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Promotora pede afastamento do caso Marielle

Carmem teve sua imparcialidade questionada ao publicar fotos em apoio ao Bolsonaro

Promotora Carmen postou uma foto vestindo uma camisa em apoio ao presidente Bolsonaro

Reprodução das redes sociais

A promotora de Justiça Eliza Bastos de Carvalho pediu afastamento do caso envolvendo a morte da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes. Carmen causou polêmica ao publicar fotos em suas redes sociais vestindo uma camisa em apoio ao presidente Jair Bolsonaro e teve sua imparcialidade questionada. Em outra imagem, ela aparece ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim, que quebrou a placa com o nome de Marielle no ano passado.

Nesta sexta (1º), o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) pediu ao procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussem, o afastamento da promotora. Em representação enviada ao Ministério Público, Freixo diz que Carmen ignorou um dever funcional do cargo ao não se declarar suspeita para atuar no caso, por ter apoiado Jair Bolsonaro nas eleições.

Em nota divulgada na tarde desta sexta, o Ministério Público confirma o afastamento de Carmem, alegando que ela teve sua imparcialidade questionada nos últimos dias. O MP ainda esclareceu que, diante da repercussão às postagens da promotora em suas redes sociais, a Corregedoria-Geral do Ministério instaurou procedimento para análise.

O MPRJ, no entanto, defendeu o posicionamento da promotora, justificando que Carmen passou a atuar na ação penal "por critérios técnicos, pela sua incontestável experiência e pela eficácia comprovada de sua atuação em julgamentos no Tribunal do Júri".

"Assim como Procuradores e Promotores de Justiça, no cumprimento diário de suas funções, velam incansavelmente pela promoção dos Direitos Fundamentais, é compromisso da Instituição defender o Estado Democrático de Direito e a livre manifestação de pensamento, inclusive de seus membros", defendeu o Ministério Público.

Ainda de acordo com o MP, nesta sexta-feira os pais de Marielle Franco, Marinete da Silva e Antônio Francisco da Silva, e a viúva de Anderson Gomes, Agatha Arnaus Reis, foram recebidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e "defenderam a permanência de Carmen Eliza à frente do processo penal, em andamento no Tribunal de Justiça".

"No entanto, em razão dos acontecimentos recentes, que avalia terem alcançado seu ambiente familiar e de trabalho, Carmen Eliza optou voluntariamente por não mais atuar no caso Marielle Franco e Anderson Gomes, pelas razões explicitadas em carta aberta à sociedade", dizia a nota do MP.

Carta aberta

 Em carta aberta divulgada nesta sexta, a promotora diz que, em 25 anos de trabalho no Ministério Público, nunca atuou sob qualquer influência política ou ideológica.

"Não há, nesses 25 anos, um só episódio que tenha sido apontado como comprometedor de minha imparcialidade na atuação funcional. Ao contrário, são anos de luta isenta pela punição de quem atenta contra o maior bem jurídico de cada um de nós: o direito à vida", declarou Carmen.

A promotora reiterou que sua decisão foi voluntária e é baseada no respeito aos pais da vítima.

"Nessa perspectiva, em razão das lamentáveis tentativas de macular minha atuação séria e imparcial, em verdadeira ofensiva de inspiração subalterna e flagrantemente ideológica, cujos reflexos negativos alcançam o meu ambiente familiar e de trabalho, optei, voluntariamente, por não mais atuar no Caso Marielle e Anderson", explica Carmen.

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