Acusado de manter família em cárcere é transferido de presídio

Esposa e dois filhos de Luiz Antônio Santos Silva ficaram em cárcere privado por 17 anos - Foto: Reprodução

Rio de Janeiro
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O homem acusado de manter a mulher e os 2 filhos em cárcere privado por 17 anos foi transferido nesta quarta-feira para a Cadeia Pública Joaquim Ferreira de Souza, no Complexo de Gericinó, na zona oeste da capital Rio de Janeiro.

Luiz Antônio Santos Silva estava na Casa de Custódia José Frederico Marques, em Benfica, desde que foi preso no dia 28 de julho por manter a mulher e os dois filhos, uma moça de 22 anos e um rapaz, de 19, presos em casa. Quando resgatados pela Polícia Militar, os filhos aparentavam ter idades entre 12 e 13 anos, tal o grau de desnutrição.

Os policiais encontraram mãe e filhos amarrados pelos pés, sujos e subnutridos. O caso aconteceu no bairro da Foice, em Guaratiba, zona oeste da cidade. As vítimas foram encaminhadas ao hospital para serem tratadas, hidratadas com soro e receberam cuidados do serviço social e de saúde mental.

No último sábado, a Central de Audiências de Custódias do Tribunal de Justiça converteu a prisão em flagrante de Luiz Antônio em preventiva, que é por tempo indeterminado. Na decisão, a juíza Monique Correa Brandão dos Santos Moreira disse que a colocação em liberdade do acusado poderia influenciar na integridade dos depoimentos das vítimas e das testemunhas

A mãe relatou no Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, para onde foi levada, que ela e os filhos eram espancados com fios e pedaços de madeira pelo marido.

Segundo a polícia, Luiz Antônio Santos Silva era conhecido pelos vizinhos como DJ, porque tinha em casa caixas de som que sempre estavam ligadas em volume alto, segundo a mulher “para abafar os gritos de socorro que ela cansou de pedir e as surras que ela e os filhos levavam do marido”.

Os vizinhos contaram que os filhos nunca foram vistos na rua e também não frequentavam escola. De acordo com a polícia, a casa era escura, com colchões sujos e rasgados. As janelas e portas eram tampadas com plástico preto e trancadas com cadeados.

Quando foram libertadas do cárcere pela Polícia Militar, os agentes ofereceram comida para a mulher e as crianças, mas todos se negaram a comer, porque “elas só podiam pegar qualquer alimento quando dado pelo pai”. Mesmo os policiais dizendo que agora Luiz Antônio estava preso, todos se negaram a comer a refeição.