
Como você reagiria se, caminhando pela rua, encontrasse com o personagem japonês Naruto? Ou então com a Sayuri (do desenho animado Sakura Card Captors)? Pois saiba que isso é cada vez mais possível.
Os cosplayers, como são conhecidos, começam a se espalhar pelo Brasil e a levar artistas do país a competições internacionais. Niterói não ficou fora. Hoje, adeptos do cosplay da cidade conquistam prestígio nas competições. Neste mês, a cidade do Rio de Janeiro realiza três importantes eventos de anime: o Anime Center, na Uerj, o Anime Mania Rewiew, na Tijuca, e o Anime Evoltuion Party, no Circo Voador. Entre os moradores de Niterói Alessandra Fernandes foi classificada para final brasileira do World Cosplay Festival (WCF), realizado em São Paulo, em 2006.
O termo cosplay surgiu da união de costume e play e significa, basicamente, brincar de se fantasiar. São pessoas que gostam de se caracterizar como personagens de algum livro, mangá (tipo de quadrinhos japonês), jogo ou filme. Seja para homenagear o ídolo ou para disputar concursos, o importante é a diversão.
O cosplayer Cláudio Roberto Braga tem 31 anos e mora em São Gonçalo. Ele conta que a prática surgiu no Japão, em 1983, quando eram feitas convenções de Star Wars e Star Trek no país. Foi uma moda que surgiu de forma espontânea e começou a chamar a atenção. No Brasil, chegou com mais força em 1996, quando a Associação Brasileira dos Desenhistas de Mangá e Ilustração (Abradeni) realizou o Mangácon.
"Esse foi o primeiro evento do tipo por aqui. Depois dele surgiu o Animecon e o Anime Friend em São Paulo", conta Cláudio.
Disputa
Cláudio Roberto explica que no Rio de Janeiro existem quatro eventos que realizam concurso de cosplay: O Anime Center, Anime Mania Rewiew, Anime Evolution Party e o Carioca Anime. A disputa é grande. Os candidatos devem estar impecáveis para se divertir e conseguir faturar algum prêmio: viagens e cestas com MP3 e DVD. Cláudio já faturou alguns desses prêmios e revela verdadeiras celebridades nos concursos.
"Tem a Thais Yuki, o Marcelo Vingaard, a Mariana Plu Moon, Alessandra Fernandes (niteroiense que participou de uma das etapas do mundial)", enumera Cláudio.
A carioca Thaís Jussim, mais conhecida como Thaís Yumi, é um dos destaques entre os cosplayers. Junto com o namorado, ela participou de uma das etapas do mundial.
"Comecei quando freqüentava os eventos de anime. Achei muito interessante ver as pessoas se vestindo dos personagens que gosto. É como tê-lo, em carne e osso, por um momento", completa, revelando que o cosplay a ajudou nos trabalhos da faculdade de Cenografia.
A competição é dividida em cinco categorias: individual tradicional, individual livre, grupo tradicional, grupo livre e desfile.
A estudante Alessandra Fernandes, que mora em Niterói, é cosplayer há cerca de oito anos. Ela sempre foi apaixonada por fantasias e uniu o útil ao agradável. Junto com a amiga, a jornalista Petra Leão, ela representou a arte no mais importante concurso de cosplay, que aconteceu em São Paulo: O World Cosplay Festival (WCF).
"Fiquei emocionada e animada com a perspectiva de representar o país em uma competição internacional. Como foi a primeira vez, encarei sem preocupação. Na próxima, vou ficar ainda mais atenta", afirma a estudante de 23 anos.
Ela conta também que os vencedores da categoria, os irmãos Maurício e Mônica Somenzari, de São Paulo, ganharam o mundial realizado no Japão.
Faça você mesmo
O grande desafio de ser cosplay é o "faça você mesmo". O cosplayer providencia materiais para as roupas que ele mesmo faz. No caso dos menos talentosos, enviam suas encomendas para costureiras prepararem os trajes. Além do figurino existe a preocupação com a apresentação e o cenário. Tudo para garantir um belo espetáculo. A cosplayer Lidiana Cristina, de 17 anos, conta que alguns chegam a gastar mais de R$ 1 mil em roupas e acessórios para encarnar seu personagem favorito por um dia.
"Comecei a fazer porque já gostava de anime (desenho japonês). Quando surgiu o cosplay eu procurei na internet e me apaixonei. O máximo que gastei em um cosplay foi R$ 150, mas tenho um amigo que já investiu R$ 700 em uma fantasia", acrescenta Lidiana, que mora no Fonseca, em Niterói.
O estudante de Design Gustavo Brás, de 20 anos, ressalta que existem vários motivos que levam as pessoas a fazerem o cosplay. Alguns por vaidade, por diversão ou só para ter o ego levantado.
"Pretendo levar o cosplay adiante, pois é uma coisa que eu gosto. Faço por diversão, por prazer", revela Brás.
De início, a idéia de representar um personagem conhecido pelos fãs assusta. O gonçalense Matheus Tinoco, de 14 anos, conta que no início, achava uma coisa fora da sua realidade, mas quando fez pela primeira vez viu que não era tão surreal.
"Faço mais por descontração. Acho legal ir a um evento e a pessoa reconhecer o personagem e pedir para tirar foto", brinca.
Reação
Muitas pessoas não entendem a performance e consideram estranha a prática de cosplay. A estudante Lidiana Cristina conta que, em seu local de trabalho, os companheiros acham engraçado e pensam que é um tipo de teatro.
"Eles não entendem muito, mas acham legal", afirma.
O gaúcho Gustavo Brás, que atualmente vive em Niterói, não encontrou tanta facilidade assim. Na faculdade ele enfrentou a resistência dos colegas.
"Fui muito discriminado por ser cosplayer. Algumas pessoas não entendem a paixão que temos por esses personagens e acham que é uma coisa infantil", explica.
Já Matheus Tinoco conta que, no começo, ficou incomodado com a indiferença de algumas pessoas, mas que hoje o que os outros pensam já não importa.
"O que interessa é a gente fazer o que gosta. Os cosplayers têm a atividade como um hobby e levam a diversão de brincar de se fantasiar", ressalta.