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Sáb, Out

Ouvidor quer câmara técnica para investigar violência policial em SP

Elizeu Lopes diz que ocorrências aumentaram durante pandemia - Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Nacional
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O ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Elizeu Soares Lopes, informou hoje (16) que deve propor ao governo a criação de uma câmara técnica para acompanhar os casos de violência policial na região. Episódios com relação a esse tipo de crime têm repercutido recentemente no Brasil em outros países, como os Estados Unidos, onde o assassinato de um homem negro pelas mãos de um policial branco causou revolta na população de Minneapolis, levando milhares de pessoas às ruas, em sucessivos protestos. George Floyd foi morto por asfixia, no dia 25 de maio.

Em São Paulo, suspeitas de que policiais militares tenham executado um jovem negro de 15 anos, identificado como Guilherme, em Vila Clara, mobilizou a comunidade do bairro na noite desta segunda-feira (15). A Polícia Civil investiga o caso.

Segundo Lopes, as ocorrências de abuso policial têm aumentado durante a pandemia, o que, inclusive, pontua ele, vai na contramão dos demais índices, que sofreram queda, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública. "Queremos abrir uma câmara temática para discutir isso com a sociedade e os órgão de segurança pública do estado de São Paulo", disse o ouvidor. "Existe hoje um debate no mundo e, no Brasil, em particular, sobre a atividade policial e precisamos pensar um pouco o que está circundando essa prática".

Uma das questões transversais à truculência praticada por parte dos policiais é o racismo. Como revelam números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a maioria (75,4%) das vítimas fatais dos abusos registrados entre 2017 e 2018 era negra, motivo pelo qual a reportagem questionou o ouvidor sobre o assunto. "Precisamos ressignificar a sociedade brasileira quanto à figura das pessoas pobres, em particular, da população negra", afirmou.

Outro caso marcante, desta vez no Brasil, foi o do jovem João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, assassinado a tiros, uma semana antes de George Floyd. Ele foi atingido durante uma operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Depois da ação, foram contados 72 orifícios na fachada da casa do adolescente, resultado de disparos de arma de fogo.

Também perguntado se considera que há diferença no tratamento dirigido a pessoas brancas e negras, em abordagens policiais, Lopes diz que sim e exemplifica com o caso dos jovens vistos na Avenida Paulista, neste domingo (14), trajando roupas com suásticas, símbolos alusivos ao nazismo. "Ontem, pedi para abrir um procedimento em relação ao caso, em que os jovens foram detidos e liberados. Eles estavam fazendo manifestações de racismo e crime de ódio, inclusive com suásticas, o que é ilegal. Nós pedimos, ontem mesmo, para que seja feito um boletim de ocorrência. Estamos tendo uma atitude bem contundente, para não permitir que essas coisas fiquem impunes", sustenta Lopes, acrescentando que policiais que perpetram abusos devem ser punidos "com rigor", conforme a lei.