Sol, mar, areia, verão, corpos sarados. Para curtir a estação mais animada do ano só a praia não basta. Tem muita gente que descobriu que o melhor pode ser esticar o mergulho. No Seu Antonio do Bacalhau, no Cafubá, Região Oceânica de Niterói, o traje não é problema.
Quer dizer, não é problema porque o ambiente despojado propicia um clima agradável, mas
entrar no restaurante somente de biquíni ou sunga não é permitido. Para solucionar a dificuldade, Fernando Nunes, filho do proprietário e gerente da casa, resolveu providenciar shorts para emprestar aos, digamos, mais "despreparados". O local é, há 17 anos, um dos points preferidos dos niteroienses depois da praia. A escolha, segundo Nunes, aconteceu
"sem querer".
"Meu pai tinha um chuveiro nos fundos do restaurante. Como aqui o chão era de terra e várias pessoas chegavam com areia no corpo, elas iam direto se lavar no chuveiro e depois
sentavam para almoçar. Porém, depois de algumas reclamações de clientes, resolvemos aderir aos short, o que está dando muito certo e não incomoda ninguém", conta.
Ficar 40 minutos na fila não é problema para o casal Paulinho Guitarra e Jane Lapa. Músico, ele apresentou Itacoatiara e o restaurante para sua mulher, que é gaúcha e agora não quer mais saber de outra coisa. Fãs do caldinho de feijão com chope, eles definem o
local favorito como o "programa do casal apaixonado".
"Somos felizes por ter a dobradinha Praia de Itacoatiara e Seu Antonio do Bacalhau!", derrete-se Jane.
Já Paulinho relembra a época em que marcava presença no restaurante depois dos ensaios de sua banda.
"Foi por volta da década de 80. Nós vínhamos para a casa de um amigo e o Seu Antonio
já estava incluído no roteiro", comenta ele, que atualmente é guitarrista do cantor Ed Motta
e do grupo Th e Very Very Cool Cool Band. Por conta do grande movimento durante o verão, Fernando resolveu montar um "bar de espera".
"Temos um depósito que será um bar para as pessoas esperarem na fila. Em dois meses acredito que já estará pronto", diz.
Parada quase que obrigatória do caldo de cana e pastel
Parte da vida dos freqüentadores das praias da Região Oceânica há 32 anos, não há quem não conheça ou nunca tenha parado na pastelaria Fla-Flu. Localizada na Estrada Francisco da Cruz Nunes, o restaurante começou – na época era apenas um quiosque - vendendo caldo de cana e água de coco. Foi então que Antonio Esteves Filho, idealizador do estabelecimento, resolveu aderir aos pastéis, hoje, carro-chefe do local. O fato de estar localizado no caminho de volta do litoral faz com que a pastelaria, atualmente comandada pelos filhos de Antonio, já falecido, receba um público diversificado. Pelo menos é o que garante Alda Esteves Neves.
"Graças a Deus a nossa pastelaria é visitada pelas classes A, B, C e, se existirem classes além dessas, outras também. Aqui, você vai encontrar um cliente de terno e gravata ou calça jeans e blusa. Nesta mesma hora aparece um que está de sunga e descalço ou um surfista. Ou seja, todo tipo de cliente pára aqui".
Contudo, Alda afirma que o público fiel é aquele "sujo de areia e sal". "Seja no verão ou no inverno, fez sol, a pastelaria fica lotada", finaliza uma das proprietárias, que lembra que o estabelecimento não abre apenas às terças-feiras.
‘Pré-night’ econômica e ao som de DJ
E para o pessoal que espera encontrar uma boa diversão depois da praia sem gastar muito dinheiro a pedida é o quiosque Pôr-do-Som, em Itacoatiara. A partir das 16 horas, aos sábados e domingos, o DJ Caju comanda as pick-ups do happy hour. Com inspiração em Ibiza, a ilha espanhola que não dorme, Gustavo Tepedino, proprietário, começou o projeto há seis anos e gostou do resultado.
Segundo o gerente Dagoberto Soares, o Binho, o evento não serve apenas como um pós-praia, mas também como uma "pré-night".
"Recebemos pessoas aqui de 15 a 40 anos. A maioria já está na praia e vem pra cá escutar música, que é muito diversificada. Acaba subindo e ficando até a noite. Agora tem a galera que sai de casa só para vir para o happy hour, que termina por volta das 20 horas, e daqui parte para a noitada", comenta Binho.
Um grupo de amigos liderado por Gustavo Victer bate ponto no local todo início de janeiro, para celebrar o Dia dos Amigos, nome dado ao encontro anual promovido por eles há nove anos. E a escolha do local se deu depois de um dia procurando o que fazer sem nenhuma solução.
"Somos um grupo de nove pessoas que se conhecem há mais de 15 anos. Um dia decidimos nos encontrar, porém não tínhamos aonde ir. Ficamos a noite toda procurando o que fazer e acabamos na casa de um deles. Para não termos mais problemas, resolvemos que o encontro seria sempre aqui em Itacoatiara, no quiosque. E foi a melhor coisa que fizemos. O happy hour com esse sonzinho, nesse final de tarde, é altamente relaxante", comenta Gustavo, entre um gole e outro de caipirinha.