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Niterói antenado no ecoturismo

Pensando no turismo, mas com um olhar para o meio ambiente, município avança em programas sustentáveis e foca na ocupação desordenada

Vera Peixoto, da Abrasel, Igor Fernàndez, professor da UCAM, Nauro Grehs, secretário de Turismo de Nova Friburgo

Marcelo Feitosa

O segundo e último dia do Seminário “Turismo – Desafios da Gestão”, promovido pelo Grupo Fluminense Multimídia, através da OF Eventos, em parceria com a Escola Superior de Gastronomia da Universidade Candido Mendes (UCAM), lotou o auditório da universidade nesta quarta-feira (18) pela manhã. Na plateia, gestores públicos e privados, além de estudantes de turismo e áreas afins, que tiveram a oportunidade de aprender um pouco mais sobre as boas práticas do setor com profissionais renomados, e também conhecer as políticas adotadas pelo município para o setor.

Ressaltando que considerava o debate extremamente oportuno, principalmente às vésperas dos Jogos Olímpicos, o vice-prefeito de Niterói, Axel Grael, fez a abertura do evento falando sobre meio ambiente e sustentabilidade.

“A ênfase do nosso trabalho é fazer com que Niterói seja uma referência para o ecoturismo, e para alcançar essa meta já estamos desenvolvendo algumas ações. O programa ‘Niterói Mais Verde’ já avança no objetivo de tornar 50% das áreas da cidade protegidas e transformar espaços naturais em destinos turísticos. Enquanto o programa ‘Niterói que Queremos’ desenvolve ações para despoluir as praias da orla da Baía de Guanabara e recuperar até 507 mil hectares de áreas verdes”, explicou Axel.

A segurança e controle da ocupação desordenada são os grandes desafios para o alcance dessas metas segundo o vice-prefeito. “Nossa meta de áreas protegidas é muito expressiva para uma cidade metropolitana, já temos inclusive 33% das áreas da cidade protegidas”, afirmou o vice-prefeito.

Rubens Branquinho, da Neltur, Edson Xavier, diretor da UCAM, e Marcelo Tomé, da UFF

Marcelo Feitosa

Mediada pelo professor da Escola de Gastronomia da UCAM, Igor Camargo Fernàndez, a primeira mesa de debates teve como tema “Os Desafios da Hospitalidade” e contou com a presença do consultor e empresário Nauro Grehs e da executiva de Relacionamento e Projetos da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Vera Peixoto.

Após parabenizar a iniciativa do seminário, Nauro falou sobre a necessidade da criação de normas para receber bem o turista. “Nossa hospitalidade pode e deve ser uma ferramenta para a captação de turistas. No entanto, no Brasil, a hotelaria independente é cinco vezes maior que a de rede, e, por isso, nosso principal desafio é fazer com que essas empresas estejam atualizadas, tanto em serviços quanto em tecnologia e conforto. O empresário deve sempre se antecipar às necessidades de seus hóspedes”, ressalta Grehs.

Segundo Nauro, a hospitalidade é peça fundamental para o setor de turismo em uma cidade, e uma boa acolhida, no caso dos hotéis, abre portas para que toda rede consiga conquistar a satisfação dos visitantes.

“Vale lembrar que o cliente de um hotel não passa na porta, tem que ser buscado, e isso precisa ser feito em conjunto pelo setor. Mas, infelizmente, ainda não temos costume de trabalhar em grupo, o que precisa mudar. Outra questão muito relevante é que, no caso da hotelaria, é preciso que haja a possibilidade de uma flexibilização nas leis trabalhistas. Afinal, é um segmento que trabalha com sazonalidade, que na alta temporada contrata demais, até muitos sem qualificação, e na baixa acaba com mão de obra sobrando. Mesmo assim, a legislação engessa a relação trabalhista nesse segmento, como se fosse igual a qualquer outro setor”, destaca o consultor.

O associativismo também foi apontado, por Vera Peixoto, como um desafio para o setor, que ainda enxerga os vizinhos como concorrentes. Segundo a executiva da Abrasel, assim como a hotelaria, o setor de “Serviço de alimentação fora do lar” beneficia toda uma cadeia produtiva e, por isso, também precisa contar com um trabalho de união do setor.

“Esse segmento representa 2,7% do PIB do Brasil, 6 milhões de empregos e 32% do PIB do turismo. Isso porque, a gastronomia não está relacionada só a comida, na verdade o setor também demanda por comunicadores, designers, nutricionistas, entre outros. Ou seja, abre frentes de trabalho para quase todo mundo e só perde em contratações para a construção civil quando está aquecida. Por tudo isso, é um setor que precisa ser levado muito a sério”, explica Vera. 

O treinamento e a informação é responsabilidade do empresário, que deve priorizar a padronização dos serviços, segundo Peixoto. “No segmento existe uma cultura forte de empresas familiares que contratam parentes sem nenhuma qualificação. Mas nesse tipo de serviço o recurso humano é fundamental. Uma empresa do turismo vende seu produto o tempo todo, e, principalmente em momentos de crise como esse, precisa contar com o cliente que conseguiu fidelizar através de um bom serviço. Isso porque, as pessoas só voltam em locais onde foram bem-atendidas, principalmente em um momento de recessão”, ressaltou Vera.

A segunda mesa de debates abordou os atrativos turísticos de Niterói, mediada pelo diretor da UCAM Niterói, Edson Xavier.

O diretor da faculdade de turismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), Marcelo Tomé, enfatizou o potencial de Niterói para o setor. “Niterói é um município que apresenta aspectos tanto naturais quanto culturais relevantes para o turismo. Alguns equipamentos, inclusive, também se destacam tanto pela forma quanto pela função, como no caso do MAC, que além de ser um museu é um projeto de Oscar Niemeyer. Tudo isso desperta o desejo de fruição, ou seja, o turista quer ir a esses lugares, ver com os próprios olhos, tirar fotos”, explicou Tomé.

Encerrando os debates, Rubens Branquinho, diretor de turismo da Niterói Empresa de Lazer e Turismo (Neltur) relacionou cada atrativo turístico da cidade e falou sobre os trabalhos da empresa em parceria com a UFF. “Temos um termo de cooperação técnica com a UFF e realizamos várias ações em conjunto. A maior parceria com a Universidade foi a realização do inventário da oferta turística, através do qual vamos conseguir entender os pontos fracos e fortes do setor na cidade, planejar e criar objetivos. Além disso, quase metade dos nossos mais de 30 estagiários são da UFF. Vale lembrar também que a universidade lançou recentemente o primeiro mestrado em turismo do Estado, que certamente conta com a mesma produção acadêmica de ponta da faculdade, reconhecida em todo cenário nacional”, concluiu Branquinho.

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