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Witzel estuda decretar 'lockdown' no Rio de Janeiro

Governador garantiu salários de servidores referentes aos meses de abril e maio - Foto: Reprodução/TV Cultura

Rio de Janeiro
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O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, confirmou a possibilidade do estado entrar em lockdown, por conta da pandemia da covid-19. No entanto, ele afirma que o Poder Judiciário seria responsável por estabelecer os limites para a circulação de pessoas. Witzel também estuda sanções a quem descumprir as determinações de isolamento social.

As declarações foram dadas, na noite de segunda-feira (4), durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Além dos temas relacionados ao combate ao novo coronavírus, o governador também garantiu o pagamento referente aos meses de abril e maio aos servidores estaduais.

Witzel esclareceu que o termo lockdown não existe na legislação brasileira. Ele afirmou que nesta terça-feira (5), terá uma reunião com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para discutir sobre o assunto, além de possíveis punições, como multas, a quem violar o decreto de isolamento social.

"O termo lockdown não existe na nossa legislação e construir essas medidas vai exigir um debate com o Ministério Público e a Defensoria Pública e estabelecemos as regras que podem ser necessárias para que, se necessário, façamos uma maior restrição da circulação das pessoas”, disse o governador.

Questionado sobre o decreto de lockdown no estado do Maranhão, Witzel afirmou que foi obtido por via judiciária. Ele disse existir a possibilidade do MPRJ fazer o pedido. "No Maranhão [o lockdown] veio por via judiciária. Aqui, se for o caso, o Ministério Público vai ter que entrar na justiça e pode acontecer no Rio de Janeiro. Para que o Poder Judiciário estabeleça esses limites para a circulação de pessoas", pontuou.

O governador defendeu o isolamento social como medida mais eficaz no combate ao coronavírus e fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro que, na avaliação de Witzel, estaria estimulando que pessoas não fiquem em suas casas. Wilson Witzel lembrou que há a proibição de carreatas e manifestações, a fim de evitar aglomerações.

Em relação à falta de leitos para tratamento da covid-19, Wilson Witzel afirmou que, até o próximo domingo (10), os hospitais de campanha serão inaugurados. "Nós colocamos a disposição para o combate ao coronavírus mais de 600 leitos e estamos construindo os hospitais de campanha que vão agregar mais 1.200 leitos para o atendimento exclusivo."

Salários

Durante a entrevista, o governador afirmou que os salários dos servidores, referentes ao mês de abril e maio, estão garantidos. Além disso, ele reiterou o esforço para que todos os vencimentos até o final de 2020 sejam quitados em dia. "Todos os servidores receberão. Estamos trabalhando para pagar os salários até o final do ano mesmo com todos os problemas que estamos enfrentando", disse Witzel.

Combate ao crime

Questionado sobre a dificuldade do combate à covid-19 em comunidades, por conta da presença de organizações criminosas como tráfico e milícia, Witzel reiterou o compromisso do governo no combate ao crime organizado e defendeu o diálogo com lideranças comunitárias e associações de moradores na luta contra a doença.

“A realidade das comunidades ainda é muito complexa, porque o crime organizado ainda a usa como escudo e quando a polícia é chamada, os criminosos atiram na população local. Existem muitas lideranças na comunidades com quem podemos conversar, como associações de moradores e líderes comunitários", pontuou.

O governador reiterou a vontade em ter o ex-ministro da Justiça Sergio Moro como titular na recém anunciada Secretaria de Justiça. Witzel acredita que o ex-juiz pode ajudar no combate a vários crimes, principalmente no combate à lavagem de dinheiro, levantada pelo governador como uma das bandeiras de seu governo.

"Sergio Moro poderia ajudar no combate à lavagem de dinheiro, ele é um especialista nesse assunto. Quanto mais nós tivermos ajuda para trabalhar juntamente com a Polícia Civil a atuação será cada vez melhor", afirmou.

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