Mais de 10 motoristas de ônibus de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí são vítimas da covid-19

Sindicato também alerta para demissões no setor - Foto: Divulgação

Niterói
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O Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) informou que, até esta terça-feira (26), teve conhecimento de 11 mortes de profissionais do setor, entre motoristas e despachantes, vítimas da covid-19. Todos trabalhavam e moravam nas cidades de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.

Para conter o avanço da pandemia, o sindicato iniciou nesta segunda (25) uma ação de fiscalização em terminais e pontos finais de ônibus, visando assegurar que todos os rodoviários estejam usando EPI's, como máscara e álcool em gel. O Sintronac ainda informou que anotará e comunicará às autoridades de segurança os casos em que passageiros não estejam utilizando os equipamentos, em conformidade com as determinações das autoridades municipais.

Em outro pólo de ação sindical, o Sintronac disse que alerta as autoridades públicas federal, estadual e municipais sobre o colapso econômico do setor de transporte rodoviário de passageiros, que já originou a demissão de mais de 2 mil trabalhadores apenas em maio. Até agora, foram 1,2 mil só na Viação 1001 que, no Rio de Janeiro, teve suas operações interestaduais e intermunicipais totalmente suspensas por conta da restrição da circulação dos coletivos determinada pelos governos. Outras, como a Coesa e a Rio Ita, segundo o sindicato, seguem pelo mesmo caminho, com ameaças de demissões e encerramento de linhas intermunicipais.

Em Niterói, o Sintronac disse que tomou conhecimento da suspensão das operações de pelo menos uma linha municipal, a 43 (Fonseca-Centro), da Viação Ingá. Ainda neste município, a Brasília, que possuiu seis linhas, não efetuou o pagamento dos funcionários de março, apontam denúncias. A perspectiva, de acordo com o Sintronac, é que, em junho, as empresas cortem totalmente os benefícios rodoviários, como as cestas básicas, e parem de pagar os 30% dos salários, valor fixado em acordo coletivo, assinado no início de abril entre o Sintronac e o sindicato patronal. Esse valor corresponde ao trabalho por revezamento em escala e que, somado ao auxílio emergencial do Governo Federal, garante uma fonte de renda mínima para os trabalhadores e seus familiares durante a duração da pandemia, ao mesmo tempo que impede demissões em massa.

"O Sintronac lamenta que um setor considerado essencial para a sociedade, como o de transporte rodoviário de passageiros, seja esquecido pelo poder público diante de um quadro econômico tão grave como este provocado pela pandemia, quando outras áreas recebem apoio emergencial e outros benefícios. O colapso total do sistema, que já pode ser enxergado a curtíssimo prazo, havia sido comunicado aos governos em março, tanto pelos sindicatos de trabalhadores e centrais sindicais, quanto pelas entidades representativas das empresas. Contudo, nada foi feito, nenhum canal de diálogo foi aberto e, infelizmente, esse descaso para com o setor irá refletir na população, que ficará sem o principal meio de transporte de massa nos centros urbanos", argumenta o Sintronac, através de nota.