Agenda verde pós pandemia

Seus Direitos na Justiça com Guaraci Campos Vianna
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Dr. Guaraci de Campos Vianna

Como sabemos, a pandemia causada pelo covid-19 não é permanente. Embora se saiba da existência de variantes, há uma fundada esperança de que a vacinação dará uma resposta para conter os efeitos maléficos do coronavírus na saúde, na vida das pessoas e na micro e na macro economia. E isso está prestas a acontecer no Brasil, onde se tem, afastando-se das polêmicas políticas, uma real expectativa de se conseguir manter o ritmo de se imunizar um milhão de pessoas por dia, em média e com isso vacinar pelo menos 70% da população ainda neste ano de 2021.

Portanto, já é hora de pensar-se no novo normal. Talvez precisássemos de um susto tremendo e global como tem sido com a covid-19. Mas entre os terríveis malefícios da pandemia houve ao menos um benefício. O mundo percebeu sua vulnerabilidade, independente do continente de cada país, ou de sua riqueza: foram todos atingidos com igual violência. E isto parece ter acordado do sono profundo as ações concretas que mal saíam das gavetas apesar dos alertas da ciência.

Na Conferência Mundial do Meio Ambiente de 1992, no Rio de Janeiro, 2030 marcava o ano máximo da "grande virada" para assegurar a vitalidade do planeta. As reuniões posteriores, já no século 21, remarcaram o prazo para 2050.

Estas medidas internacionais reforçam a posição brasileira cuja matriz energética é a mais limpa que existe na Terra com cerca de 37% produzida por hidrelétricas, biomassa e outras, enquanto no mundo a porcentagem de energia limpa mal chega aos 20%. Ponto pra nós no novo normal que vem aí. É uma tremenda vantagem competitiva no cenário que se desenha.

E além disso, como se sabe, a maior porção das florestas tropicais do planeta, fundamentais como sumidouro de carbono, ficam dentro de nossas fronteiras apesar de nunca antes terem sido tão ameaçadas. Mas ainda é tempo.

A Inglaterra anunciou, no mês passado, a antecipação, de 2035 para 2030, da proibição de venda de novos carros movidos a gasolina ou diesel'.

'O Japão também deve anunciar em breve uma proibição parecida, que entraria em vigor em meados de 2030. A China prevê colocar em vigor essa regra em 2035'.

'Nos Estados Unidos, o Estado da Califórnia informou recentemente que, também a partir de 2035, veículos novos movidos a gasolina ou diesel estarão fora do mercado. Com o avanço das discussões ambientais em todo o mundo, as limitações a esses carros deve aumentar cada vez mais. E isso tem colocado grande pressão sobre a indústria do petróleo'. No Brasil há um projeto de Lei aprovado na CCJ do Senado (PLS 304/2017) que proíbe a venda de veículos movidos a gasolina e diesel a partir de 2030 e proíbe a circulação de veículos a combustão no país a partir de 2040.

Como se sabe, os combustíveis fósseis são os maiores vilões do aquecimento. A transição já começou. Resta esperar que seja concluída o mais breve possível já que hoje 'a gasolina e o diesel movem cerca de 90% dos novos carros vendidos no mundo'.

Outro aspecto positivo é o 'novo' conceito econômico que ganha as manchetes, conhecido pela sigla ESG ou Environmental, Social and Governance (Boa Governança Ambiental Social). É o lado bom da pandemia se mostrando.

Este conceito já é realidade no mercado financeiro envolvendo bancos centrais, fundos de pensão, seguradoras, e investidores mundo afora. Não por outro motivo, o Brasil assiste inerte a uma grande fuga de capitais em 2020. Como financiar nosso futuro sem ele?

Outra boa nova, e motivo de comemoração, é que os principais bancos brasileiros, Itaú, Bradesco e Santander, anunciaram em dezembro que 'vão usar recursos próprios para financiar cadeias produtivas na Amazônia. Começa a acelerar o possível desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Portanto, todas são medidas que vão ao encontro dos agentes econômicos que já tomaram um lado nesta questão. O único lado que nos resta: a boa governança ambiental.

Na área de produção de automóveis não estamos tão adiantados quanto na matriz energética. Mas avançamos. Todas as matrizes das montadoras instaladas no Brasil estão ampliando a produção de automóveis eletrificados e as subsidiárias locais estão atentas a isso. "Sabemos, no entanto, que nossa velocidade (de troca dos carros a gasolina e diesel por elétricos) não será igual à da Europa, por exemplo.

Todavia, é preciso destacar que a agenda verde não é restrita a preservação das florestas, queimadas etc. É importante que toda a indústria, não só a de automóveis, passe a produzir mais, com menos, menos custos e menos poluição.

Voilà!