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Decisão na palma da mão

Por Nicola Helayel

Nicola Helayel, jornalista

Divulgação

“A informação falsa parece mais saborosa”. Esta declaração foi dada pelo professor Sinan Aral, especialista em fake news e marketing digital e professor da escola de negócios do Massachusetts Institute of Technology (MIT), ao Estadão no fim do ano passado. Ele conduziu um estudo, em parceria com o Twitter, e chegou à conclusão de que as fake news têm 70% mais chances de serem compartilhadas em relação às notícias verdadeiras, principalmente aquelas de cunho político. Só que mais do que saborosa, é o perigo de manipulação que essa desinformação representa num cenário em que as próprias autoridades reconhecem suas limitações.O ministro Luís Roberto Barroso, futuro presidente do Tribunal Superior Eleitoral, já assegurou, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, não ter como combater por decisão judicial, durante as eleições, devido à velocidade e volume de difusão.

Estamos falando de mais de 5.500 municípios que irão eleger seus prefeitos e vereadores, em que 62,6% destas cidades não possuem um veículo de mídia sequer realizando a cobertura dos fatos, conforme revelado pelo Atlas da Notícia. Em casos assim, onde os eleitores se informam? É em meio a este deserto de notícias - termo designado para identificar tais regiões - que as redes sociais assumem protagonismo. É natural que influenciadores digitais e grupos locais percebam essa lacuna e se tornem produtores de conteúdo - verdadeiro ou não- para abordar os assuntos municipais. Aquele vídeo ou meme (sim!) vira o assunto nas rodas de conversa.

Já um outro levantamento, realizado pelo Instituto de Pesquisa DataSenado em parceria com as Ouvidorias da Câmara dos Deputados e do Senado Federal,traz números importantes acerca do comportamento do eleitor mediante as novas tecnologias. Em outubro passado, 2.400 internautas foram entrevistados e 98% afirmaram acessar a internet por meio do celular. Um outro número corrobora o crescimento da relevância do Whatsapp - instalado em 97% dos celulares- no cotidiano das pessoas. Quando questionados quanto à frequência com que utilizam o aplicativo como fonte de informação, 79% afirmaram que é o instrumento pelo qual sempre se mantêm informados. A televisão aparece na vice-liderança (50%) como outro meio mais utilizado para se atualizar, seguida pelo YouTube(49%) e Facebook (44%). Amargando a quinta posição no ranking estão os sites de notícias como opção para 38%.

Como saber se uma notícia é confiável? A pessoa que enviou a informação é critério de classificação para 24%.“O mais importante é a fonte que a publicou” foi a resposta de praticamente três a cada quatro entrevistados (73%). Aproximadamente oito em cada dez entrevistados já identificaram notícia falsa em rede social. Quando questionados se confirmam a veracidade da informação antes de compartilhar, 82% afirmaram que sim. Sobre a influência das redes sociais, 83% afirmaram que o conteúdo divulgado interfere muito na opinião, sim. E na hora de escolher em quem votar? O resultado mostrou que 45% dos eleitores decidiram o voto levando em consideração informações divulgadas em redes sociais e Whatsapp. Esse percentual aumenta para 51% entre os entrevistados que estão entre 16 e 29 anos, faixa etária que concentra um a cada quatro eleitores.

 De acordo com especialistas, dentre os motivos para explicar a proliferação de informações falsas destacam - se a tendência que as pessoas têm em compartilhar conteúdo que vá ao encontro do seu ponto de vista e a falta de tempo em refletir em cima de dados. É comum uma pessoa compartilhar uma notícia por achar razoável. Apesar das redes, plataformas de internet e autoridades afirmarem que estão trabalhando em cima de providências para combater a disseminação de fake news, a responsabilidade é de cada um.

Nicola Helayel é jornalista formada pela Anhanguera Educacional e cursa pós-graduação em Comunicação Pública. Também é graduada em administração pelo IBMEC com especialização em mercado financeiro pela ANBIMA.

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