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Marilice Corona leva suas representações ao MNBA

Nova exposição recebe 32 obras que mostram cenas cotidianas do pintor

Mostra conta com instalações temáticas, como "História da Arte" e "Iniciação"

Divulgação

A partir deste sábado (31), o Museu Nacional de Belas Artes recebe a exposição "Entre o acervo e o estúdio", da artista gaúcha Marilice Corona.

Ao todo são 32 obras que apresentam a autorreferencialidade na arte, exibindo cenas onde os artistas estão criando seus quadros ou pessoas visitando galerias e museus.

"Meu interesse sobre o tema da representação do ateliê do artista é mais uma das possíveis estratégias para falar da autorreferencialidade na pintura. A autorreferencialidade e os procedimentos metapicturais são assuntos que me interessam há muito tempo. Muito me interessam os mecanismos da representação. Cada imagem dentro de outra imagem tem um porquê de estar ali", conta a artista.

Marilice criou instalações que reúnem pinturas de sua autoria, dialogando com obras do acervo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli e do Museu Nacional de Belas Artes. Na instalação "A História da Arte", Marilice homenageia Edson Motta, um dos pioneiros da restauração no País. Ele foi professor de teoria, técnica e conservação da pintura na UFRJ entre os anos de 1945 e 1980, e também foi autor de livros essenciais para a formação da artista, como por exemplo o livro "Iniciação a Pintura", de 1976. Está instalação se conecta com a história pessoal da artista e a história da arte. Na instalação "Iniciação", a artista traduz uma série de comentários sobre a formação do artista. Suas referências, seus documentos de trabalho, desejos, impasses e heranças.

"Penso nesse espaço do atelier como uma alegoria do espaço de pensamento. Mas um espaço de pensamento em que razão e sensibilidade estão interligados, e não separados. A pintura promove isso em seu processo de criação. É um pensamento de outra ordem. O ambiente do atelier pode trazer muitas pistas, muitas imagens e objetos que constroem novos sentidos", reflete Marilice, ressaltando que com a presença do pintor ou não, a representação é uma alegoria do próprio processo de criação, da origem do trabalho do artista. O espectador, como um voyeur, aproxima-se, espia e adentra as imagens e a intimidade do pintor, se conectando com tudo o que o cerca: "O cenário de produção oferece pistas sobre o contexto no qual o pintor está inserido. Tudo está nos detalhes".

Marilice Corona iniciou sua carreira na década de 90 e desde 2005 realiza projetos que tem como tema o próprio espaço onde as obras são apresentadas. Além de artista, Corona é professora de pintura.

O MNBA fica na Avenida Rio Branco, 199, no Centro do Rio. Até 1 de dezembro. R$ 8 (inteira). Telefone: 3299-0600.

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