| Publicado em 19/04/2005 |
| | A iluminação de Paulo Coelho | Roberto Santos | | | "O amor é uma força selvagem. Quando tentamos controlá-lo, ele nos destrói. Quando tentamos aprisioná-lo, ele nos escraviza. Quando tentamos entendê-lo, ele nos deixa perdidos e confusos". (pág. 94)
O Zahir. Paulo Coelho. Editora Rocco. 320 páginas. R$35.
O Zahir é o mais autobiográfico dos livros de Paulo Coelho, pois o protagonista é um escritor famoso que escreve Tempo de rasgar, tempo de costurar, título baseado em um verso do Ecledsiastes, um hino ao amor, em primeiro lugar na lista dos mais procurados, mas com suplementos literários hostis ao texto – livro com "frases curtas, estilo superficial", cheio de marketing... e um sem-número de registros muito comuns à carreira do escritor brasileiro que mais vende livros. Por quê? Por muitas razões, mas a primeira delas está no fato de muitos não gostarem gratuitamente da escritura de Paulo Coelho. Integram o grupo clássico do "não li e não gostei".
Crítica – Aqui, neste espaço, já criticamos livros de Paulo Coelho, com sinetes de reprovação, sobretudo em Brida, As Valkírias e Veronika decide morrer. Mas já elogiamos O Alquimista, O Diário de um mago, O Demônio e a Sra. Prym e, com todas honras, o excelente Onze Minutos. Estamos à vontade para dizer, desde já, que O Zahir é um livro fantástico. A começar pelo título, o mesmo do conto de Jorge Luis Borges, que confessa ter sofrido, ao escrevê-lo, forte influência do conto The crystal egg, de Wells.
Harold Bloom, o maior crítico literário dos nossos tempos, já analisou "a angústia da influência", força inconsciente em algumas grandes obras. O Zahir de Paulo Coelho logo confessa a influência citando Borges: "Em Buenos Aires o Zahir é uma moeda comum de vinte centavos; marcas de canivete ou de corta-papel riscam as letras NT e o número dois...". Muitos outros símbolos cercam O Zahir, vindo da tradição islâmica, significando, em árabe, visível, presente, incapaz de passar despercebido. E pode levar um homem à santidade ou à loucura. Todo mundo na vida pode ter um Zahir – que pode ser uma pessoa, um trabalho, um objeto – capaz de causar uma fixação forte, doentia.
Explicação – É o que acontece com o personagem principal, que vive um casamento aberto até sua mulher, Esther, sem maiores explicações, abandoná-lo. E, desde aí, a pouco e pouco, vai surgindo um jovem estrangeiro, Mikhail, que parece ser o alvo da paixão dela. Traído e abandonado, o escritor-narrador sente que Esther é o seu Zahir.
O texto de O Zahir é de prazerosa leitura, em estilo direto e muito próximo do leitor, e nisso reside uma das causas do sucesso editorial de Paulo Coelho. Outra causa está na mestria com que o autor mistura o ficcional com o real, neles injetando aquelas tintas já apontadas Tzvetan Todorov para definir o que é fantástico: o texto deve obrigar o leitor "a considerar o mundo das personagens como um mundo de pessoas vivas e a hesitar entre uma explicação natural e uma explicação sobrenatural dos acontecimentos evocados".
O Zahir é um lançamento mundial. O primeiro de um brasileiro, em 56 idiomas. Um feito e tanto. De dar, até, entre alguns, o ranço da inveja. Mas que não interessa, pois Paulo Coelho tem luz própria, ou até luz dirigida. Pode-se até não gostar dele. Só não se podem negar seus visíveis méritos. Um "Guerreiro da Luz" com um Zahir, chamado sucesso, entre seus mais de 65 milhões de livros vendidos.

O TEXTO É NOTÍCIA
Hoje, às 19 horas, no auditório do SEBRAE - RJ (Rua Santa Luzia, 685, 9º andar, Centro, Rio), palestra da professora Sylvia Constant sobre Impacto dos direitos dos consumidores nas práticas empresariais, com lançamento de livro e debate. Informações e inscrições gratuitas pelo (21)2215-9337.
Hoje, às 17h30min, na Academia Brasileira de Letras (Avenida Presidente Wilson, 203, 1º andar, Castelo, Rio), conferência de Isabel Maria Carvalho Vieira sobre os 200 anos do nascimento de Haus Christian Andersen.
A lição de Charcot, de Antonio Quinet, terá lançamento hoje, às 19h30min, na Livraria da Travessa (Rua Visconde de Pirajá, 572, Ipanema, Rio), com o sinete editorial de Jorge Zahar.
Mais um extraordinário lançamento da Rocco: Meus Contos Esquecidos, singular antologia de Lygia Fagundes Telles.
Dentro da série Senhores de Roma, o livro IV, de Collen McCullough – As Mulheres de César, num lançamento da Bertrand Brasil.
Genebaldo Freire Dias assina 40 contribuições pessoais para a sustentabilidade, pela Editora Gaia, indicando como se construir um ambiente mais saudável e uma sociedade mais justa.
Para quem viu e para quem não viu o filme O casamento de Romeu e Julieta, o livro de Mario Prata, pela Ediouro – Palmeiras, um caso de amor.
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