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Alteração no fundo da Alerj deve financiar respiradores

Projeto que permite a medida deve ir a plenário nesta quinta. Recursos serão liberados após consulta a órgãos de controle - Foto: Divulgação

Rio de Janeiro
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A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) vai alterar a lei que deu origem ao Fundo Estadual da Assembleia Legislativa, para que seja possível utilizar estes recursos para custear projetos de centros de pesquisas tecnológicas vinculados a universidades estaduais e federais, além de programas na área de Saúde, Educação e Segurança Pública, após consulta a órgãos de controle. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (29/04) pelo presidente da Casa, deputado André Ceciliano (PT), durante reunião da Comissão de Ciência e Tecnologia da Alerj, presidida pelo deputado Waldeck Carneiro (PT). A mudança é necessária para que o Parlamento destine recursos para que a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) produza respiradores desenvolvidos pela instituição para o uso no tratamento de pacientes com a Covid-19.

Atualmente, a instituição conta com cinco equipamentos funcionando, mas pretende projetar mais mil. "O programa de Biomédica da UFRJ está fazendo um belo trabalho na luta por vidas e precisamos contribuir minimizar ainda mais os impactos desse vírus. Precisamos investir em pesquisa para que a gente dependa cada vez menos das compras de equipamentos de fora do país. Hoje mesmo vou apresentar essa sugestão aos deputados", afirmou Ceciliano. O projeto será discutido em sessão plenária virtual nesta quinta-feira (30/04).

O presidente da comissão, deputado Waldeck Carneiro, também frisou a importância de investir nas áreas de ciência e tecnologia das universidades. "Sem isso o estado não avança. Vale parabenizar a UFRJ, instituição que completa 100 anos de existência em 2020, pelo brilhante trabalho no combate ao coronavírus. Da área da saúde, passando pela área química, a UFRJ está sendo uma referência", elogiou o petista.

Baixo custo

Os respiradores foram desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores do Programa de Engenharia Biomédica da Coppe/UFRJ, e foram montados com peças disponíveis no mercado nacional. Para a produção das unidades, a UFRJ lançou na última semana uma campanha de financiamento. Os respiradores produzidos pela universidade serão doados a unidades hospitalares para reforçar emergencialmente os leitos de tratamento da Covid-19.

De acordo com a reitora da universidade, Denise Pires de Carvalho, os próprios pacientes do Hospital Universitário da UFRJ já estão usando os respiradores projetados pela instituição. Ela ainda ressaltou que a universidade já produziu 35 mil litros de álcool, realiza testes sorológicos junto à Fiocruz, projetou máscaras em 3D e está com seu corpo de pesquisa realizando um trabalho multidisciplinar. No entanto, a reitora lembrou que o grande gargalo da instituição está sendo na contratação de profissionais. "Isso nos preocupa", pontuou.

Denise também esclareceu que o hospital universitário da UFRJ conta com 60 leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e já estão sendo reabertas enfermarias para atender os pacientes com corona. "Dividimos o hospital em duas áreas: pacientes com covid e não covid. Já entendemos que ainda estamos na fase ascendente da curva. Muitas mortes ainda vão ocorrer e estamos lutando contra o tempo. Os números estão virando nomes, e cada vez mais conhecidos e próximos morrem", desabafou Denise.

Ano Letivo

O deputado Waldeck Carneiro também questionou a reitora sobre a situação dos alunos e, em resposta, Denise lembrou que o calendário acadêmico está suspenso e que a universidade está usando as tecnologias de informação para manter contato com os estudantes. Ela destacou também que a universidade está fazendo uma pesquisa para diagnosticar qual é o perfil dos estudantes.

"Não damos andamento às nossas aulas virtuais por dois motivos: acreditamos que os alunos e professores estão sem estruturas psicológicas diante desse cenário e não sabemos quais deles têm acesso a banda larga ou a um computador em seu ambiente domiciliar. Estamos falando de uma instituição pública com uma variação de alunos muito grande", lembrou a reitora. Denise ainda declarou que a pesquisa será enviada para a Comissão de Ciência e Tecnologia da Alerj. ˜É importante que o Parlamento também tenha esse raio-x da maior universidade do estado", concluiu.

No caso dos alunos que estão perto de se formar, a reitora esclareceu que cada situação está sendo analisada com cuidado. "Estamos estudando o que faremos com estudantes dos últimos períodos dos cursos com mais delicadeza e caso a caso", disse. Denise também reiterou que o retorno às aulas será gradual e demorado. "Esse não será o regresso de uma greve longa, não sabemos o que acontecerá com o Brasil. Não podemos submeter estudantes e professores à possibilidade de infecção. Precisamos pensar na desinfectação das salas, por exemplo. Estamos falando de um vírus altamente contagioso. Não haverá um retorno normal", pontuou Denise.

Museu Histórico Nacional

O presidente da Casa também frisou que ainda em maio o Parlamento irá destinar R$ 20 milhões para a reforma do Museu Histórico Nacional. Segundo Denise, a previsão é que o espaço seja reaberto em 2022, para a comemoração do bicentenário da Independência do Brasil. "A expectativa é que as obras de reconstrução da fachada do prédio histórico comece ainda em setembro", informou.

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