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Nosso dinheiro não brota do chão

Por Charbel Tauil Rodrigues, presidente do Sindilojas Niterói

Charbel Tauil, presidente do Sindicato dos Lojistas de Niterói, traz os bastidores da rede varejista da cidade e as principais novidades do setor

Divulgação

Novembro, mês de maior quantidade de feriados no ano. Temos quatro: dia 2 (Finados), dia 15 (Proclamação da República), dia 20 (Consciência Negra) e dia 22 (aniversário de Niterói). A isto se somarão dias “enforcados” e pontos facultativos, que farão o movimento do Comércio despencar em quase 50%. Os boletos continuarão a chegar para os lojistas, é claro, assim como os impostos e as obrigações trabalhistas e despesas de aluguel, luz e contador.

Os anos se passam e, ao menos em Niterói, fica muito clara a imensa diferença existente entre empreendedores privados e administradores públicos: o empresário depende do trabalho para sobreviver – mas para os encastelados na máquina pública tanto faz, porque seu farto dinheiro já está garantido pelo jorro permanente de impostos, taxas, tributos e, em nosso município, graças aos polpudos royalties do petróleo.

Nós, empresários, precisamos lutar dia após dia para nos manter no mercado. Nosso dinheiro não brota do subsolo, de nenhum pré-sal bilionário. Estamos sempre querendo fazer mais, lutar mais, crescer mais, vender mais, atender aos consumidores sempre melhor e oferecendo preços e condições competitivas, que nos destaquem no mercado. Já a administração municipal nada de braçada no dinheiro fácil (para ela) dos impostos e dos royalties, e faz cara de paisagem a cada vez que voltamos à carga na necessidade de redução dos feriados na cidade.

O Sindilojas tem insistido nesse ponto há, pelo menos, sete anos. É incrível. Durante todo esse tempo, nos deparamos com uma barreira – verdadeira muralha – da prefeitura, que não abre mão de manter o festival de feriados, pontos facultativos e dias “enforcados” que, a torto e a direito, deixam Niterói às moscas.

E o que nós propomos nem é nada de mais: trata-se apenas de transformar o 22 de Novembro (aniversário do município) em mera data festiva, a exemplo do que é feito na imensa maioria das capitais estaduais e em incontáveis outras cidades de médio e grande portes. E o que é uma “data festiva”? Simples: no dia do aniversário, a cidade funcionaria normalmente, com lojas e repartições funcionando, sem prejuízo de ocorrerem shows, desfiles e festejos pela data importante. Só isto. Nada além. É assim no Rio de Janeiro, por exemplo. Mas aqui o poder executivo barrou, e tem barrado, todas as iniciativas nesse sentido surgidas na Câmara Municipal. Estranho, não é?

Sim, leitor, é isto mesmo: nós lojistas queremos funcionar mais. Trabalhar mais. Empregar mais gente. Gerar mais impostos. E, lamentavelmente, não estamos conseguindo que o poder público autorize isto.

Esse problema do excesso de feriados é tão forte, e tão importante, que até mesmo o governo federal anda mobilizado para atuar nessa seara, havendo proposta de antecipar para as segundas-feiras todos os feriados que existam para o correr da semana. Não deixa de ser um gesto, que aponta para um mínimo de sensibilidade para com todos os empreendedores (juntamente com seus colaboradores), que sofrem a cada vez que precisam fechar as portas porque o calendário assim determina.

Não vamos parar de cobrar providências. Nosso compromisso é com o Comércio de Niterói, entrelaçado com os mais legitimos desejos de desenvolvimento econômico, social e humanístico para a nossa cidade.

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