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O sucesso não se compra

A maioria das pessoas sofre por não saber definir o que quer e quanto. A busca por mais do que somos ou do que temos condições de ser momentaneamente, perseguindo um padrão que o mercado construtor e consumidor de líderes plasma como “líderes ideais”, têm trazido malefícios emocionais a quase todos que se envolvem nessa “corrida”. 

De certo que a ambição humana é algo natural e de alguma forma traz progresso. É o desejo de quebrar limites, de ir além, de avançar. O que geralmente faz essa ambição ser perniciosa, não é o desejo de progresso em si, mas a ganância que alimenta a ambição e consome valores nobres do bem comum.

Nessa “corrida” desenfreada onde pessoas de sucesso são consideradas as que enriquecem e somente essas, a ganância tem muita chance de se empoderar do indivíduo travestida de empreendedorismo.

É importante refletir que a maioria das pessoas não deseja necessariamente enriquecer. Deseja sim, ter uma vida digna onde seu trabalho seja recompensado dignamente e o dinheiro possa suprir suas necessidades materiais. Também espera que ganhar dinheiro não seja a única preocupação na vida. Deseja incluir lazer, entretenimento, prazer, bons relacionamentos, por exemplo. Mas o que a sociedade vem comprando como verdade - essa busca desenfreada por enriquecer -  e que acaba por se colocar refém dessa verdade, está conduzindo muitos a ansiedade, estresse, impaciência, tristeza e frustração. Cabe pois a essa mesma sociedade, estabelecer novos critérios de definição de sucesso e busca da felicidade.

Embora ninguém pague conta com oração nem vibração, o triunfar na vida não tem nada necessariamente com ganhar ou não dinheiro. Triunfar na vida está alinhado com materialização de ideais que auxiliem na construção de um mundo melhor.

Nelson Mandela, para o que proponho justificar e esclarecer, foi um grande triunfador. Desejava o apartheid (libertação dos negros). Por conta disso, passou próximo de 28 anos preso, sendo que desses 28 anos, quase 17 passou em uma solitária de 1,60m x 1,60m só saindo para visitas de 3 em 3 meses, durante 30 minutos. Detalhe: Nelson Mandela tinha 1,95m de altura. Alguém pagaria esse preço por seu ideal? Ele pagou. Saiu após cumprir seu tempo de prisão para se tornar Presidente da África e ser triunfador em seu ideal de libertação de seu povo. Esse relato tem algum alinhamento com “enriquecer”? E não é inegável que ele foi um belo exemplo de “pessoa que fez sucesso na vida”?

Precisamos “comprar” a ideia de que fazer sucesso na vida é muito mais do que somente ficar rico. Ficar rico não é e não deve ser considerado como indicador exclusivo e insubstituível de “sucesso”.

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