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UFF expande programas no combate à covid-19

Professores e alunos da Faculdade de Engenharia produzem máscaras shield - Foto: Divulgação

Niterói
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A Universidade Federal Fluminense (UFF) está com importantes iniciativas e ações com o objetivo de colaborar no enfrentamento ao novo coronavírus. Desde o início da proliferação da doença no país, professores e alunos vêm desenvolvendo estudos e projetos para auxiliar na testagem, apuração de dados e prevenção e tratamento da covid-19.

A ciência tem sido peça-chave para enfrentar o cenário de pandemia e, em Niterói, a Faculdade de Engenharia, através da Iniciativa "Frente UFF", tem produzido mais ferramentas para apoio aos profissionais da saúde e à população.

A Faculdade de Engenharia possui projetos em fase de produção e testes como as válvulas "Y", que duplicam a capacidade de atendimento dos respiradores convencionais, já instalados nas unidades; válvulas "T" neonatal, que adaptam os circuitos para nebulização neonatal; "escudos" para médicos, que protegem fisicamente o profissional de saúde que precisa manipular paciente internado; respiradores mecânicos, para casos de extrema necessidade, na falta de respiradores convencionais; e vestimenta de proteção para equipe médica.

As ferramentas, assim como as máscaras, produzidas pelo grupo, são feitas a partir de corte a laser, montagem e algumas peças impressas em impressoras 3D. O trabalho é realizado em parceria com o Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), onde os aparelhos são testados e ajustados conforme a necessidade e segurança para a população e profissionais da saúde.

Produção de álcool - Além de abastecer suas próprias unidades hospitalares, a UFF é uma das colaboradoras no fornecimento de álcool 70% para a prefeitura. A produção tem parceria com o Instituto de Química, a Faculdade de Farmácia e o Laboratório Universitário Rodolpho Albino (Lura), que resulta na produção de 1,4 mil litros de álcool a 70% INPM por semana.

A iniciativa faz parte de uma plataforma regional de combate à covid-19 para a produção do álcool 70% INPM, da qual participam todas as universidades públicas sediadas no Rio de Janeiro, como a UFF, UFRJ, IFRJ, UniRio, Uerj, entre outras, com coordenação da UFRJ.

O reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, explica que a produção do material é uma ação de proteção, valorização e cuidado com a saúde dos profissionais que atuam na linha de frente do combate ao coronavírus, funcionários das áreas essenciais, de saúde, limpeza e outros.

"Queremos salvar vidas. Nossa atuação junto à prefeitura e outras instituições tem como intuito articular tecnologias e soluções com foco na vida das pessoas, incluindo também ações de mitigação dos impactos sociais e econômicos causados pela pandemia", destaca.

De acordo com o diretor do Lura, Carlos Peregrino, houve uma rápida e expressiva adesão à iniciativa logo após a divulgação na internet de uma convocação para o cadastramento de docentes e estudantes que quisessem participar.

"Em 48 horas, tivemos aproximadamente 280 cadastrados da comunidade interna, mostrando que a universidade está mobilizada, mesmo estando todos em suas residências, obedecendo ao isolamento necessário", comemora.

Testes - Uma equipe formada por professores e alunos de pós-graduação do Huap começaram a confeccionar testes para diagnóstico da covid-19 em um de seus laboratórios há quase duas semanas. Devido à expansão do vírus, o projeto surgiu da urgência, para a independência do hospital na produção de laudos em relação a instituições como a Fiocruz e o Lacen - que concentram grande parte da fabricação de testes (regional e nacionalmente).

De acordo com o idealizador do projeto, o professor da UFF e nefrologista Jorge Reis Almeida, quando chegar no meio da epidemia esses resultados vão chegar a tempo de se tomar decisões rápidas, na beira do leito.

"Amanheci com um pensamento fixo: convocar docentes e também alunos de pós-graduação que coordeno no Laboratório Multiusuário de Apoio à Pesquisa em Nefrologia e Ciências Médicas da UFF (Lamap) para essa frente de trabalho em torno do coronavírus. Rapidamente toda a universidade se mobilizou para ajudar de alguma maneira. Além disso, o secretário de Saúde de Niterói viabilizou a compra de um kit para confecção de cem testes, assim como o diretor do Huap", conta.

Voluntariado - O coordenador do Lamap, professor Jorge Reis Almeida, chama a atenção para uma situação que corre paralelamente à pandemia da covid-19 no país, com consequências também devastadoras para a saúde da população.

"Muitos de nossos alunos de pós-graduação estão sem bolsas porque elas foram cortadas. A situação é gravíssima. Estão todos aqui como voluntários. A sociedade precisa compreender que a formação de cientistas, biólogos moleculares, biomédicos é fundamental nesse processo. Muitas pessoas acham que brincamos de ser cientistas, mas o que fazemos é muito sério. Pensamos no Brasil todos os dias", enfatiza.

A doutoranda do Programa de Pós-graduação em Patologia da UFF, Thalia Medeiros Tito Avelar, acrescenta.

"A atuação de todos, voluntariamente, durante a pandemia da covid-19 nos mostra como o trabalho de uma equipe multidisciplinar dentro da universidade, contando com médicos, biólogos, biomédicos e farmacêuticos, pode contribuir para a sociedade. Sinto-me grata pela oportunidade de ajudar".

O projeto também conta com a ação voluntária de costureiras de Niterói, que confeccionam máscaras de tecido. Esses voluntários atuam em parceria com a Faculdade de Engenharia da UFF. Serão fabricadas 10 mil máscaras caseiras, que serão distribuídas para a rede de saúde. As costureiras recebem kits de 120 pedaços de tecido já cortado, 120 amarrilhos, 50 metros de elástico, um carretel de linha e as instruções.

Máscaras faciais - Um grupo de professores da Escola de Engenharia da UFF está desenvolvendo máscaras de proteção de baixo custo do tipo face shield em impressoras 3D. O objetivo é que sejam distribuídas aos profissionais de saúde na linha de frente contra a covid-19. A ideia surgiu com base no projeto público da máscara, desenvolvido pelo fundador da empresa de impressoras 3D Prusa.

Já foram entregues cerca de 250 máscaras face shields pelo grupo de Niterói a 15 instituições atendidas. De acordo com os professores, o material utilizado para confecção das máscaras é de baixo custo, como acetato e silicone, além de possuir filamentos para impressora 3D. Mas este número ainda não supre a necessidade de atendimento.

O modelo das máscaras face shields produzidas em Niterói é diferente do usado em Nova Friburgo. São duas iniciativas distintas da universidade. Ambas buscam parcerias e doações para a confecção do material. A Faculdade de Engenharia de Niterói também coordena o projeto de produção de máscaras de tecido com a atuação voluntária de costureiras da cidade.

Portal de análise - A equipe do Departamento de Estatística da UFF está desenvolvendo o projeto "GET-UFF contra covid-19", que visa colaborar com a análise de dados estatísticos da epidemia, no intuito de compreendê-la e antecipar como será a sua evolução. Os pesquisadores esperam disponibilizar os dados à sociedade através da construção de um portal do projeto.

O professor do Departamento de Estatística da UFF Wilson Calmon explica que a análise desses dados pode ajudar a definir ou redefinir prioridades e formas de atuação frente aos órgãos de controle e aos governantes.

"Queremos também que o cidadão comum possa ter um canal para buscar informações quantitativas respaldado por uma instituição acadêmica", destaca o docente.

Wilson informa que a prioridade são os municípios do estado do Rio, mas a pesquisa pode expandir as análises para outras regiões ou mesmo para outros países. Os docentes pretendem usar métodos quantitativos para descrever diariamente dados do desenvolvimento da epidemia e fornecer, em um segundo momento, estudos mais refinados e projeções. A proposta consiste em reunir as metodologias de estatística e matemática aplicada para modelar variáveis, como, por exemplo, do número de casos confirmados da doença.

Além de docentes e discentes, o projeto conta com a participação da Matemática Aplicada da UFF, de pesquisadores do Núcleo de Estudos Econômicos e Sociais e do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

 

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