreta com consultórios e laboratório vai percorrer, por dois meses, 19 municípios para conscientizar a população sobre a hanseníase e combater o preconceito associado à doença. Serão realizadas consultas dermatológicas, além de disponibilizar uma equipe qualificada treinando profissionais de saúde dos municípios visando o diagnóstico precoce e tratamento. O projeto conta, também, com a parceria da Fiocruz, UFRJ, Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio de Janeiro, Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) e Novartis.

Parte fundamental do projeto é a etapa de treinamentos de cerca de mil profissionais de Atenção Primária de todo o estado. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais, dentistas, entre outros, participam das oficinas de capacitação oferecidas pela SES-RJ e Ministério da Saúde e depois farão parte da equipe de atendimento da carreta, sob a supervisão de especialistas de referência nacional.

O secretário de estado de Saúde, Edmar Santos, ressalta que os treinamentos são essenciais porque possibilitam, ao mesmo tempo, a qualificação dos profissionais e a realização de diagnósticos precoces nestas grandes campanhas, habilitando os profissionais de saúde dos municípios a realizarem estas atividades em seus territórios de atuação.

"Com isso, as equipes que atuam em clínicas da família, postos de saúde e outras unidades de Atenção Primária estarão devidamente capacitadas para identificar sinais e sintomas da hanseníase, evitando sequelas decorrentes do diagnóstico tardio da doença", explica.

Atualmente, estão em tratamento 1.305 pacientes no estado do Rio de Janeiro. Desses, 16% apresentam grau de incapacidade física, ou seja, deformidades e incapacidades que poderiam ser evitadas. Acredita-se que esse número não represente a totalidade dos casos existentes, devido à dificuldade da identificação da doença, que possui evolução lenta e assintomática, com as lesões na pele como maior indicador da infecção. O próprio paciente demora a notar a condição e, em diversos casos, o primeiro diagnóstico é errado por falta de capacitação adequada dos profissionais.

Ao identificar um caso da doença, é necessário realizar uma investigação epidemiológica da cadeia de transmissão da hanseníase, examinando qualquer pessoa que teve contato íntimo e prolongado com o paciente, como familiares e amigos. Esse trabalho será feito pelos municípios e acompanhado, durante três meses, pela equipe da SES-RJ em parceria com instituições de ensino e pesquisa.

O médico da SES-RJ, Alexandre Chieppe, destaca o papel estratégico do projeto, que visa esclarecer dúvidas sobre a doença e combater o preconceito.

"Outro objetivo da Roda-Hans é acabar com o estigma que existe em relação à hanseníase, difundido até mesmo entre profissionais de saúde que não têm a experiência de trabalhar com a doença. Isso faz com que possíveis pacientes tenham medo de buscar uma equipe de saúde e pessoas com diagnóstico confirmado tenham sua vida social afetada, o que contribui para a diminuição da autoestima e para isolamento do paciente", finaliza.

Faça seu login ou cadastre-se para enviar seus comentários

Comentários

Veja também

Scroll To Top