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Inclusão: realidade possívelnas escolas brasileiras

Tenho a grata oportunidade de lecionar música para a classe especial da Escola Municipal Azerbaijão. É um grande desafio, pois cada criança é um mundo e precisaria me apropriar de cada um deles. O querer fazer bem nos incentivou a buscar pelo estudo, nas aulas virtuais, em debates e demais recursos, as estratégias necessárias para começar a atuar.

Com o passar do tempo, naturalmente enxergamos as necessidades de cada aluno com mais clareza e traçamos o caminho mais assertivo para atingir os melhores resultados. A cada processo a alegria nos invade. Por muitas vezes chorei e ainda me emociono na frente deles. Trabalhar com educação especial numa proposta inclusiva no ambiente escolar é oportunizar que todos tenham as mais profundas experiências valorosas do ser humano. E como é pensar de uma maneira inclusiva?

É mais fácil do que se imagina, ou seja, é simplesmente pensar para todos, sem distinção. Nossa classe especial apresentou o teatro da dengue no palco para toda a escola em três oportunidades, foram os atores do musical da Páscoa se apresentando para a comunidade escolar e ainda conscientizamos na Semana da Sustentabilidade sobre os materiais descartados na produção do lixo.

A classe especial tem necessidades específicas que precisam de um ambiente favorável com profissional habilitado, mas não é por causa disso que serão segregados, ao contrário, há o convívio social em que todos aprendem a conviver entre si com respeito e tolerância.

Manuela Arantes Rangel da Silva, nossa Manu, hoje com 12 anos, frequenta a escola desde os dois anos de idade e é um exemplo de superação.

 

Mediadora

Cícera auxilia a jornada pedagógica de Manu

Cícera auxilia a jornada pedagógica de Manu

Divulgação

Cícera de Fátima trabalha com a família de Manu há mais de 35 anos e, hoje, é sua mediadora na escola. Ela "ajuda" os professores a darem aula para Manu

'Trabalho de inclusão é espetacular'

Manu, no colo de Silvio, seu pai; com sua mãe, Camila, e irmãos

Manu, no colo de Silvio, seu pai; com sua mãe, Camila, e irmãos

Divulgação

Cícera de Fátima, na família da Manu por mais de 35 anos, é sua mediadora na escola desde o começo, e muito tem contribuído para o seu avanço. Costumo dizer que Cícera nos ajuda a dar aula.

Silvio, pai de Manu, relata "que o trabalho de inclusão da escola pública é espetacular, o quanto funciona. A aula de música mexe muito com a parte sentimental, o caráter e o emocional das crianças. A parte sensorial de minha filha é toda na música, a tranquiliza e a deixa feliz".

Nas aulas, ela participa da rodinha, da ciranda, bate palmas no tempo, mexe o corpo no ritmo e se expressa com mais facilidade. No teatro de Páscoa nos emocionou sendo Maria, mãe de Jesus, deixando nítido para todos que ela sabia o que estava fazendo, momento singular que tocou toda a comunidade escolar, sendo intensamente aplaudida.

Silvio reforça que "esse trabalho melhora a vida deles", se referindo a todas as crianças especiais, pois é pai representante da classe especial da escola. Ele também parabeniza a direção que apoia a inclusão para que as crianças, classificadas como "normais", tenham esse entendimento ao diferente. A pessoa pode ser ou se tornar especial. Hoje nós ajudamos, mas amanhã poderemos ser ajudados", finaliza.

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