Protesto contra salários atrasados no Hospital Alberto Torres

Tio Douglas, do Projeto Primeira Chance, faz manifestação silenciosa na entrada da unidade desde a noite de segunda-feira (14) - Foto: Reprodução/Redes sociais

São Gonçalo
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"Eles salvaram minha vida e hoje estão sem salário!", é o que está escrito no cartaz carregado por Douglas Pinheiro de Oliveira, na entrada do Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, em São Gonçalo.

Tio Douglas, como é conhecido, idealizou e coordena o projeto Social Primeira Chance, na mesma cidade, e, há alguns meses, testou positivo para o novo coronavírus. Ele foi tratado na unidade de saúde e afirma que os profissionais de lá salvaram sua vida.

"Eu estou aqui desde ontem, passamos a noite aqui e vamos ficar até terem resposta de algum órgão. Peguei covid há três meses, cheguei aqui mal, de cadeira de rodas e saí bem, respirando legal. Em forma de gratidão, soubemos que já estavam com salários atrasados, dividimos as cestas básicas que tínhamos no projeto com eles, para agradecer por tudo que eles fizeram por milhares de pessoas. Resolvi fazer esse protesto solidário, acampar aqui porque são meses sem pagamento e de silêncio total", disse.

Douglas ficou sensibilizado ao saber da atual situação dos funcionários do hospital, vinculados à OS Instituto dos Lagos Rio, que administra a unidade. São cerca dois meses de salários atrasados com o terceiro próximo de vencer. Por isso, desde a segunda-feira (14), por volta de 16h, ele faz um protesto silencioso, segurando seu cartaz, em apoio àqueles que outrora o salvaram.

"Contas para pagar, falta de comida em casa e doenças acometidas pelas preocupações que sabemos que uma falta de salário traz. Por isso passarei a noite aqui em protesto para chamar a atenção das autoridades e crendo que, de alguma maneira, Deus há de agir para que eles recebam o que é deles por direito e justiça", complementou Douglas.

Com medo de represálias, funcionários da unidade não fazem mais manifestações. Esta é uma das motivações para a ação de Douglas. "Eu estou aqui para dar voz a quem teve a voz retirada. Eles quiseram falar e foram demitidos. Para que eles não corram esse risco, decidimos falar por eles", explicou.

O Instituto dos Lagos Rio, alvo de investigações, irá deixar a administração do hospital ao final de setembro, que será assumida pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), por meio da Fundação Estado. O Estado havia anunciado que manteria os funcionários já contratados pela OS para trabalhar no hospital.

Procurada, a OS confirmou que, atualmente, o débito é de dois meses de salários. O Instituto dos Lagos afirmou que aguarda repasse do Estado para quitar salários. 

A Secretaria de Estado de Saúde informou que o último repasse ao Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT) foi feito em 4 de agosto, referente ao mês de julho. O repasse referente a agosto está sendo feito hoje e ainda nesta semana estará na conta da Organização Social. O pagamento da folha salarial dos funcionários é de responsabilidade da organização social.

Após a Fundação Saúde assumir a unidade, a Secretaria contará, nos próximos 180 dias, com os funcionários já contratados para trabalhar nas unidades, com o objetivo de evitar interrupções no atendimento. Ao longo desse período, a SES fará avaliação por efetividade e custo dos serviços prestados.