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Surto do novo coronavírus neste mês em alguns estados sobrecarregou hospitais - Foto: Divulgação

O surto do novo coronavírus na Flórida, Califórnia e em outros estados norte-americanos muito afetados pode estar chegando ao auge, enquanto outras partes do país podem estar à beira de surtos crescentes, disse o principal especialista em doenças infecciosas dos Estados Unidos (EUA) na terça-feira (28).

Uma disparada de casos na Flórida, no Texas, no Arizona e na Califórnia neste mês sobrecarregou hospitais, forçou a reversão de medidas de reabertura econômica e provocou temores de que os esforços do país para controlar o surto não estejam bastando.

"Eles podem estar chegando ao pico e voltando", disse o doutor Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, no programa Good Morning America, da rede ABC, quanto à situação do surto em vários estados do chamado Cinturão do Sol.

Fauci disse existir "indício muito precoce" de que o percentual de exames positivos do novo coronavírus está começando a subir em estados como Ohio, Indiana, Tennessee e Kentucky. "Esse é um sinal infalível de que é preciso ser cauteloso."

Ele apelou aos estados com taxas positivas crescentes a agirem rapidamente para evitar o aumento, e aos outros estados a reabrirem cautelosamente, seguindo diretrizes estabelecidas por autoridades e especialistas de saúde norte-americanos.

Chancelaria chinesa diz que decisão prejudicou severamente relações - Foto: Ana Cristina Campos/Agência Brasil

A China alertou nesta quinta-feira (23) que será forçada a reagir depois que os Estados Unidos (EUA) determinaram o fechamento de seu consulado em Houston, uma medida que o Ministério das Relações Exteriores chinês disse ter "prejudicado severamente" as relações.

Washington deu 72 horas para a China fechar o consulado, "para proteger propriedade intelectual e informações particulares norte-americanas", o que marcou uma escalada dramática da tensão entre as duas maiores economias do mundo.

No Twitter, o senador norte-americano Marco Rubio, membro do Partido Republicano e presidente interino do Comitê de Inteligência do Senado, descreveu o consulado de Houston como o "nódulo central da vasta rede de espiões e operações de influência do Partido Comunista nos Estados Unidos".

Em seu briefing diário, o porta-voz da chancelaria chinesa, Wang Wenbin, descreveu as alegações norte-americanas como calúnia mal-intencionada.

"Em reação às ações insensatas dos EUA, a China precisa escolher uma reação necessária e salvaguardar seus direitos legítimos", disse ele, sem especificar qualquer medida.

"Isso está destruindo a ponte de amizade entre o povo da China e dos EUA", acrescentou.

O jornal South China Morning Post noticiou que a China pode fechar o consulado norte-americano de Chengdu, cidade do sudoeste chinês. O país cogita ainda fechar o consulado norte-americano de Wuhan, de onde os EUA retiraram funcionários no início do surto do novo coronavírus.

Hu Xijin, editor do Global Times, tabloide publicado pelo Diário do Povo do Partido Comunista, escreveu que fechar o consulado de Wuhan não causaria transtorno suficiente.

Hu disse que os EUA têm um grande consulado em Hong Kong e que é óbvio demais que o consulado é uma central de inteligência. "Mesmo que a China não o feche, poderia então reduzir seu pessoal a uma ou duas centenas. Isso fará Washington sofrer muito."

Os outros consulados dos EUA na China estão em Guangzhou, Xangai e Shenyang.

Os laços entre os dois países se deterioraram acentuadamente neste ano, por causa de questões que vão do coronavírus e da gigante de equipamentos de telecomunicação Huawei às reivindicações de Pequim ao Mar do Sul da China e à sua repressão a Hong Kong.

Editoriais da mídia estatal chinesa criticaram o fechamento do consulado em Houston, que viram como uma tentativa de culpar Pequim por fracassos dos Estados Unidos antes da eleição presidencial de novembro - o presidente Donald Trump aparece atrás de seu concorrente, o ex-vice-presidente Joe Biden, em pesquisas.

Estado chegou a 400.166 casos da doença

A Califórnia se tornou o segundo estado, depois de Nova York, a notificar mais de 400 mil casos de covid-19 nos Estados Unidos, de acordo com contagem da Reuters.

O estado mais populoso dos EUA chegou a 400.166 casos da doença, ficando muito perto de superar Nova York - epicentro original da epidemia no país - com o número mais alto de infecções desde a detecção do primeiro caso em janeiro.

No atual cenário, se a Califórnia fosse um país, estaria em quinto lugar no mundo em número de casos de covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos, do Brasil, da Índia e Rússia. Nova York tem, no momento, 412.800 casos, com média de 700 novos casos sendo registrados por dia em julho, enquanto a Califórnia apresenta alta de 8.300 novos casos diários, em média.

Desde a explosão de casos no início do ano, Nova York conseguiu controlar o vírus e registrou na segunda-feira (20) o menor número de hospitalizações dos últimos quatro meses.

Na semana passada, o governador da Califórnia, Gavin Newson, recuou em alguns dos planos de reabertura do estado, ao anunciar o fechamento de lugares que atraem aglomerações, como bares, restaurantes, cinemas, zoológicos e museus. Ele também decretou o fechamento de academias, igrejas e salões de beleza nos 30 condados mais atingidos.

Newsom publicou uma polêmica orientação, na última sexta-feira (17), para reabrir escolas, em meio a um intenso debate no país sobre a segurança de enviar crianças e professores de volta às salas de aula durante a pandemia.

Número de visitantes nos parques será limitado - Foto: Divulgação

A Walt Disney vai manter os planos de reabrir os parques temáticos em Orlando, na Flórida, para um número limitado de visitantes no próximo sábado (11), informou a empresa nessa terça-feira (7).

Os casos de coronavírus na Flórida dispararam no último mês, com a contagem diária no estado superando 10 mil novos registros por dia na semana passada.

A taxa de mortalidade pela covid-19 subiu cerca de 19% em relação à semana anterior, levando o número de mortes no estado para mais de 3.800.

Alguns funcionários assinaram pedido para que a Disney atrase a reabertura do Walt Disney World. O complexo, que possui os parques temáticos mais visitados do mundo, foi fechado em março.

Em nota divulgada nessa terça-feira, a diretora-médica da Disney, Pamela Hymel, disse que novos requisitos, incluindo checagem de temperatura corporal e exigências de uso obrigatório de máscara, além de outras medidas sanitárias, permitiriam que os visitantes desfrutem da Disney World "de maneira responsável".

"Embora a covid-19 e o risco de contraí-la estejam presentes nos espaços públicos, há muitas maneiras importantes com as quais podemos promover a segurança de todos", disse Pamela.

O governo chinês repudiou a ordem e ameaçou retaliar - Foto: Divulgação

Os Estados Unidos instruíram o consulado chinês em Houston a fechar em três dias, citando a necessidade de proteger propriedade intelectual e informações norte-americanas, em meio a um deterioração aguda das relações entre os dois países.

O governo chinês repudiou a ordem e ameaçou retaliar. Uma fonte disse que a China está cogitando fechar o consulado dos EUA na cidade de Wuhan.

Os laços bilaterais vêm se tensionando desde o surgimento do novo coronavírus em Wuhan.

O Departamento de Estado norte-americano confirmou o fechamento iminente do consulado de Houston depois que o Ministério das Relações Exteriores chinês relatou ter sido instruído a fechar a missão.

A notícia agitou os mercados financeiros criando uma onda de aversão a risco nos pregões europeus.

O fechamento foi ordenado "de forma a proteger propriedade intelectual americana e informações particulares americanas", disse Morgan Ortagus, porta-voz do Departamento de Estado, em um comunicado.

"Os Estados Unidos não tolerarão as violações da RPC (República Popular da China) contra nossa soberania e a intimidação de nosso povo, assim como não toleramos as práticas comerciais injustas da RPC, o roubo de empregos americanos e outros comportamentos ofensivos", acrescentou, usando o nome oficial da nação asiática.

Os dois países entraram em atrito recentemente por causa do comércio, tecnologia, uma lei de segurança nacional imposta a Hong Kong e as reivindicações de Pequim ao Mar do Sul da China.

A China denunciou a ordem dos EUA como uma escalada.

"O fechamento unilateral do consulado da China em Houston dentro de um período de tempo curto é uma escalada inédita de suas ações recentes contra a China", disse o porta-voz da chancelaria chinesa, Wang Wenbin, em uma coletiva de imprensa de rotina.

"Pedimos aos EUA que revoguem imediatamente esta decisão equivocada. Caso estes insistam em seguir por este caminho errado, a China reagirá com contramedidas firmes."

O governo dos EUA vem assediando diplomatas e funcionários consulares chineses, disse Wang, além de "intimidar e interrogar estudantes chineses e confiscar seus aparelhos elétricos pessoais e até detê-los".

Ele ainda disse que o consulado está funcionando normalmente, mas não respondeu ao ser indagado sobre reportagens da mídia norte-americana em Houston na noite de terça-feira segundo as quais documentos estavam sendo queimados em um pátio do consulado.

A polícia de Houston disse ao canal FOX 26 que funcionários estavam queimando documentos, porque serão expulsos do edifício na tarde de sexta-feira.

Redes sociais mostram turistas sem máscaras dançando nas ruas - Foto: Divulgação/Pixabay

A algumas quadras do Centro de Convenções de Miami Beach, onde um hospital de campanha de emergência está pronto para lidar com possível onda de pacientes de covid-19, é tempo de festa na Ocean Drive, a famosa avenida beira-mar da cidade turística norte-americana.

Nos últimos dias, as redes sociais mostraram pessoas sem máscaras dançando nas ruas, espremidas em carros transformados em clubes noturnos improvisados e se amontoando ombro a ombro com bebidas nas duas mãos, nas áreas externas dos restaurantes.

"É um conto de duas cidades", disse o prefeito, Dan Gelber, em referência ao romance homônimo de Charles Dickens. "Nossos moradores são bastante responsáveis, mas nossos visitantes têm sido instáveis, e existem áreas onde parece que as únicas pessoas ali são aquelas que acham que não existe um vírus."

A Flórida está se tornando rapidamente o epicentro de uma segunda onda da pandemia do novo coronavírus nos Estados Unidos. O Departamento de Saúde do estado confirmou mais de 9 mil casos novos na terça-feira (14), o que eleva o total a mais de 290 mil. Além disso, 133 mortes adicionais colocaram o número do estado acima de 4.500.

Na região populosa de South Florida, autoridades hospitalares relataram que prontos-socorros e unidades de tratamento intensivo estão quase lotados. No domingo (12), a Flórida relatou mais de 15 mil casos - um novo recorde diário que ultrapassou o pico de Nova York em abril.

Mas um grupo de veranistas de máscaras e biquínis, procedente da cidade de Nova York, disse que isso não basta para desestimulá-los. "Sabemos que existe uma pandemia, mas não é para deixar de viver a vida", disse Tamia Young, funcionária do Correio, de 36 anos, que partiu do bairro do Brooklyn com a mãe e duas filhas. "Tudo está fechado mesmo, então nem dá para curtir Miami."

O número de fechamentos aumentou nos últimos dias, ao mesmo tempo em que negócios parcialmente abertos começaram a submeter seus funcionários a exames de detecção do novo coronavírus e a receber alguns resultados positivos.

O Clevelander, hotel de Ocean Drive, conhecido por suas festas 24 horas por dia, reabriu em 18 de junho, mas fechou novamente depois que um dos empregados teve diagnóstico positivo.

Autoridades de Miami Beach estão planejando aumentar a presença policial na cidade, na esperança de dispersar multidões e garantir o distanciamento social, o uso de máscaras e a obediência dos restaurantes às restrições.

Decreto emergencial foi assinado pelo prefeito Carlos Gimenez - Foto: Divulgação

Miami-Dade, o condado mais populoso do estado norte-americano da Flórida, se tornou o mais novo ponto crítico do novo coronavírus nos Estados Unidos (EUA) a voltar atrás no processo de reabertura nessa segunda-feira (6), proibindo restaurantes de servirem refeições no local, conforme o número de casos no país aumenta e as mortes pela doença superam o total de 130 mil

O decreto emergencial foi editado pelo prefeito Carlos Gimenez, principal autoridade do condado, que inclui a cidade de Miami e áreas próximas, e que tem cerca de 48 mil casos de covid-19 entre seus 2,8 milhões de moradores.

A medida atingiu em cheio os donos de restaurantes, que recentemente voltaram ao trabalho após o fechamento obrigatório que durou semanas até ser suspenso, deixando-os frustrados e ainda mais preocupados com a sobrevivência de seus negócios.

"Estamos emocionalmente esgotados, financeiramente esgotados, e estamos esgotados com o trauma em ver tudo que está acontecendo", afirmou Karina Iglesias, sócia de dois restaurantes espanhóis populares no centro de Miami, o Niu Kitchen e o Arson.

Michael Beltran, sócio no Ariete Hospitality Group, e proprietário de uma série de outros restaurantes populares de Miami, incluindo o Taurus, tinha dificuldade de aceitar que teria de dizer a seus 80 funcionários - muitos dos quais foram recontratados para a reabertura - que eles ficariam desempregados novamente.

"Pelo que me disseram, eu fiz as coisas certas para reabrir, e agora estamos nesse ponto", disse Beltran.

A Flórida registrou novo recorde diário de casos, com 11 mil nessa segunda-feira, número maior do que o registrado em qualquer país europeu no auge da crise.

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