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Vizinhos, mas muito diferentes

Enquanto Itaboraí tem lutado para sobreviver sem Comperj, Maricá anuncia fundo para gerir recursos de royalties

Sadinoel Souza explica que enquanto não acontecem as contratações para o Comperj, a prefeitura tem investido em reforçar o setor de serviços na cidade, além de fomentar o pequeno e médio empreendedorismo

Foto: Arquivo/EBC

Os prefeitos Sadinoel Souza (Itaboraí) e Fabiano Horta (Maricá) vivem realidades diferentes, mas trabalham com o mesmo objetivo: aproveitar os recursos provenientes dos royalties do petróleo para desenvolverem economicamente seus municípios. Se por um lado Itaboraí luta para sair do Cadastro Único de Convênios (Cauc) – uma espécie de SPC das prefeituras – por outro, Maricá criou nesta semana um Fundo Soberano Municipal (uma espécie de poupança), com recursos dos royalties. O município calcula receber pelos próximos 10 anos o montante de R$ 1,1 bilhão apenas com os royalties. 

O prefeito Sadinoel Souza conta que enquanto a Unidade de Processamento de Gás (UPGN) do Comperj passa por um processo de preparação para as contratações, que passarão a acontecer a partir de julho, a prefeitura tem investido em reforçar o setor de serviços na cidade, além de fomentar o pequeno e médio empreendedorismo.

“Passamos por um período longo apenas pagando dívidas. Como conseguir recursos federais se o Executivo estava sujo na praça? Nosso desafio é se reinventar para não ficarmos apenas dependentes do Comperj. Por isso estamos incentivando os salões de beleza, que podem ter diversos MEIs, estamos incentivando os empreendedores rurais para produzirem para as escolas do município”, enumera o prefeito.

Sadinoel conta ainda que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico está trabalhando para incentivar a volta dos trabalhos dos oleiros e quer transformar a principal via da cidade, a Avenida 22 de Maio, em uma espécie de passarela para a exposição das artes.

“Precisamos incentivar nossos artistas, trazer empresas para o setor de serviços também. O Comperj vai trazer de volta os hotéis e outras empresas que oferecem serviços. Nós precisamos mudar a cultura da cidade e fazer a economia girar. É assim que teremos um município forte economicamente. Agora que voltamos a ter crédito após pagamento das dívidas, em breve as coisas começarão a acontecer”, promete o prefeito.

Ainda segundo Sadinoel, a revisão do Plano Diretor do município, que se encontra em fase de discussões, possibilitará novos empregos após definições de obras. O prefeito afirma que aguarda o quanto antes o parecer dos vereadores. 

Prefeito Fabiano Horta não tem do que se queixar em relação às finanças

Foto: Douglas Macedo

Petróleo impulsiona o desenvolvimento
 
Na cidade de Maricá, o prefeito Fabiano Horta não tem do que se queixar em relação às finanças. Isso porque o município é o principal beneficiado com a produção dos campos do pré-sal. Para se ter uma ideia do que isso representa para a cidade, o município detém 49% da confrontação relativa ao Campo Lula, na Bacia de Santos, hoje o recordista nacional de produção. 

Nesta semana, a prefeitura depositou um primeiro aporte no valor de R$ 30 milhões no Fundo Soberano de Maricá, criado por uma lei municipal para ajudar a garantir o futuro da cidade em um ciclo pós-royalties do petróleo, como se fosse uma poupança, um investimento.

O prefeito Fabiano Horta conta que precisa resolver dois problemas crônicos que ainda afetam a cidade: saneamento básico e energia. E que pretende usar os recursos provenientes do petróleo no desenvolvimento econômico de Maricá. Segundo ele, muitas empresas deixam de se instalar no município pela falta da garantia desses insumos.

“Nós estamos trabalhando para que implantemos o nosso Parque Tecnológico (PQTec), além de universidades em Maricá. Mas eu não posso fazer nada sem antes resolver problema de falta de água, falta de energia, ou seja, eu preciso garantir que essas empresas tenham tudo o que precisarem. Só assim nós teremos uma economia mais forte, gerando emprego e renda para os moradores da cidade”, explica Fabiano.

O prefeito ressalta também que o município está trabalhando arduamente para tirar do papel diversos projetos como operações aéreas offshore, novas instalações do aeroporto, hotéis e serviços, além do Parque Industrial. 

Outra medida para alavancar o pequeno e médio empreendedor aconteceu na última segunda-feira, através de uma parceria entre a Prefeitura de Maricá e o Banco do Brasil.
O objetivo é fomentar linhas de crédito para os empresários locais. Esse modelo de acordo já foi implementado anteriormente, entre a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro, a AgeRio. 

A principal linha de crédito será o Proger Urbano Empresarial. Ele tem como foco financiar reformas ou compra de máquinas, equipamentos e veículos automotores. 

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