NITERÓI/RJ
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Trabalhadores dos Correios entram em greve por tempo indeterminado

Categoria decidiu paralisar serviços durante assembleia na noite da última terça-feira

Trabalhadores dos Correios do Rio de Janeiro fizeram uma manifestação na porta do Centro de Tratamento de Encomendas, em Benfica, na Zona Norte, nesta manhã de quarta-feira (11) após a categoria aderir a Greve Geral Nacional na noite da última terça-feira (10). Até a parte da manhã, encomendas estavam sendo impedidas de entrar ou deixar a unidade. Nesta quarta, os Correios entraram com o dissídio coletivo de greve no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Segundo o TST, o processo foi distribuído para o ministro Mauricio Godinho Delgado, relator do caso na Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do TST. A próxima sessão da SDC está marcada para o dia 14, mas, em caso de dissídio de greve, como este, pode ser convocada sessão extraordinária do órgão, o que ainda não foi definido.

Caminhões da estatal foram colocados em frente ao Centro de Tratamento de Encomendas, em Benfica, como parte da manifestação. Funcionários da empresa afirmaram que as encomendas não estavam entrando ou saindo do local para outras unidades. Na noite de terça-feira (10), quando a greve foi decretada, um grupo de funcionários já havia feito uma manifestação no Centro do Rio.

Em Niterói, trabalhadores afirmaram que a adesão à paralisação foi baixa devido ao medo de retaliação e da situação econômica da estatal. Servidores saíram para entregas de encomendas que já estavam nas unidades. Na manhã desta terça, a vendedora Nina Farias, de 62 anos, foi ao centro de distribuição de Santa Rosa, na Zona Sul de Niterói, para pegar uma encomenda.

“Percebi que os funcionários diminuíram o ritmo desde a última semana, não estou vendo mais carteiros pelas ruas. Minha encomenda está desde o dia 4 aqui e não saiu para entrega, fiquei sabendo da greve e vim buscar”, contou.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares do Rio de Janeiro (Sintec-RJ), o movimento é uma exigência dos trabalhadores para “defender os direitos conquistados em anos de lutas”, citando os salários e benefícios e empregos dos funcionários, além de serem contra a privatização. .

Ainda de acordo com o Sintec, a categoria propôs um Acordo Coletivo para repor as perdas salariais e manter os empregos, porém, a direção dos Correios teria se negado a negociar com os trabalhadores.

O sindicato afirmou que o Centro de Entrega de Encomendas (CEE) de Caxias e de Petrópolis; o Centros de Distribuição Domiciliar (CDD) de Campos Elísios, Itaipava, Mesquita, Nova Friburgo, São João, Vilar dos Telles; e os Complexos de Benfica e Nova Friburgo. A adesão oficial da paralisação não foi divulgada pelo sindicato.

Propostas

Por meio de nota, os Correios esclarecem que “participaram de dez encontros na mesa de negociação com os representantes dos trabalhadores, quando foi apresentada a real situação econômica da estatal e propostas para o acordo dentro das condições possíveis, considerando o prejuízo acumulado na ordem de R$ 3 bilhões. Mas as federações, no entanto, expuseram propostas que superam até mesmo o faturamento anual da empresa, algo insustentável para o projeto de reequilíbrio financeiro em curso na empresa”.

Ainda de acordo com a nota, a empresa informa que “no momento, o principal compromisso da direção dos Correios é conferir à sociedade uma empresa sustentável. Por isso, a estatal conta com os empregados no trabalho de recuperação financeira da empresa e no atendimento à população”.

Questionados sobre a adesão dos funcionários e funcionamento das agências, os Correios disseram que a paralisação é parcial e que não afeta os serviços de atendimento da estatal.

A empresa informou que já colocou em prática seu Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população. Medidas como o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões estão sendo adotadas.

Segundo um levantamento divulgado pela estatal, 82% do efetivo total dos Correios no Brasil está trabalhando regularmente. Esse balanço é de 80% no Estado do Rio de Janeiro, segundo os Correios.


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