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Fertilidade em pacientes com câncer

Gravidez não é mais um sonho impossível para pacientes que foram submetidas a tratamento quimioterápico

André Borges/Agência Brasília

Chegou ao Brasil um novo procedimento de preservação da fertilidade voltado para mulheres com câncer e em idade fértil (até 35 anos) que pretendem engravidar após o fim do tratamento. Este método consiste em congelar parte do ovário das mulheres com câncer, antes da quimioterapia e como forma de preservar sua atividade, para depois reimplantá-la quando curadas, permitindo que engravidem. A novidade foi trazida ao país pelo Centro de Reprodução Humana do Hospital e Maternidade Santa Joana, localizado em São Paulo.

No mundo, já são mais de 60 crianças nascidas a partir dessa técnica, que foi desenvolvida na Bélgica. No Brasil, o procedimento de congelamento do tecido ovariano nas pacientes oncológicas é recente, sendo o Centro de Reprodução do Santa Joana a Instituição privada pioneira em sua realização, com quatro casos de congelamento do tecido ovariano, ainda não reimplantados. 

“Aqui no Santa Joana, temos óvulos de mulheres sadias congelados há mais de 10 anos, mas o congelamento de tecido pode trazer uma expectativa melhor de sucesso. Porém, só iremos utilizar o tecido e reimplantá-lo após a paciente ter alta do tratamento oncológico”, explica o ginecologista e obstetra Eduardo Motta.

A embriologista Joyce Fioravanti, viajou a convite até Bruxelas, na Bélgica, para realizar um aperfeiçoamento sobre essa técnica que foi desenvolvida lá pelo professor Jacques Donnes, da Universidade de Bruxelas. 

“Como os procedimentos de radioterapia e quimioterapia podem prejudicar os órgãos reprodutores femininos, principalmente os ovários, a técnica é uma possibilidade de preservar a capacidade reprodutiva destas mulheres”, conta a especialista.

Realizada por meio de uma biópsia do ovário, parte do tecido contendo alta concentração de óvulos é retirada e congelada. O procedimento é semelhante ao do congelamento de gametas (óvulos e espermatozoides), porém sua eficácia é maior. 

“Este método tem mais potencial do que o congelamento de gametas, pois a quantidade preservada de óvulos é bem maior. No entanto, é fundamental que as mulheres tenham no máximo 34 anos, sendo o ideal antes dos 30”, garante Eduardo Motta.

Depois do término do tratamento oncológico, basta uma nova intervenção cirúrgica para reimplantar o tecido congelado no local do próprio ovário. Dessa forma, a mulher pode, inclusive, readquirir a capacidade de engravidar naturalmente, embora o procedimento de fertilização in vitro seja o mais apropriado.

“A embriologia está cada vez mais evoluída, o que contribui para que as mulheres tenham várias alternativas de realizarem o sonho de ser mãe”, conclui dra. Joyce. .


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