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Os reflexos da pandemia

Wagner Bragança

Wagner Bragança é advogado tributarista, com pós-graduação em Direito Tributário e Administrativo Empresarial, mestre em Direito Constitucional e especialista em Direito Recuperacional e Falimentar

Divulgação

WAGNER BRAGANÇA

Alerta vermelho no planeta. Depois que a Organização Mundial de Saúde decretou pandemia para o coronavírus, as bolsas mundiais despencaram, a do Brasil decretou dois circuit braker (interrupção dos negócios) em apenas um dia (a última quinta-feira) e quatro ao longo da semana, os Estados Unidos cancelaram voos vindos da Europa e o valor das ações das empresas aéreas despencaram.

O secretário de Imprensa da Presidência da República, Fábio Wajngarten, testou positivo para a doença, o presidente Jair Bolsonaro cancelou uma viagem a Mossoró (RN) e foi submetido a exames (testes deram negativo para a doença) junto com toda a comitiva brasileira que viajou com o secretário para o solo americano. Até o presidente Donald Trump, que teve contato com o brasileiro, se manifestou sobre o caso, embora, ao que parece, não tenha se submetido a testes.

Não podemos fugir de um tema - o coronavírus - que é o foco da atenção mundial e nacional. Afeta profundamente nossa vida, não apenas no aspecto econômico - que é grave -, mas nossa saúde, nossos hábitos e costumes. A Unicamp (Universidade de Campinas), uma das maiores universidades do país, cancelou as aulas até o fim do mês. No Distrito Federal as escolas ficarão fechadas por cinco dias. No Rio, também estarão suspensas nesta semana.

Eventos culturais, feiras de negócios, encontros e palestras são suspensos em todos os países. Nos meios de comunicação e nas redes sociais os cuidados para evitar a contaminação se propagam, o que é bom. É hora de precaução, não de pânico.

Nesse quesito, vale registrar tanto o trabalho de comunicação como de prevenção tomados pelo Ministério da Saúde. O ministro Luiz Henrique Mandetta não tem se furtado a informar e viajar pelo país para ampliar as medidas preventivas e de atendimento de nossos sistemas de saúde federal, estaduais e municipais. Negociou pessoalmente com o Congresso e o Ministério da Economia uma verba extra de R$ 5 bilhões para reforçar este trabalho - os postos de saúde vão receber quase R$ 1 bilhão para estender o horário de funcionamento - e anunciou a contratação de mais 5,8 mil médicos.

Nos Estados, os secretários estaduais de Saúde têm dado entrevistas diárias e esclarecedoras sobre a doença. Sabemos que ainda vamos ser mais atingidos. O Estado de São Paulo, o primeiro a registrar um caso no Brasil, criou imediatamente um gabinete integrado pelos maiores especialistas do Estado em infectologia e mobilizou seus pesquisadores para combater o vírus. Estima que quase um milhão de moradores do Estado serão afetados e já está montando uma rede de 1 mil leitos de CTI para atender os casos mais graves.

Aqui no Rio, apenas para lembrar o que disse o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, a escalada do número de casos deve acontecer em duas semanas e vamos chegar ao pico em um mês. Já temos um caso de transmissão local, não importado. O governo estadual publicou decreto com um plano de contingência para o Covid-19 que prevê a oferta de mais 300 leitos específicos em nossa rede estadual, já sobrecarregada, apenas para atender pacientes atingidos pelo vírus.

O coronavírus não é letal apenas para a saúde, mas também para a economia brasileira e mundial. Acabou afetando o mercado mundial de petróleo, provocou o confronto entre a Arábia Saudita e a Rússia e a redução do preço do barril (a Petrobras anunciou que vai reduzir em 9,5% o preço da gasolina no Brasil).

Economistas de diversos bancos e consultorias avaliam que vários países asiáticos devem entrar em recessão este ano, o produto interno bruto chinês vai sofrer forte desaceleração, a Itália deve fechar o ano no vermelho e até os Estados Unidos vão colocar o pé no freio embora o BC americano, o FED, tenha disponibilizado um crédito extra de US$ 1,5 trilhão.

O cancelamento mundial de eventos públicos atinge profundamente o resultado não apenas das empresas aéreas, também o setor de serviços e hoteleiro. Até a realização da Olímpiada do Japão corre risco. Estádios de futebol sem público empobrecem os cofres dos clubes profundamente.

O Brasil já reviu oficialmente sua taxa de crescimento, como escrevemos aqui semana passada. As paradas de negócios simultâneas na bolsa brasileira desta semana indicam que nossas empresas devem crescer menos do que previram no início do ano. Nossa taxa de desemprego deve continuar, assim, bastante alta, em torno de 12 milhões de brasileiros sem trabalho.

A mobilização planetária de combate ao coronavírus e o fato de a doença já estar em redução na China, onde eclodiu, indicam que teremos ainda meses de alerta a enfrentar, mas somos hoje mais capazes de superar pandemias. O custo, contudo, será alto.

 

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