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Com humanos dentro de casa, natureza reconquista espaço

Isolamento social contribui com despoluição e faz animais silvestres mostrarem suas caras nas cidades - Foto: Divulgação / Prefeitura de Niterói

Cidades
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Enquanto os cidadãos cariocas ocupam suas casas e respeitam o isolamento social, medida necessária para diminuir a proliferação do coronavírus, que já vitimou milhares de pessoas no país, a natureza se mostra cada vez mais presente durante a pandemia. Inúmeras mudanças no meio ambiente vêm sendo registradas e percebidas pelas pessoas, como a volta de pequenos tatuís na Praia de São Francisco, em Niterói, tartarugas nadando tranquilamente pelas águas de uma Baía de Guanabara mais limpa, a “invasão” de macacos em diversas regiões do estado, visitas de lontras e jacarés no Recreio, Zona Oeste no Rio, e outras aparições de animais silvestres.

O fato é que a quarentena representou uma trégua para o meio e também para inúmeras espécies de animais que parecem ter notado esse sumiço temporário dos humanos e decidiram voltar para seus locais de origem. Em Niterói isso se comprova através dos números. A coordenadoria Ambiental da Guarda Municipal da cidade informou que o número de resgates de animais silvestres aumentou cerca de 10% em abril deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 94 resgates em abril de 2019 contra 104 em abril de 2020. De janeiro a maio de 2019 foram resgatados 544 animais.

No mesmo período desse ano, foram 628, alta de mais de 15%. “É natural que os animais silvestres saiam de suas tocas ou ninhos quando não encontram movimento. Fatores climáticos também podem estar ligados a esse aparecimento de animais. Temos que lembrar que Niterói é uma cidade com 56% do seu território composto por Unidades de Conservação e áreas ambientalmente protegidas por conta do Programa Niterói Mais Verde, implantado pela Prefeitura em 2014. Também existe o fato que o cidadão do município sabe a quem acionar para resgate e já entram em contato direto com o 153”, explica o responsável pela Coordenadoria Ambiental da Guarda, Jociley Pereira.

Ele orienta que os moradores de Niterói acionem o serviço imediatamente, pelo telefone 153, que atende no Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), ao encontrar um animal silvestre que precise de resgate. Para o coordenador do Parque Municipal de Niterói (Parnit), Alex Figueiredo, a diminuição da circulação de carros nas ruas também pode influenciar no aparecimento de animais silvestres. “Com a redução do fator humano, a fauna está se sentindo mais à vontade para circular em áreas que não eram corriqueiras. Isso levou ao aumento de vários tipos de animais em nossa cidade. Animais como cachorros do mato, capivaras e aves de rapina têm aparecido com frequência. Normalmente, essas espécies ficam assustadas com a presença de pessoas”, explica Alex.

O coordenador do Parnit afirma que também é possível observar um aumento na aparição de tartarugas com a redução de barcos e banhistas. Ele também destaca que um jacaré foi avistado na Lagoa de Piratininga, próximo à Ilha do Pontal, na Área de Proteção Ambiental do Parnit. “Realmente o aumento foi expressivo e estamos vendo de todo tipo de fauna, aves, mamíferos, répteis. São todos animais endêmicos e que tendem a ser afastar por conta da poluição sonora, poluição do ar, e por conta da circulação de pessoas.

Todos esses fatores influenciam no comportamento dos animais”, ressalta Luiz Palmieri, biólogo da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (Seconser) e coordenador da manutenção do Parque da Cidade. Ar livre - Além dessas visitas inesperadas, outro fator importante no meio ambiente que apresentou uma grande mudança foi a qualidade do ar no Estado do Rio de Janeiro. Um levantamento realizado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), em parceria com a Prefeitura do Rio revela uma redução na concentração de Dióxido de Nitrogênio (NO2) e de monóxido de carbono (CO) na atmosfera.

Na estação de monitoramento da qualidade do ar localizada em área de abrangência do Distrito Industrial de Santa Cruz, na zona oeste da cidade, os resultados mostram uma redução de 91% na emissão de NO2 entre 31 de março e 7 de abril, se comparado ao período anterior ao isolamento social. Em Bangu e em Irajá, houve uma redução de 31% e de 24%, respectivamente, nas concentrações desse poluente. Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a concentração de NO2 apresentou diminuição de 36% , e em Itaguaí, 16%. Números que são significativos para um período em que a natureza parece estar se renovando.

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