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Vacinas são maior avanço terapêutico

Por professor Aderbal Sabrá e professora Selma Sabrá, especial para O FLUMINENSE

Toda a população precisa procurar a unidade de saúde mais próxima para manter o cartão de vacinação atualizado

Foto: Divulgação/Marcello Casal Jr/ABr

As vacinas devem ser usadas para a prevenção de todas as doenças infecciosas para as quais existem vacinas. Esta proteção começa quando a criança nasce, ainda recém-nascido, segue durante toda a infância e adolescência, fase adulta, se estendendo também aos idosos. 

O Calendário Básico de Vacinação brasileiro definido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) compreende o conjunto de vacinas consideradas de interesse prioritário à saúde pública do Brasil, composto por prevenção de 12 doenças infecciosas, recomendadas à toda a população brasileira, começando ao nascimento e se estendendo até a terceira idade, sendo distribuídas gratuitamente nos postos de vacinação da rede pública.

É fundamental que todas as pessoas procurem as Unidades de Saúde para manterem o cartão vacinal atualizado.   

A vacina é um direito de todas as crianças e um dever não apenas dos responsáveis, familiares e profissionais da área da saúde, mas uma responsabilidade de toda a sociedade. 

QUAIS AS VACINAS A CRIANÇA TEM QUE TOMAR?
Segundo o calendário oficial do Ministério da Saúde a criança tem que tomar 12 vacinas até os 10 anos de idade. As Unidades Básicas de Saúde estão capacitadas para atualizar o cartão vacinal e garantir um esquema de vacinação adequado para a população. As vacinas são fundamentais para prevenir uma série de doenças por isso é muito importante procurar uma Unidade de Saúde e manter o seu cartão de vacinação atualizado, os cartões dos seus filhos e de toda a sua família.

AO NASCER
BCG (Prevenir Tuberculose) - Toda criança ao nascer ou o mais precoce possível, deve tomar a BCG (Bacilo Calmette-Guerin) em dose única – que previne a Tuberculose, nas suas formas graves.
Hepatite B - Ainda na maternidade, o recém-nascido deve tomar a vacina de preferência nas primeiras 12 horas de vida, que deverá ser administrada em 4 doses - ao nascer, com 2,4 e 6 meses. Se a mãe é portadora do antígeno de superfície da hepatite B (HBsAg), seu filho deverá receber nos primeiros sete dias após o parto, a Imunoglobulina específica para a Hepatite B.

AOS 2 MESES
Pentavalente - (Difteria, Tétano, Coqueluche e Hib (doenças causadas pelo Haemophilus Influenzae do tipo B - que são a meningite, otite e a pneumonia causada por esta bactéria) e a segunda dose da Hepatite B. 
Vacina Inativada da Poliomielite (VIP)  - Previne a paralisia infantil ou poliomielite.
Pneumocócica 10 Valente  - Primeira dose, que previne doenças causadas pelo Pneumococo, como a pneumonia, otite e a meningite, causadas por esta bactéria.
Rotavirus - Administrada aos 2 meses, por via oral, para a prevenção da diarreia aguda viral causada pelo Rotavirus. Esta vacina não pode ser administrada no hospital, sendo necessário esperar até receber alta hospitalar. 

AOS 3 MESES
As crianças devem receber a primeira dose da vacina Meningogocica B, que faz a prevenção das doenças causadas pelo meningococo B principalmente a meningite.
 
AOS 4 MESES
Pentavalente - 2ª dose - e a vacina da Hepatite B; Vacina Inativada da Poliomielite-VIP - 2ª dose;  Pneumococica 10 valente - 2ª dose; Vacina do Rotavirus- 2ª dose.

AOS 5 MESES
Meningocócica B - 2ª dose.

AOS 6 MESES
Pentavalente  - 3ª dose; Vacina Inativada da Poliomielite - 3ª dose. 

AOS 9 MESES
Vacina da febre amarela. Esta vacina deve ser administrada em dose única, salvo algumas exceções de acordo com a área endêmica. 

AOS 12 MESES
Tríplice viral (Sarampo, Caxumba e Rubéola - 1ª dose; Meningocócica tipo B-dose de reforço.

AOS 15 MESES
DPT (Difteria, Tétano e Coqueluche) - 1ª dose de reforço. (para a prevenção da difteria, tétano e coqueluche); Vacina oral da Poliomieliete - VOP - 1ª dose de reforço ; Hepatite A; Tetraviral (Sarampo, Caxumba, Rubéola e Varicela  -  Catapora). 

AOS 4 ANOS
DPT (Difteria, Tétano e Coqueluche) - 2ª dose de reforço; Vacina oral da Poliomieliete - VOP-2ª dose de reforço; Varicela atenuada (catapora).

QUAIS AS VACINAS QUE O ADOLESCENTE TEM QUE TOMAR? 
A vacina contra o HPV previne contra infecções provocadas pelo vírus do papiloma humano, causador de verruga genital e de vários tipos de câncer, como o câncer cervical, mais conhecido como câncer de colo do útero. Existem duas vacinas contra o HPV disponíveis no Brasil. Duas doses com 6 meses de intervalo, para meninas entre 9 a 14 anos. Para meninos, a idade para fazer a vacina é de 11 a 14 anos.

Meningocócica C - Dose única ou reforço entre os 10 a 19 anos.

Dupla Bacteriana (previne Difteria e Tétano) - Reforço a cada 10 anos.

Tríplice Viral (previne Sarampo, Rubéola e Caxumba) - Pode ser necessário receber duas doses da vacina dependendo da análise do cartão vacinal. 

Hepatite B - Receber 3 doses, caso não tenha sido vacinado anteriormente.

Febre Amarela - Uma dose para quem não foi vacinado previamente.

QUAIS AS VACINAS QUE O ADULTO TEM QUE TOMAR?
A avaliação do cartão vacinal é fundamental para completar as vacinas não administradas na época correta e manter os reforços periódicos necessários para garantir uma eficácia adequada.

Dupla adulto (Difteria e Tétano) - Uma dose de reforço a cada 10 anos.

Tríplice Viral (Sarampo, Rubéola e Caxumba) - Caso o adulto ainda não tenha sido vacinado, e estiver atualmente com a idade entre 20 a 29 anos de idade, o Ministério da Saúde recomenda duas doses da vacina e entre 30 a 49 anos de idade outra dose. 

Hepatite B - De acordo com o cartão vacinal, poderá ser necessário o esquema habitual de 3 doses.

Febre Amarela - Dose única (Caso não tenha sido vacinado).

Vacina da Gripe - Dose anual na época das campanhas.

QUAIS AS VACINAS QUE OS IDOSOS TÊM QUE TOMAR?
Os idosos devem tomar a vacina da gripe anualmente, na época da campanha da vacinação contra a gripe. Devem tomar ainda 3 vacinas:

Dupla Adulto (Difteria e Tétano) - Será necessária uma análise do cartão vacinal, sendo administrada uma dose de reforço a cada 10 anos; 

Hepatite B - Poderá tomar 3 doses de acordo com a análise do cartão vacinal; 

Febre Amarela - Dose única, caso ainda não tenha sido vacinado.

QUAIS AS VACINAS QUE A GESTANTE TEM QUE TOMAR?
A mulher grávida deverá tomar algumas vacinas para proteger o seu filho (o feto) que ainda está dentro do seu útero, na sua barriga. Com a vacina da gestante, além de zelar pela sua própria saúde, a gestante transfere para o bebê os anticorpos obtidos com a vacinação. Inicialmente, através da placenta e, depois, através da amamentação, pelo leite materno. Essa proteção é de fundamental importância nos primeiros meses de vida da criança, já que o sistema imunológico ainda está se desenvolvendo e essa transferência de anticorpos para o feto, dá proteção nestes primeiros meses de vida até́ que o bebe possa ser vacinado. 

Dupla Adulto (Difteria e Tétano) - Poderá tomar 3 doses, dependendo da avaliação do cartão vacinal.

Hepatite B - De acordo com a análise do cartão vacinal, pode ser necessário tomar 3 doses da vacina.

Tríplice Bacteriana acelular - DTPa (Difteria, Tétano e Coqueluche) - Essa vacina tríplice bacteriana acelular do tipo adulto deve ser dada na gestante a partir da 20ª semana de gestação ou no período denominado de puerpério, que compreende os 45 dias após o parto. 
A DTPa está recomendada em todas as gestações, uma vez que além de proteger a gestante, evita que ela transmita a Bordetella pertussis, que é o agente causador do Coqueluche.

Vacina da Gripe (Influenza) - Dose anual.

CONTRAINDICAÇÕES DE VACINAS NA GRAVIDEZ
As vacinas Tríplice Viral (Sarampo, Caxumba e Rubéola) a vacina do HPV, a vacina da Varicela e a vacina da Dengue estão contraindicadas durante o período gestacional. Caso uma mulher que não sabia que estava grávida e tenha sido vacinada por uma dessas vacinas, ela deverá ser acompanhada pelo serviço de saúde, a fim de verificar qualquer reação e/ou problema de saúde em decorrência da vacina.

VACINAÇÃO DE RECÉM-NASCIDOS PREMATUROS 
Além das vacinas para crianças, já mencionadas neste artigo, a Profilaxia do Vírus Sincicial Respiratório (VSR)- Anticorpo monoclonal específico contra o VSR (palivizumabe) é recomendada para os prematuros e crianças de maior risco, para a prevenção da Bronquiolite, que causa dificuldade respiratória e broncoespasmo (chiado no peito) nos bebês. O uso em bebês portadores de doença pulmonar crônica da prematuridade e com cardiopatias congênitas, independentemente da idade gestacional ao nascer e desde que em tratamento dessas condições nos últimos seis meses, devem ser vacinadas até o segundo ano de vida.

VACINAS EM SITUAÇÕES ESPECIAIS 
Existem outras vacinas recomendadas pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), mas algumas destas vacinas só estão disponíveis na rede particular. 

Algumas destas vacinas diferenciadas estão disponíveis também na rede pública, em situações específicas e nessas situações especiais, estas serão referendadas ao Centro de Imunológicos Especiais, para análise e complementação do cartão vacinal, sempre que necessário.

CAMPANHA NACIONAL CONTRA A GRIPE 
A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza já começou em todo o país. Pretende-se vacinar 58,6 milhões de pessoas até o dia 31 de maio. Estão sendo priorizadas crianças e gestantes, e grupos mais vulneráveis a apresentarem as complicações causadas pelo vírus da gripe-influenza.

A escolha dos grupos que deverão receber a vacina segue a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS). A meta do Ministério da Saúde é vacinar pelo menos 90% de cada um dos grupos prioritários, por apresentarem maior chance de complicações e óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave.

A vacinação contra a gripe está indicada aos trabalhadores da saúde, professores, povos indígenas, pessoas portadoras de doenças crônicas e outras categorias consideradas de risco clínico, a população privada de liberdade, incluindo os adolescentes e jovens de 12 a 21 anos que se encontram em cumprimento de medida socioeducativa, os funcionários do sistema prisional, mulheres até 45 após o parto (puérperas); idosos (a partir dos 60 anos); além das gestantes e crianças de seis meses a menores de seis anos (5 anos, 11 meses e 29 dias). A faixa etária do público infantil foi ampliada, de até 5 anos para até menores de 6 anos, aumentando a previsão para cerca de 2,8 milhões do número de crianças vacinadas nesta campanha.

Uma novidade boa neste ano foi a recomendação para que, durante a campanha, as gestantes e as crianças com a caderneta de vacinação atrasada possam receber, além da vacina da gripe, as vacinas em atraso, atualizando assim o seu Calendário Vacinal.

O Ministério da Saúde está reforçando o Movimento Vacina Brasil, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da vacinação.

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