04
Ter, Ago

Pandemia: Uerj oferece aulas online de língua portuguesa a refugiados

Quase 300 estudantes oriundos de outros países são atendidos, semestralmente, pela instituição - Foto: Divulgação

Educação
Typography
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

Implementada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) em 2017, a Cátedra Sérgio Vieira de Mello, da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), vem atendendo a uma média semestral de quase 300 estudantes oriundos de outros países. São migrantes e refugiados que estão no Brasil e têm, na Uerj, a oportunidade de participar de iniciativas voltadas ao ensino, à pesquisa e à extensão acadêmica, facilitando sua integração social em um novo país.

Um bom exemplo das atividades desenvolvidas pela Cátedra é o curso de Português para Refugiados, oferecido pela Faculdade de Educação juntamente com o Instituto de Letras, em parceria com a Pares Cáritas. Mesmo agora, em tempos de pandemia e isolamento social, o curso continuou suas aulas, adaptadas para o ambiente virtual. Segundo Ana Brenner, professora da Faculdade de Educação e coordenadora da Cátedra Sergio Vieira de Mello/Uerj, além de on-line, as aulas precisaram ser totalmente pensadas de acordo com as especificidades e necessidades desse público.

"O isolamento social é difícil para todo mundo, mas é ainda mais complicado para os migrantes e refugiados que moram em condições precárias, não têm devido acesso à internet e têm como sustento o trabalho informal, ou seja, estão sem renda. Foi um desafio para toda a equipe pensar em algo que os atendesse efetivamente", afirma Brenner.

Para driblar a precariedade de acesso à internet, o grupo percebeu que uma alternativa mais viável era enviar pequenos textos e áudios pelo WhatsApp, Instagram e Facebook, o que consumiria menos do pacote de dados dos alunos. Outro diferencial foi estruturar esse conteúdo para gerar mais interesse, abordando questões relacionadas à Covid-19 e à realidade em seus países, gerando mais identificação ao assunto tratado.

"As aulas passaram a ser oferecidas em lives semanais. Além disso, a cada semana, eles recebem um boletim todo em Português, por texto e áudio, com informações sobre a pandemia em seu país de origem. Isso é muito positivo, pois estabelece um vínculo entre sua terra natal e o Brasil, reforçando os laços e favorecendo o engajamento", explica Brenner.

Com o intuito de melhorar o atendimento e o acesso às aulas, além de manter o interesse dos alunos em alta, o grupo está finalizando a elaboração de um questionário que será enviado aos alunos. O objetivo é entender suas necessidades para atendê-las da melhor forma possível.

Para Ana Brenner, a Uerj mais uma vez reafirma seu papel social:

"Tudo o que afeta a nossa sociedade diz respeito também à universidade e à produção de conhecimento. Nesse sentido, o que a Uerj está fazendo em relação à Covid-19, produzindo informação, conhecimento e pesquisa científica em várias áreas, é a expressão de que seguimos trabalhando incessantemente, apesar da necessidade do isolamento social. É fundamental que o conhecimento, mais do que nunca, seja também disponibilizado e acessado pelos migrantes e refugiados que vivem aqui e têm, na Cátedra Sérgio Vieira de Mello e na Uerj, um ponto de apoio e acolhimento", disse.

Para conhecer mais sobre a Cátedra Sérgio Vieira de Mello e saber como ajudar, basta acessar o site da ACNUR: www.acnur.org/portugues/catedra-sergio-vieira-de-mello/

Inscreva-se através do nosso serviço de assinatura de e-mail gratuito para receber notificações quando novas informações estiverem disponíveis.