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Qua, Ago

São Gonçalo por outros ângulos

Município reúne belezas, histórias e tradições que podem se tornar interessantes para passeios de um dia - Foto: Bruno Freedom / Divulgação

São Gonçalo
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Conhecido pela indústria, pesca, comércio, entre outras atividades, o município de São Gonçalo também é retratado nas redes sociais como um local cheio de beleza, que merece ser visitado. A cidade carece de infraestrutura básica para pensar em se tornar polo turístico, como opções de hospedagem, mas atende o perfil dos novos passeios que prometem ser os mais solicitados após a pandemia. Além de divertida, a atividade também pode ser uma oportunidade para gerar emprego e renda, e, nesse contexto de crise que assola o mundo, colaborar com a uma retomada econômica da cidade. São Gonçalo tem atrativos naturais, históricos e religiosos.

São passeios de um dia, que atraem principalmente observadores de pássaros, ciclistas, motociclistas, e visitantes do tipo, explica o guia de turismo Bruno Freedom, de 33 anos, autor do perfil @curtosg no Instagram. Para ele, que já organiza passeios na cidade, para alavancar o turismo, o município precisa, principalmente, de investimentos em transporte e segurança.

“A praia das Pedrinhas, por exemplo, faz eventos como o ‘Presente de Iemanjá’, no Boa Vista, que atrai visitantes. Só que o local também tem um por-do-sol bonito e por isso, recebe visitantes diariamente. E além da beleza, ainda tem uma gastronomia bacana, oferecida pela vila de pescadores. Também há todo um lado histórico, como a Fazenda Colubandê, a Capela da Luz, que tem a Praia da Luz e até um hotel, mas que não funcionam por problemas de conservação e de segurança.

Montei esse perfil nas redes sociais paratentar mobilizar a gestão pública para o potencial turístico da cidade. Mostrar que São Gonçalo merece ser visitada”, ressalta Bruno. Solução doméstica - Destinos nacionais deverão ser os mais procurados por turistas brasileiros após o fim de restrições geradas pelo novo coronavírus, segundo uma pesquisa divulgada em maio pela consultoria Cap Amazon e pelo portal Mercado & Eventos, que avaliou as perspectivas de mais de 400 agentes de viagem de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. Para 55% dos entrevistados, a retomada do turismo será mais rápida no mercado doméstico. “

O turismo em São Gonçalo não tem organização por parte do poder público. Os patrimônios que têm potencial, não possuem nem sinalização. A demanda é pequena porque não tem transporte, qualificação, hospedagem e ainda, há a questão séria de segurança. Por outro lado, a cidade tem um curso público e um privado de turismo, e iniciativas da sociedade pela valorização e preservação dos patrimônios e produtores rurais interessados no setor. Falta que esse encaminhamento social seja devidamente levado ao poder público e que esse trabalho comece a ser desenvolvido”, ressalta Romário Régis, consultor em Comunicação que já desenvolveu atividades ligadas ao turismo em São Gonçalo.

“Não é raro alguém se deparar com as belas imagens divulgadas nas redes sociais e perguntar se se trata mesmo de São Gonçalo”, revela o fotógrafo Rafa Corrêa, de 37 anos, autor do projeto #SG_365fotos que propõe um olhar mais poético e generoso sobre a cidade, quase sempre retratada pela violência. “Comecei esse projeto no final de 2018. Ele busca enxergar São Gonçalo por um ângulo mais positivo. Me desafiei a mostrar uma cidade diferente, vista com carinho. Algo que transmitisse esperança. Muita gente não acredita que é São Gonçalo e muitos também dizem que nunca olharam para suas ruas e bairros assim. Um foto minha, de Alcântara, viralizou porque ficou parecendo uma cidade oriental. A ideia é tentar construir outra imagem, diferente do que a gente encontra hoje em uma pesquisa na internet”, explica Rafa.

São Gonçalo faz parte do Plano Regional para o Desenvolvimento Turístico, Sustentável, na instância de Governança Regional Caminhos da Mata. De acordo com a Secretaria Municipal de Turismo e Cultura, o incentivo ao turismo na cidade ficou voltado para as ações pontuais, como realização de trilhas e conscientização ambiental (turismo ecológico); turismo pedagógico, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, promovendo visitações a locais históricos; e o incentivo à confecção do tapete de sal, no tradicional evento de Corpus Christi.

No momento, as ações voltadas ao desenvolvimento do setor estão temporariamente suspensas por causa da pandemia. Mas passado esse problema, o grande desafio é vencer o estigma de cidade-dormitório e mostrar o potencial turístico da cidade, destacando, sobretudo, monumentos históricos, como a Igreja Matriz; a Capela Nossa Senhora da Luz – uma das mais antigas do Brasil; e as Fazendas do Engenho (remanescentes). E ainda, as possíveis trilhas e cavalgadas; o turismo náutico com visitas às ilhas; o turismo religioso, além de outros atrativos locais.

“Para São Gonçalo a falta de hospedagem é um empecilho para que o setor se desenvolva. Mas a exploração do que chamamos ‘Day Use’ é uma alternativa bacana para ser trabalhada no município. Mas para que isso aconteça da melhor forma possível é preciso trabalhar em parceria com a produção local, a gastronomia, o artesanato e outros serviços, que ajudem a fazer com que esse excursionista, pois turista é quem dorme no local, não seja apenas um contemplador da cidade, mas que sua visita seja aproveitada ao máximo e traga desenvolvimento, através de emprego e renda para cidade”, conclui Osíris Marques, diretor da Faculdade de Turismo e Hotelaria da UFF.

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