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Ismael Silva, o niteroiense que criou as escolas de samba

Por Chico D'Angelo

Deputado federal Chico D'Angelo

Divulgação

CHICO D'ANGELO

Niterói tem uma longa história - nos idos do Brasil Colonial e do Império - marcada por engenhos de açúcar, fazendas de extração de madeira e áreas de lavouras. Em virtude disso, a região recebeu grande contingente de escravizados oriundos do Congo e de Angola.

Algumas áreas do município foram, por isso, profundamente marcadas pela presença de descendentes de africanos, como o Cubango, Badu, Engenhoca e a Serra da Tiririca. O Cubango, inclusive, tem para Niterói importância cultural parecida com a da região da Praça Onze, um dos berços do samba e do carnaval, para o município do Rio de Janeiro.

Por falar em samba e carnaval, foi em Jurujuba que nasceu Ismael Silva, um dos maiores criadores do samba urbano do Rio de Janeiro. O niteroiense Ismael é considerado uma espécie de pai das escolas de samba. Ao lado de uma turma de bambas do Largo do Estácio, no Rio de Janeiro, Ismael foi o fundador da Deixa Falar, no final da década de 1920.

A Ismael, inclusive, é atribuída a criação do nome escola de samba. O que se conta é que na região do Estácio havia uma escola de normalistas, que teria inspirado Ismael a sugerir que a Deixa Falar se assumisse como uma escola de sambistas.

Compositor inspirado, tido como grande melodista, Ismael é autor de verdadeiros clássicos do samba brasileiro, como Antonico, Se você jurar (parceria com Nilton Bastos), Nem é bom falar (com Nilton Bastos), e Uma jura que fiz (com Noel Rosa e Francisco Alves).

Em tempos de carnaval, é importante falar de Ismael e lembrar que Niterói tem enorme tradição na cultura do samba. De comunidades como o Morro da Garganta e o Cubango, vieram a Unidos do Viradouro e a Acadêmicos do Cubango. Do Largo da Batalha, a Acadêmicos do Sossego. As três desfilam no carnaval do Rio de Janeiro.

A tradição das escolas de samba de Niterói, todavia, não se limita às agremiações que disputam títulos na cidade do Rio. Depois de uma interrupção que durou de 1996 a 2005, os desfiles em Niterói voltaram, ocupando a Rua da Conceição durante os dias de folia.

Agremiações como Souza Soares, Império de Araribóia, Alegria da Zona Norte, Bafo do Tigre, Unidos do Sacramento, Folia do Viradouro, Unidos da Região Oceânica, Magnólia Brasil, Mocidade de Icaraí, União da Engenhoca, Combinado do Amor, e tantas outras, continuam levantando a bandeira das escolas de samba na cidade.

Lá de cima, imagino que Ismael Silva - ao ver Viradouro, Cubango e Sossego brilhando no Rio, e tantas agremiações niteroienses colorindo a cidade nos dias de folia - deva estar feliz com a sua criação e com a cidade em que nasceu para revolucionar o carnaval e o samba.

Chico D’Angelo é deputado federal (PDT-RJ) e ex-presidente da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados

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