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Ter, Out

Nelson Teich é anunciado por Bolsonaro como novo ministro da Saúde

Bolsonaro apresentou Nelson Teich durante a tarde desta quinta - Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil

Nacional
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Em pronunciamento oficial na tarde desta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro apresentou o oncologista Nelson Teich como o novo ministro da Saúde, em substituição de Luiz Henrique Mandetta, demitido nesta tarde. O presidente disse que a exoneração de Mandetta ocorreu em comum acordo, mas que a questão da economia não foi tratada pelo até então ministro como ele, o presidente, achava que tinha que ser.

"Agora pouco terminei uma reunião com o ministro Mandetta. Discutimos a situação atual do ministério e da pandemia. Selamos um ciclo no Ministério da Saúde. Ele (Mandetta) se prontificou, como era esperado. Em comum acordo, eu o exonero do Ministério nas próximas horas. Foi realmente um divórcio consensual", declarou Bolsonaro.

O presidente da República ainda afirmou que a maior preocupação agora é a vida dos brasileiros e voltou a citar o discurso do chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Addhanom, para defender seu ponto de vista em relação à economia. Bolsonaro declarou que uma pessoa desempregada fica mais propensa a ter problemas de saúde e, por isso, a manutenção do emprego deve ser colocada em prática.

"Acima de mim, como presidente, está a saúde do povo brasileiro. A vida, para todos nós, este em primeiro lugar. A questão do coronavírus se abate sobre todo o mundo e cada país tem as suas especifidades, como bem disse o chefe da OMS. No Brasil não é diferente. Como presidente, coordeno 22 ministérios. Na maioria das vezes, o problema não afeta apenas um ministério. Uma pessoa desempregada fica mais propensa a sofrer problemas de saúde do que uma outra empregada", disse Jair.

Bolsonaro também voltou a criticar a imprensa e disse que seus discursos sobre o enfrentamento à pandemia tiveram interpretações diferentes. O presidente disse que um clima de histeria tomou conta do país e que isso pode levar às pessoas a se tornarem mais propensas às doenças.

"Desde o começo da pandemia, falei da vida e do emprego. Sabemos das interpretações que fazem a respeito daquilo que se fala. Depende da linha editorial ou daquele repórter. Sempre falamos em vida e emprego, nunca em economia isolada. Busquei levar tranquilidade. O clima quase de terror se instalou na sociedade. Isso não é bom. Uma pessoa que vive sobre tensão, num clima de histeria, está propensa a adquirir novas doenças.
Entendemos a gravidade da situação. Gostaríamos que ninguém perdesse a vida.

Em relação à atuação de Luiz Henrique Mandetta no cargo, Bolsonaro disse que ele tem direito de defender seu ponto de vista como médico, mas que também precisa entender o emprego, e que isso não aconteceu da forma que ele achava que tinha que ser.

"Não condeno, não critico o ministro. Ele fez aquilo que, como médico, achava que tinha que fazer. Ao longo desse tempo, a separação se tornava uma realidade. Não podemos tomar decisões que resultassem no trabalho perdido. O que eu conversei com Nelson foi de fazer com que ele entendesse a situação como um todo, sem abandonar a manutenção da vida, mas ao lado disso tínhamos outros problemas, como o emprego, cada vez mais vemos que é claro. Não é o que gostaria de fazer, é o que pode ser feito. Os mais necessitados não têm como ficar em casa", defendeu o presidente.

Discordando do isolamento horizontal, Bolsonaro disse que, gradativamente, "temos que abrir o emprego no Brasil", porque além de poder demorar a voltar à normalidade, outros problemas vão aparecer. Segundo o chefe do Executivo, já foram gastos R$ 600 bilhões nas medidas de auxílio aos brasileiros, e que esse número pode chegar a R$ 1 trilhão.

Assim, o presidente disse que a vida não tem preço, mas que é preciso flexibilizar o isolamento para que os empregos sejam mantidos. Bolsonaro pediu prudência nas decisões tomadas pelos poderes e criticou, mais uma vez, as medidas adotadas por governadores e prefeitos no combate ao novo coronavírus.

"O governo não é uma fonte de socorro eterna. Eu, em nenhum momento, fui consultado sobre as medidas adotadas por governadores e prefeitos. O preço vai ser alto. Se, por ventura, exageraram, não coloque essa conta nas costas do nosso sofrido povo brasileiro. Não queremos criar polêmica com outro poder. Todos são responsáveis por seu atos. Não furtarei a minha responsabilidade. Decisões sou obrigado a tomar. Jamais pecarei por omissão. Esse é o ensinamento que tive na minha carreira militar".

 

Teich defende testagem em massa

Em seu discurso após o presidente, Nelson Teich disse que não haverá uma definição "brusca ou radical" sobre a questão das diretrizes para o isolamento social, mas enfatizou que a pasta deve tomar decisões com base em informações mais detalhadas sobre o avanço da pandemia no país. Nesse contexto, ele defendeu um amplo programa de testagem para a covid-19 e ressaltou que está completamente alinhado ao presidente Jair Bolsonaro, na perspectiva de retomar a normalidade do país o mais breve possível.

"Existe um alinhamento completo aqui, entre mim e o presidente, e todo o grupo do ministério, e que realmente o que a gente está aqui fazendo é trabalhar para que a sociedade retome cada vez mais rápido uma vida normal", disse.

 

Perfil
O novo ministro da Saúde é médico oncologista e empresário do setor. É natural do Rio de Janeiro, formado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), com especialização em oncologia no Instituto Nacional de Câncer (Inca). Também é ócio da Teich Health Care, uma consultoria de serviços médicos.

Teich chegou a atual como consultor informal na campanha eleitoral de Bolsonaro, em 2018, e foi assessor no próprio Ministério da Saúde, entre setembro do ano passado e janeiro deste ano.